Quem é Duquesa, revelação feminina do trap nacional?
Foto: Jef Delgado/ Divulgação
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Quem é Duquesa, revelação feminina do trap nacional?

A baiana é aposta da Boogie Naipe, comandada por Eliane Dias, casa do Mano Brown, Racionais MC’s e Liniker

Em meio às experimentações sonoras que vagam pelo R&B e pelo Trap, Duquesa desponta, aos 21 anos, no cenário por sua voz aveludada e limpa, que consegue brincar com distorções e envolver os quase 30 mil ouvintes mensais no Spotify.

Uma das apostas da produtora Boogie Naipe, comandada por Eliane Dias, casa do Mano Brown, Racionais MC’s e Liniker, Duquesa lançou, nesta quarta-feira (30), uma música em colaboração com Bivolt e Onnika. Fruto de duas ideias distintas, o single “One Time” nasceu ali, no momento em que as três se encontraram no estúdio, e é essa sintonia que se desdobra no registro audiovisual da faixa.

A ideia original era gravar duas canções, uma com Onnika, mais puxada para o trap, e outra com Bivolt, mais voltada pro R&B. “Eu já tinha composto a base para as duas ideias, aí peguei um pouco de cada, mandei o beat e elas curtiram também e completaram com suas respectivas partes”, revela Duquesa. Foi a feliz coincidência de chegarem todas ao estúdio no mesmo horário que resultou em “One Time”, que tem produção assinada por Go Dassisti. Confira:

Mas, afinal, quem é Duquesa? Qual a sua história? A artista é o destaque de hoje do “Quem é”. Lançado em fevereiro, o quadro do POPline.Biz é Mundo da Música traz nomes que estão dando o que falar no mercado como Dudu, Saudade, Hiran, Kika Boom, Luan Estilizado, Illy, DJ Guuga, Gabriela Rocha, Hotelo, Kant, Zé Vaqueiro, Malu, Diego & Victor Hugo, Krawk, Vitor Fernandes, Rai Saia Rodada, Salvador da Rima, Kawe, Nathan, MC Drika, OUTROEU e mais.

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Quem é Duquesa?

As inspirações despertadas por figuras como SZA, Summer Walker e Da Brat guiam o caminho da jovem Jeysa Ribeiro Conceição, 21 anos, nascida em Feira de Santana, no interior da Bahia. “Na minha família não há músicos ou se tem eu não os conheço. Mas, desde pequena eu gosto de me apresentar, queria ser dançarina, atriz ou algo que as pessoas pudessem me ver. Meu pai era muito eclético e eu escutava de tudo, isso me influenciou muito musicalmente a gostar de tudo um pouco”, revela.

Ela conta que caiu de paraquedas em um refrão da faixa “Só guardei pra mim”, do grupo baiano de rap Sincronia Primordial, em 2015, por influência do Robert Beats. “Ele me descobriu cantora quando eu não sabia ainda que cantava e escrevia tão bem”.

Em 2017, Duquesa fez um boombap que foi retirado do YouTube pela produtora da música, que não permitiu que seu material ainda estivesse no canal deles. “Mas foi aí que eu percebi que eu sabia rimar e brincar muito com as palavras”.

Dois anos depois, em 2019, a trapper deu início à sua videografia com o lançamento de “Futurista”. Carregada de enfrentamento (na letra) e de empoderamento (no registro audiovisual), a produção começou a desenhar o laço entre a cantora e a Boogie Naipe. Veja:

Em 2020, depois do lançamento de “Diz”, a jovem conheceu Monique Evelle, uma ativista baiana, durante a palestra que ela deu no lançamento de seu livro, em Salvador, no qual a cantora se apresentou junto com outras artistas.

“Por incrível que pareça, era como se eu a conhecesse há anos. Depois trocamos uma ideia e ela perguntou quem eu queria ser, respondi que queria ser a maior artista de R&B do Brasil (talvez um dia eu consiga!), logo depois ela apresentou as minhas guias ao Kaire Jorge. Ele acreditou no meu potencial, assim como a Eliane Dias, Mano Brown e toda equipe Boogie Naipe”, conta.

A artista revela que entrar na Boogie Naipe mostrou que vale a pena sonhar. “Eles apostaram em uma artista de 6 mil seguidores no Instagram e 1 música no Spotify. Uma artista do interior da Bahia e que nunca tinha saído do estado. Todos os dias é como receber uma injeção de coragem pra continuar trabalhando, a cada conquista de ver onde eu estou chegando e os espaços que eu passei a adentrar é uma vitória pela confiança e trabalho que estamos fazendo”, revela a cantora.

Vale destacar que, nesse meio tempo, Duquesa ela ainda colaborou com Ju Moraes, cantora de Salvador conhecida por sua participação na primeira temporada do reality show “The Voice Brasil”, na canção “Eu Quero Você”; e com o rapper paulistano Rincon Sapiência, na faixa “Amor e Calor”.

Em 2020, a artista ainda lançou os singles “Para Pra Pensar” e “Céu”. Já no início de 2021, em fevereiro, Duquesa revelou sua habilidade para dialogar com o trap na música “High”.

Questionada sobre a presença feminina na cena do rap e do trap nacional, Duquesa é objetiva ao dizer: “ Hoje, creio que chega a ser difícil até para os homens dizerem que algumas mulheres fazem um trabalho mais ou menos, ou ruim… se disserem, penso que é por hate mesmo. Apreciamos todos os dias lançamentos de mulheres que são boas demais. Talentosas, criativas e com letras, flows, vozes impecáveis”.

“A maior dificuldade que sinto até hoje é não ser ouvida por terceiros, mesmo tendo uma equipe com vários homens envolvidos no meu trabalho, minha equipe vê de perto tudo isso. As pessoas me veem e eu preciso ficar provando o tempo todo que eu quero algo. Exigir sem ser tirada como louca, debater e mostrar que quero algo muito específico, provar que sou tão boa quanto um homem para participar de projetos em que eles são maioria, achar brechas para que as pessoas me respeitem e não queiram segundas intenções… são algumas das dificuldades que percebo. Você passa a ser muito rude ou muito racional nesse meio”, desabafa.

Hoje, ela reúne mais de 200 mil streams totais no Spotify e prepara o lançamento de seu primeiro EP, previsto para este ano. A trajetória da artista baiana até aqui já a posiciona como uma das apostas da cena hip hop nacional. Mas basta um play em sua obra para ver que ela está pronta para ser muito mais do que uma promessa do mercado:

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Escrito por Rafa Ventura

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