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Pride POPline: Potyguara Bardo fala sobre ter voz em meio a “barbárie” e revelou novidades da carreira musical

Leia a mais nova entrevista da nossa coluna colorida!

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Em mais um episódio da POPline Pride, a gente apresenta Potyguara. O nome já dá uma dica: ela é do Rio Grande do Norte, também viu em RuPaul a máxima da inspiração para se encontrar profissionalmente e pessoalmente e é uma das mais politizadas da cena. Para Potyguara, é importante ter voz, apresentar uma possibilidade para aqueles que ainda não conseguiram forças para se expressarem e pedir respeito à individualidade.

Além desse papo, ela nos revelou novidades na carreira musical.

Olá, Potyguara! Para começar nossa conversa e para te apresentar apropriadamente ao público que ainda não te conhece, conta pra gente sobre sua história e como e quando sua drag queen foi criada!
Oi, POPline! Bem, eu sempre tive inclinações artísticas, mas sempre reprimi isso porque eu não achava que na minha cidade eu, sendo quem eu era, teria alguma chance de suceder. Na adolescência eu escrevia pra saciar essa necessidade de expressão, mas foi na universidade que eu finalmente me conheci o suficiente pra saber que eu não tinha outra coisa a fazer aqui no mundo que não fosse arte. Conhecer mais a fundo a arte drag me fez perceber que era a plataforma ideal pra isso. Eu tenho a possibilidade de ser roteirista, diretor, ator, maquiador e seja lá o que mais se faz num palco. Larguei tecnologia da informação pra usar peruca (as vezes nem isso, já que tenho cabelo grande 😂).

E quais foram as inspirações para o seu nome, Potyguara Bardo? Foi difícil chegar até essa escolha?
Bem, meu nome drag não oficial quando eu ficava vendo drag race e fazendo gowns de edredon era “Jacqueline Hello”, jacqueline pelo meu nome de boy e “hello” por que eu via muito “Mulheres ricas” na época e achava hilária a existência de Val Marchiori. Quando chegou o dia de eu me montar eu tinha acabado de ler “A experiência psicodélica” de Timothy Leary, que é uma tradução e resumo do Bardo Thodol – o livro tibetano dos mortos, pois tinha recentemente tido uma experiência de morte do ego e sentia que minha drag precisava falar sobre isso. Então veio o nome: Potyguara (pois quem nasce no RN é potiguar, de onde vem o meu ego e minha ancestralidade) e Bardo (o infinito e o vazio da existência, de onde vem o meu espírito).

Ser do Nordeste se mostra muito forte em todas as suas características, principalmente nas escolhas das músicas de suas performances. E você se mostra muito orgulhosa de suas raízes.
Sim, justamente por não crescer me sentindo representado no cenário artistico e vendo que os artistas que “conseguiam” da minha cidade sempre iam embora de Natal, quis que no meu nome tivesse a minha terra pra onde quer que eu fosse. Pra não me deixar esquecer que vim da descrença e, quem sabe, fazer uma poc conterrânea na mesma situação que eu acreditar que é possível expressar qualquer peculiaridade sua, pois é isso que te faz única.

De todas as drag queens no cenário musical atual do Brasil, você é uma das mais politizadas, sempre levantando a bandeira do que você acredita, seja em performances marcantes ou em publicações em suas redes sociais. Para você, essa politização de sua drag queen é uma característica importante?
Devo confessar que já foi mais importante, ao pé que o cenário político vai desmoronando, eu comecei a focar minha arte mais na saúde mental e pra onde nossa espécie está indo nessa nova era que começa. Eu acho que esse é um dos maiores poderes do artista: lembrar da humanidade e da empatia em meio a barbárie. As maiores atrocidades podem ter acontecido, mas quando olhamos pros nossos ancestrais são as artes que nos dizem de verdade o que tava se passando ali energeticamente. E vemos que assim como a maldade, a bondade sempre esteve aqui e não tá indo embora tão cedo.

Além da politização, Potyguara Bardo também se mostra uma drag queen inclusive, por assim dizer. Com seu clipe de “Você Não Existe” sendo todo feito em Libras. Ainda veremos mais desse lado inclusivo de Potyguara Bardo no futuro? Há algo já em planejamento?
Eu pretendo aprender todas as minhas músicas em língua de sinais, pra poder reproduzi-las pra qualquer brasileiro. Infelizmente sempre era indeferido na matéria de Libras na universidade e não tive aulas de verdade, o que eu sei vem do Youtube e da minha prima Erielma que junto com Meire me ensinaram a “coreografia” de “Você Não Existe”.

