Drik Barbosa e Fióti: arte, verdade e estratégia; ouça no episódio do Podcast Cases do POPline.Biz
Drik Barbosa e Fióti. Foto: Lana Pinho/Divulgação
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Drik Barbosa e Fióti: arte, verdade e estratégia; ouça

Drik Barbosa e Fióti ecoam um case inspirador de sucesso e falam sobre o mercado musical, construção de legado e estratégia artística

Drik Barbosa e Fióti: arte, verdade e estratégia. O novo episódio inspirador do Podcast “CASES” traz os bastidores da trajetória de sucesso da carreira de uma mulher empoderada, disruptiva, com um discurso potente e cheia de personalidade que é a Drik Barbosa ao lado do também artista, empresário e Cofundador da Lab Fantasma, Evandro Fióti.

Nascida em São Paulo, Drik compõe desde os 14 anos de idade. Antes de chegar ao seu momento de triunfo – no caso o álbum de estreia “Drik Barbosa” em 2019 e lançamento do EP Espelho -ela chamou atenção pelo seu freestyle na Batalha do Santa Cruz, berço do rap contemporâneo (dali, despontaram nomes como Rashid, Projota e o próprio Emicida).

A artista passou a colaborar com diversos nomes do meio, como Flow MC, Amiri, Marcello Gugu, Projota e DJ Caique. Em 2013, ao lado de Emicida, ela participou da música “Aos Olhos de uma Criança”, da trilha do filme “O Menino e o Mundo” – um longa metragem de animação feita por Alê Abreu. 

Em 2020, após ter uma turnê na Europa cancelada devido à pandemia do novo coronavírus, Drik refletiu sobre como poderia colocar a sua arte a serviço da coletividade. Surgiu então o projeto “NÓS”, que teve como ponto de partida o lançamento do single “Sobre Nós” (com participação do rapper Rashid). O segundo single da iniciativa chegou em 2021. Trata-se de “Seu Abraço”, que traz a participação de Psirico e de RDD.

No momento, além de mais músicas para o projeto “NÓS”, ela prepara uma audionovela ficcional inspirada por histórias reais. “Quero interligar os nossos nós e extrair da dor o antídoto que injeta força na nossa resistência. A ideia é fazer isso através do afeto, do diálogo e do autocuidado“, entrega Drik.

Drik Barbosa e Fióti: arte, verdade e estratégia; ouça no episódio do Podcast Cases do POPline.Biz
Drik Barbosa e Fióti. Foto: Lana Pinho/Divulgação

Evandro Fióti é uma referência inquestionável relacionada a novos negócios na música e a ações impactantes no showbiz. É à frente da Laboratório Fantasma, que abriu junto do seu irmão, Emicida, que ele vem escrevendo história nos últimos 10 anos. Ao longo desse processo, contudo, Fióti também viu possibilidades para brilhar como artista, para além do business da música.

Foi em 2016 que ele colocou na rua o seu primeiro EP, “Gente Bonita”. Bem-recebido pelo público e pela crítica, o trabalho tinha como objetivo resgatar a auto-estima do povo brasileiro e se desdobrou em uma tour que passou por importantes palcos do país.

Conheça mais os bastidores do case de sucesso de Drik Barbosa e Fióti dentro da Lab Fantasma, no episódio imperdível abaixo:

Drik Barbosa e Péricles levam cura e afeto por meio da música

Ao longo do último ano, não foram poucas as vezes que Drik Barbosa se pegou repetindo a frase “calma, respira” como se fosse um mantra e, com certeza, ela não foi a única. Para encontrar um equilíbrio, a rapper, cantora e compositora paulistana recorreu aos saberes ancestrais e encontrou na música uma ferramenta de resistência, de preservação da identidade de um povo e de amenização das dores.

Foi assim que surgiu o projeto NÓS, uma iniciativa multiplataforma que vem sendo produzida por Drik Barbosa e pela LAB Fantasma desde novembro de 2020; e já lista os singles “Sobre Nós” e “Seu Abraço”, em parceria com Rashid e Psirico, respectivamente. Agora, a artista apresenta um novo capítulo em sua jornada de cura e de autocuidado.

Trata-se de “Calma, respira“, um pagode que conta com a participação de Péricles. A faixa chega hoje (5) aos aplicativos de streaming pela Laboratório Fantasma e também ganhou um videoclipe, já disponível no canal de YouTube da artista

“Desde que iniciei o projeto NÓS, abordei o resgate da nossa humanidade e também exaltei a importância do afeto em nossas vidas. Agora, com ‘Calma, respira’, trago uma mensagem de empatia e de resistência“, comenta Drik.

“Principalmente quando pensamos na população negra, o sentimento de solidão é muito forte e isso está diretamente ligado ao genocídio e ao extermínio que nós e as populações indígenas enfrentamos no Brasil desde a colonização. Essa canção vem para reafirmar que somos maiores, que vamos resistir e que  não estamos e nunca estivemos sozinhos. Nossos antepassados nos ensinaram isso; o samba, o pagode e o rap me trouxeram esse entendimento e me deram auto-estima, força, esperança e reconhecimento da minha negritude”, avalia a artista.

