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First Listen: ouvimos “7”, o novo disco de David Guetta

De cara, o título “7” pode ser bastante óbvio por ser o sétimo álbum de David Guetta, mas há mais por trás do número. Em recente entrevista, o DJ e produtor francês fala em um fim de um ciclo e exemplifica citando que há sete dias em uma semana, a criação do mundo em sete dias. Além disso, 7 (de novembro) é o dia do seu aniversário e o disco parece ser exatamente isso: uma celebração dupla do que Guetta ajudou a construir para a EDM nos últimos anos. O POPline recebeu o álbum em primeira mão para um First Listen!

Foto: Ellen von Unwerth

“7” é um disco fluido e me arrisco a dizer que é provavelmente o mais coeso desde “Nothing But the Beat”. Guetta passeia por diversos gêneros que influenciam com clareza as 15 faixas do disco um: há várias facetas da música eletrônica, pop, hip-hop, há até um detalhe de rock dos anos 1950 e reggaeton. E sem parecer forçado, Guetta garante o retorno de colaborações de sucesso como Nicki Minaj e Sia e ainda se recicla com o poder de nomes atuais Anne-Marie, Madison Beer, da rapper Saweetie, J Balvin, Jess Glynne, Stefflon Don e Bebe Rexha. Eu sei que você está ansioso para eu falar de “Say Ny Name”, a colaboração que “deveria” ter a voz de Demi Lovato, mas seria injusto resumir o “7” a essa faixa.

Não sei se foi proposital a escolha dos lançamentos antecipados de faixas que aparecem intercaladas com inéditas na tracklist oficial, mas a estratégia deu uma fluidez ao ouvir. De “Don’t Leave Me Alone (Anne-Marie)”, o álbum cai para a levada de “Battle” (Faouzia) que se não foi escrita pela Sia, poderia. É a cara do estilo de música da australiana. Falando nela, Sia aparece em seguida “Flames”, uma das melhores do disco, e “Light Headed”, a que encerra o disco um. O pop radiofônico volta a aparecer em evidência em “Blame It On Love” com Madison Beer, que prepara o terreno para a comentada “Say My Name”.

A faixa já abre com a voz de Bebe Rexha e uma pegada reggaeton bem característica. Confesso aqui um erro que acredito que muitos de vocês irão cometer mais tarde: ouvir a faixa de primeira tentando imaginar a voz de Demi Lovato. Para quem viveu em uma bolha nos últimos meses, eu explico: a música havia entrado para uma lista de “próximos lançamentos” de uma rádio com o nome de Lovato no lugar de Bebe. Com a confirmação da tracklist sem Demi, após o episódio de overdose da cantora, muitos usaram as redes sociais para atacar Bebe. Por favor, não! Bebe Rexha é um dos nomes mais interessantes da atual geração. Sua voz rouca passeia por vários estilos (vide o sucesso de “Meant to Be” com flerte de country e parcerias com artistas de R&B) sem estranhamento. Quem curtiu “Push Back” (do Ne-Yo com Bebe) não vai torcer o nariz. Deem crédito à cantora. Em alguns momentos, Bebe também lembra a modulação de Sia como no refrão “say my name / if you love me / let me heal / say my name / i’m dying to believe in you”. J Balvin canta em espanhol em suas duas participações.

A decisão de mudar Demi por Bebe foi acertada. Pense pelo outro lado: a música é uma das mais comerciais – e aguardadas – do álbum e ter o nome de Demi atrelado seria até um desrespeito à artista que está afastada do trabalho por tempo indeterminado para cuidar da saúde. E vida que segue!

“7” continua com a pegada latina com a já conhecida “Goodbye” com Nicki Minaj e Jason Derulo e aí aparece a primeira grande quebra do disco. “I’m That Bitch”, com a rapper iniciante Saweetie, com um quê de trap que é totalmente viciante. É certamente uma das mais interessantes até aqui. Em “Like I Do”, Guetta volta para as inspirações totais em EDM e é não é equivocado afirmar com antecedência que estará no setlist ao vivo do DJ acompanhada pela plateia em pulos agrupados e canhões de papeis picados. Lançada há mais de um ano, “2U” entrou para o disco, aposto eu, por ser uma colaboração com Justin Bieber. Se o nome não tivesse peso como o do cantor, poderia certamente ter ficado de fora.

A décima faixa é a que eu, particularmente, quero que você preste atenção. A mistura de Jess Glynne e Stefflon Don é curiosa. Enquanto eu ouvia o álbum e passava o olho nas demais canções, ao ver os nomes das duas fiquei em dúvida no que sairia dali. “She Knows How to Love Me” abre com uma frase lindamente remixada do megahit “Tutti Frutti”, de Little Richard, e segue com Jess Glynne falando ritmicamente (incorporando uma Rihanna), rasgando o vozeirão em seguida puxada por piano. A entrada de Stefflon Don tem uma quebrada que transforma a faixa em outra música. E ainda há uma terceira quebra mais à frente. Fica até difícil te dizer qual o estilo predominante da música, mas o talento de Guetta garante que a misture não cause estranhamento. Além de ser a minha favorita do disco entra fácil entre as melhores da discografia, pra mim, do DJ.

O “7” segue a vibe com “Motto”. Você conhece o lowrider? Assim são chamados os carros modificados “programados” para “pularem”. Há competição nos Estados Unidos e é algo recorrente entre os fãs de hip-hop e rap e “Motto” me remeteu direto a um lowrider na pista. A música tem até pouca interferência da EDM característica de Guetta e poderia estar facilmente em qualquer álbum de rap.

O álbum sofre uma “baixa” novamente com “Drive”, mesmo tom que segue “Let It Be Me”. A música que tem Axa Max como convidada tem um outro sample clássico: direto dos anos 1980, Guetta colocou o “tu tu tu ru”, de “Toms Diner”, de Suzanne Vega. É outro potencial hit radiofônico.

O disco dois é um outro lado de Guetta. Assinando com o codinome Jack Black, ele mostra o lado dos clubes, dos pequenos espaços europeus destinados exclusivamente à música eletrônica e que não se encaixam necessariamente a conteúdo radiofônico. Se o “7” é um fechamento de ciclo, Guetta entrega em seu sétimo disco todas as suas facetas: o iniciante DJ em funk/hip-hop, passando pela house music, o astro que levou EDM às rádios e aquele que nunca abandonou o “fã raiz”.

“7” será liberado na íntegra em todas as plataformas digitais nesta sexta-feira (14/9).

Escrito por Amanda Faia

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