“Esse é um dos maiores poderes do artista: lembrar da humanidade e da empatia em meio a barbárie”

Sua música também segue um caminho um pouco diferente das outras artistas drags da cena musical do Brasil. Enquanto elas apostam em funk, pop-eletrônico e até no estilo musical que ficou famoso com nomes como Aldair Playboy, você se direciona mais para uma MPB mais raiz, também com muitas influências da cultura de sua região, o Nordeste, e misturando com tudo o que a criatividade permitir. Pra você, seguir por esse caminho foi natural?
Foi muito orgânico, mostrava a um amigo, depois a outro e aos poucos fui construindo a sonoridade da música. Por que queria focar na mensagem, se flopasse pelo menos eu tinha espremido tudo o que eu queria falar pro mundo ali. E essa mensagem de espiritualidade foi sempre algo muito raiz no reggae e vejo esse paralelo também hoje em dia na cultura psicodélica/de raves.

Você está atualmente gravando o seu primeiro álbum. Conta pra gente o que os seus fãs e os fãs de cantoras drag queens brasileiras podem esperar de seu disco!
Sim! Agora tô acabando de gravar o “Simulacre” e os ritmos das músicas 100% servem ao que a música venha a falar, não me prendi a um específico. O álbum fala dos desejos mais superficiais aos maiores insights que já tive até hoje e vai do funk ao reggae, mas sempre com um pé na psicodelia. Até junho ele deve tá saindo com o vídeo da música “Oasis”.

Você também é conhecida por apresentar vários covers de Lana Del Rey, sempre cantando ao vivo. Além de Lana, quais outros nomes mais te influenciaram, tanto na criação de sua drag queen como em sua música no geral?
Nossa, tantas pessoas e coisas me influenciam! Musicalmente eu vou de Calypso a Muse tranquilamente numa playlist. O imaginário da minha drag bebe muito da televisão brasileira também, os programas Ra Tim Bum, Xuxa… Tudo que remete a minha infância. Mas claro que tenho meus ícones pop: Lady Gaga, Azealia Banks, Luisa Nascim (da banda Luísa e os alquimistas), Pitty, Bjork… Ao infinito e além.

Você é uma grande amiga de Kaya Conky, hoje uma das maiores apostas da cena musical LGBTQ+. Quando que o mundo vai ver essa parceria de vocês se transformar em música?
Eu e Kaya nos conhecemos pouco antes de começarmos a fazer drag. Quando a gente se juntou pra falar de Glitter – em busca de um sonho, eu vi ali que ela era da minha família de espírito. Te amo, rapariga! E sim, ela vai tá no “Simulacre” numa música chamada “Karamba”! Além dela também vai ter participação de Catherrine Bleublanc, numa faixa spoken word, e uma música com Luisa Nascim!

Qual drag queen cantora você sonha em fazer uma parceria e por quê?
Com todas! Mas especialmente com RuPaul. Ela mudou minha vida ao me apresentar tão profundamente a arte drag e foi um firmamento no início da minha trajetória espiritual – que é sempre um momento muito delicado. Eu tenho certeza que passaria horas conversando com ela, ou até a pilha daquela cyborg acabar… kkk

“Não queremos acabar com a heterossexualidade ou com a família, só não queremos que nossas famílias sejam invisibilidadas.”

Além disso, você também atua, inclusive participando do filme “Verde Limão” com outras drag queens do Rio Grande do Norte. Como foi essa experiência pra você? Veremos Potyguara Bardo mais vezes em filmes no futuro?
Foi a realização de um sonho de infância! Atuar foi minha primeira profissão dos meus sonhos e me ver numa telona não teve preço! O curta agora ta sendo enviado pra festivais. E sim, não pretendo parar de atuar seja em drag ou fora de drag. Inclusive já gravei outro curta, do diretor Hélio Ronyvon, e to citando ele por nome pra ver se apresso esse lançamento 😂 te amo Elho!

Recentemente, vimos uma abertura maior do público na recepção de artistas LGBTQ+, principalmente de drag queen. Nomes como Pabllo Vittar, Gloria Groove, Aretuza Lovi e a própria Kaya ajudaram a abrir esse espaço. Mas ainda falta muito caminho pela frente. Como você enxerga esse novo cenário? O que, para você, ainda falta ser conquistado?
Eu acho a coisa mais linda! Saber que as gay vão crescer vendo exemplos vitoriosos é impagável! O que falta é verem que não queremos acabar com a heterossexualidade ou com a família, só não queremos que nossas famílias sejam invisibilidadas. O que falta é todos os cidadãos nos verem como seres humanos e pararem de nos matar.