A escolha do pagode como guia para “Calma, respira” não foi à toa, visto que – nos anos 90, quando se popularizou – ele foi responsável por resgatar a auto-estima da população afro-brasileira, em especial da juventude negra e periférica.

“Em um momento social demarcado pela vigência do ‘mito da democracia racial’, o pagode ficou conhecido apenas por suas contribuições com canções românticas, o que é uma consequência direta da tentativa do embranquecimento do gênero, que, para além de temas românticos, também falava sobre religiosidade negra, espiritualidade, orgulho e exaltação da sua cultura“, comenta Evandro Fióti, empresário de Drik Barbosa e parceiro dela na composição de “Calma, respira” (ao lado de Kelly Souza – irmã e backing vocal de Drik).

“Devido ao racismo estrutural e suas consequências, presentes na sociedade até os dias de hoje, as músicas com esse tipo de conteúdo não tinham o interesse das gravadoras e da mídia hegemônica (salvo raras exceções). Ainda assim,  o pagode – tal qual o jazz, blues e o soul nos Estados Unidos – resistiu e dominou as paradas de sucesso dos anos 90 e 2000. E foi responsável por trazer auto-estima, identidade e influenciar diretamente as próximas gerações, como a de Drik Barbosa. Daí, a importância desse lançamento no contexto em que vivemos”, complementa Fióti.

 

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Ele ainda reafirma a importância da cultura negra como elemento fundamental de resistência, já que “a morte das pessoas negras, por conta do genocídio, não é apenas física, mas também simbólica devido ao apagamento, embranquecimento e esvaziamento da sua cultura, o que podemos chamar de epistemicídio”.

Com produção musical de Damien Seth e Fejuca, “Calma, respira” faz um resgate cultural por meio de uma sonoridade capaz de mexer com o imaginário positivo da maioria da população negra brasileira – algo possibilitado pelo poder do pagode e reforçado pela participação de Péricles. Além de ser um dos principais cantores do país, ele é dono de uma voz capaz de transportar todo brasileiro para um local espiritual, nostálgico e afetivo.

“Eu tinha muita vontade de trazer aquela emoção que o pagode dos anos 90 carregava em suas construções. Eu sou muito fã do Péricles, fiquei muito feliz quando ele aceitou o convite para participar. A sua voz tem uma magia inexplicável, a interpretação dele levou a mensagem da música para algo muito profundo. Hoje, penso que ele era a única pessoa possível para o resultado que eu queria”, diz a rapper.

Drik e Péricles também aparecem juntos no videoclipe curta-metragem de “Calma, respira”. Há ainda a presença do ator Majó Sesan e de Mirella Barbosa (irmã mais nova de Drik). Responsável por ampliar ainda mais a dimensão espiritual e a importância da música como uma tecnologia ancestral para as pessoas negras, o registro audiovisual é uma parceria da Laboratório Fantasma com a ODUN Filmes, produtora de Vivi Ferreira, mulher negra, diretora e roteirista do clipe e atual presidente da SPCine.

O curta apresenta a figura paterna negra interpretada por Majó Sesan em busca das sabedorias dos antepassados para tirar a sua filha de um estado de depressão. A música surge como protagonista e elemento fundamental para a cura e o resgate da humanidade. 

 

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“Tem uma fala contundente de Ma Rainey, mulher negra e também mãe do Blues, que aparece no filme ‘A Voz suprema do Blues’ e representa muito bem o que queremos passar com ‘Calma, respira'”, afirma Fióti. “Ela diz: ‘Os brancos não entendem o blues. Eles o ouvem, mas não sabem de onde vem. Não sabem que é a vida falando. Você não canta pra se sentir melhor. Canta porque é um modo de entender a vida. O blues o ajuda a levantar da cama pela manhã. Você levanta sabendo que não está só’. Esse é o poder da música para nós, pessoas negras, antes de ser ‘’Produto’’ nosso legado ancestral, tecnologia de resistência.”, ele adiciona.

Após “Calma, respira”, Drik Barbosa iniciará o processo do último capítulo do projeto NÓS, em que apresentará mais uma canção e o lançamento de um podcast. “Eu gosto de pensar que cada faixa do projeto NÓS está dando a mão para outra. Quando completarmos o ciclo de quatro singles, será como se eles estivessem abraçando o público. A arte cura e esse é o poder que eu quero usar para levar esperança e afeto para o nosso povo“, finaliza Drik Barbosa.

O Podcast “CASES” é um formato proprietário do POPline.Biz é Mundo da Música, dentro do Hub de Podcasts do POPline Studios, exclusivo no Spotify. No programa, já recebemos Anavitória e Manu Gavassi acompanhadas por Felipe SimasVitor Kley e Rick BonadioAtitude 67 e Dudu BorgesMelim e Rafa Brahma; Carol & Vitoria e TiêRogério Flausino e Helber OliveiraPretinho da Serrinha Miranda; Paulinho Moska, Vicente Barros e Luís Felipe Couto; Lucy Alves e César Figueiredo e Larissa Luz e Potyra Lavor.

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Escrito por Láisa Naiane

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