A gente está perguntando para todos os entrevistados: para dar uma continuidade nessa corrente positiva de novas drag queens cantoras no Brasil, qual nome ainda não tão conhecido pelo público que você acha que vai se destacar em 2018?
Eu amo Electra Mcklein e vou enaltece-la! Sempre!

Para finalizar, manda um recado para os leitores do POPline!
Nós vivemos um momento onde um estado elitista manda forças armadas contra a população, hoje mais do que nunca devemos nos unir e tentar criar pontes com as outras pessoas que também são pisadas pela máquina. Abraçar nossa irmandade LGBT é o que nos traz vida, dialogar e pavimentar a maneira que somos enxergados pelos nossos irmãos e irmãs não-lgbt é o que vai, a longo prazo, nos tirar da morte.

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É Hoje! Pabllo Vittar e Lexa comandam nosso trio com a Buser na Parada LGBTI+ do RJ!

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Em poucas horas, a Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, será tomada pelas cores da diversidade! É a vigésima-quarta edição da Parada LGBTI+ da cidade maravilhosa. Este ano, nos unimos a Buser e vamos levar duas grandes estrelas pop para o nosso trio: Pabllo Vittar e Lexa! Além delas, os DJs Pedro Myguel e Fernanda Fox comandam o público. A concentração começa a partir das 11h na altura do Posto 5. Acompanhe nossos Stories no Instagram para não perder nada!

Em estrada com a turnê “Não Para Não”, Pabllo não mediu esforços para participar do evento. A drag saiu do palco do show em Curitiba direto para o aeroporto – pegou o primeiro vôo para o Rio. Lexa também está se esforçando para prestigiar o evento: ela enfrenta três conexões para chegar de São Luis, onde fez show ontem, à tempo. As apresentações vão acontecer ao longo do desfile à tarde. Não perca!

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Buser e POPline levam Pabllo Vittar e Lexa para a 24° Parada do Orgulho LGBTQI+ do Rio de Janeiro

Saiba detalhes!

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A 24° Parada do Orgulho LGBTQI+ do Rio de Janeiro acontecerá no próximo 22 de setembro e o POPline está lá de maneira super especial! Em parceria com o Buser, plataforma online de fretamento colaborativo de ônibus, vamos levar Pabllo Vittar e Lexa para shows super especiais, com muitos hits, ousadia e diversidade! A concentração começa a partir das 11h, na altura do Posto 5, na Praia de Copacabana.

A Parada LGBTI+ Rio é organizada pela ONG Grupo Arco-íris de Cidadania LGBT. O evento fará referência aos 50 anos da Revolta de Stonewall e marca os 40 anos do movimento LGBT no Brasil. De acordo com a organização, a expectativa é reunir mais de 1 milhão de pessoas. Além das atrações artísticas, a Parada LGBTI+ Rio 2019 trará ações importantes de prevenção a doenças sexualmente transmissíveis, além de distribuição de materiais informativo sobre cidadania e direitos LGBTI.

O Buser está forte na campanha “A Buser Conecta Você a Sua Tribo”, que levanta a bandeira do respeito e a tolerância nas estradas brasileiras. “Na Buser celebramos a diversidade, o respeito e apoiamos essas causas como parte da nossa cultura. O público LGBTQI+ é um dos primeiros a utilizarem os nossos serviços. Quando iniciamos em 2017, os primeiros ônibus a lotarem eram feitos para realizar viagens em direção às Paradas. Fizemos questão de homenagear esse grupo que sempre esteve tão próximo de nós”, explica Fátima Bana, diretora de marketing do aplicativo.

O POPline tem o público LGBTQI+ como leitores assíduos e sempre dá muito atenção à causa! “Estamos muito animados com essa parceria! A Parada LGBTQI+ do Rio de Janeiro é um grande símbolo de resistência. É muito importante para o POPline usar sua voz e influência para o movimento, principalmente por ter uma audiência tão jovem com a opinião em construção. A Buser está conectando o Brasil de uma forma inovadora e única, assim como o POPline conecta os fãs e os artistas. Domingo será um dia inesquecível!”, afirmou Flávio Saturnino, CEO do site.

Segundo o presidente da ONG, Almir França, o evento serve para comemorar os direitos e avanços conquistados. “Iremos para a avenida mostrando nossa história. Dia 22, estaremos nos afirmando como seres humanos, mesmo diante de um quadro retroativo na área dos direitos humanos. Temos muito o que fazer e não deixaremos de lutar nunca”, finalizou.

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Pride POPline: conheça Caio Dias, o cantor que quer ajudar a quebrar os estereótipos e levantar a bandeira da pluralidade

Em seu mais recente trabalho, “Resistência”, Caio choca os dois mundos que conhecemos e levanta a questão da liberdade em sua total integridade. Conheça mais sobre o artista no nosso papo.

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A série de entrevistas da Pride POPline se encerra neste sábado com o único personagem até agora com uma narrativa um pouco diferente do que vimos até aqui. Se até então entrevistamos artistas que viram na arte drag o caminho para trilhar na música, hoje nosso foco está em Caio Dias. Esse mineiro de 28 anos também tem na cena LGBT um meio de expressar seus sentimentos e uma bandeira a ser erguida com orgulho, mas tem um outro mote.  “Vejo as mulheres pioneiras nesse movimento de libertação do corpo”, diz ao POPline ao assumir para si parte da militância de expressão também do homem homossexual.

Em seu mais recente trabalho, “Resistência”, Caio choca os dois mundos que conhecemos e levanta a questão da liberdade em sua total integridade. Conheça mais sobre o artista no nosso papo abaixo:

Foto: Caio Dias (centro), clipe “Resistência” por Alexandre Borges

Oi Caio, a gente sempre começa as entrevistas da Pride POPline pedindo que o entrevistado se apresente! Conte mais sobre você.
Olá, Popline! Primeiramente, agradeço imensamente esse espaço! Para mim e tantos outros artistas em início de carreira ele é fundamental. Obrigadão mesmo, de coração. Bem, sou Caio Dias. Tenho 28 anos, natural de Belo Horizonte. Pisciano com ascendente em leão (e lua também), o que é ótimo, porque correria o risco de eu só chorar (haha), me equilibra. Comecei a cantar aos 12 anos de idade, na igreja evangélica (minha família é toda adepta a essa crença). Me formei em comunicação social, habilitado em Publicidade e Propaganda e, durante a faculdade, iniciei minha profissionalização artística, há 6 anos. Foi em 2012 que lancei meu primeiro trabalho autoral na internet. Sou musicalmente curioso, intimamente reservado e socialmente extrovertido. Amo estar com meus amigos e o público (leão), mas também sou apaixonado por estar sozinho em casa (peixes). Individualidade é muito importante pra mim, boas amizades também. Adoro astrologia, arrisco jogar tarô, sou terapeuta não remunerado dazamiga (kkk) e música é meu combustível (nem televisão tenho, por exemplo). É isso, basicamente. Ah, e sou solteiro (leia o emoji da carinha de lua aqui haha), há 2 anos.

Você tem influências em vários estilos musicais. Como elas conversam entre si para a sua formação artística?
Verdade! E pensar que tudo começou com os louvores da igreja (hallelu!). Criança não tem escolha, né? Fazem o que os pais mandam. Então entrei para o grupo de jovens, na sequência, na equipe de música e de dança. Essa foi uma forte influência (que me ensinou disciplina vocal e interpretação, presença). E outras duas bem fortes foram: primeira – meu pai tocava percussão em uma banda de pagode, nas pizzarias de BH (o que me fez apaixonar por musicalidade brasileira) e, segunda – eu ouvia muitos barulhos em casa, durante a madrugada. Morria de medo de ficar sozinho, daí ligava a televisão (no programa do Zé do Caixão, vai entender) e, para pegar no sono, deixava um radiozinho de pilha tocar até adormecer. Adorava dormir ouvindo programas de rádio variados. Isso foi provocando em mim um gosto muito eclético que, mais tarde, eu traria para as minhas composições. Essa mistura me despertou a vontade de experimentar muitas possibilidades na música. Tanto que, atualmente, minha definição para estilo pop é a seguinte: pop é o que toca a gente no momento certo, com as palavras certas, no ritmo que mais nos cativa. É o seu radiozinho da madrugada (haha).

Foto: George Lucas/Divulgação

“Não faz muito sentido para mim assumir um papel de formador de opinião e fingir que nada está acontecendo”.

Em uma de suas falas na divulgação do seu trabalho, você diz que “sente falta de artistas masculinos esteticamente provocativos e sensuais com seus próprios corpos”. Por que fala isso?
Me recordo de um comportamento na infância que traduz um pouco minha visão sobre essa fala. Eu dava duas dobras nas minhas bermudas, na cintura, para elas parecerem mais curtas. Eu brincava com as minhas primas e queria andar parecido com elas. Sei lá, me sentia mais à vontade assim. Mas era muito reprimido por minha mãe, porque, segundo ela “homem não usa roupa curta”. Inclusive, em um acesso de raiva, ela deu para a minha prima uma blusa rosa de estampa de frutinhas que eu amava (R.I.P. brusinha). E essa ideia martelava na minha cabeça: por que meninos não podem usar roupas assim também? Fui descobrindo a razão aos poucos, através do bullying, quando era chamado de “bichinha” e “veadinho”. Mas na minha cabeça, deveríamos usar o que quiséssemos.

Me tornei adulto, aprofundei meus estudos sobre comportamento humano e antropologia durante a faculdade, sou muito questionador. E sou muito a favor de um corpo livre, sabe? Desde a idade média vivemos uma repressão contínua ao corpo, à sexualidade, à nudez, que foi agravada com a inquisição. É como se o simples fato de mostrar nossa pele fosse errado. Vejo as mulheres pioneiras nesse movimento de libertação do corpo. Antes objetificadas sexualmente, hoje conseguiram (e conseguem) mostrar à sociedade que as regras sobre si só dizem respeito a elas mesmas, cada vez mais. Claro, ainda há muito o que evoluir, mas importantes passos foram dados. Ser provocativo, sensual, portanto, ao meu ver, é um posicionamento de se empoderar. Fazer suas regras. Dizer que o corpo é seu e dane-se. Sinto associações muito pejorativas ainda, quando falamos sobre a exposição do corpo masculino, seja usando roupas justas ou curtas. “Ele tá parecendo uma mulher”, dizem. E qual o problema? Desde quando é ruim parecer uma mulher? E quem criou as regras do que é “coisa de mulher” e “coisa de homem”? Preciso me estereotipar com tal “código social de gênero” para ganhar direito a tal comportamento, tal vestimenta? Não tenhamos vergonha dos nossos corpos, independente da nossa identidade de gênero. É o que penso.

Até então aqui na Pride POPline a gente conversou com muitas drag queens cantoras que estão buscando seu espaço ao sol. Como você vê o meio em que está inserido em termos de preconceitos com homens assumidamente homossexuais?
Olha, tem uma coisa que já entendi: se você cruzar a linha do “lugar comum social”, você é crucificado, literalmente. Não importa muito sua apresentação, sabe? Seja ela Drag, Queer, Afeminada, Cis, Trans.. Se você desafia os padrões pré-estabelecidos, tão arraigados em dogmas religiosos intolerantes, você cai na “caçamba da intolerância”, apesar de sabermos que nem todo grupo sofre as mesmas coisas. Te olham torto, fazem chacota, fazem piada. Alegam desperdício, te julgam despudorado, te condenam ao inferno. Enfim, fazem o que dão conta, o que aprenderam (como diz uma amiga psicóloga de Goiânia). Por isso a importância de termos cada vez mais representantes das diferenças nas artes. Somos muitos! Somos plurais! Somos, apenas. Todos parte de um mesmo núcleo, que merece ser percebido e acolhido. Somente a união de propósitos e a diversificação crescente de representatividade será capaz de nos reposicionar, nos tornando totalmente comuns aos olhares sociais, porque é o que somos, de fato. Não temos nada em especial, melhor ou pior que os demais, somos iguais.

Fala pra gente sobre o trabalho em “Resistência”.
Bem, estava eu de boa na lagoa com minha solteirice e lá veio um boy surgir na minha vida para me desestruturar psicologicamente (socoooooorro kkk). Passado esse momento de quase loucura que vivi, chamado paixão, refleti sobre todas as vezes que me permiti ser invadido emocionalmente e sofri com isso. Todas as vezes que acreditei em promessas (nas minhas ilusórias e nas dos demais) e arquei com consequências indesejadas. Lembrei de histórias de amigos, dos meus pais (que viviam uma relação bem abusiva) e de tantos outros relatos acumulados até então. Me atentei ao fato do poder do não, de se blindar contra tudo aquilo que perdeu o sentido e que insistimos em alimentar. Confesso que me senti orgulhoso em conseguir sair bem dessa cilada de satanás. E assim nasceu Resistência: um basta às relações abusivas. Composta, procurei o Blak, um produtor daqui de São Paulo que manda muito em rap e black music em geral, porque eu queria uma pegada trap (Blak, te amo, cara). E assim nasceu essa musiquita.

E o clipe? Você convidou amigos e seguidores para formar a equipe, correto?
Foi! Olha, digo uma coisa a vocês. Se existe louco, é porque tem plateia… hahaha. Com a música pronta, fiz um convite no Instagram para os seguidores interessados em participar da filmagem do clipe. Para minha surpresa, houve um grande interesse por parte deles e gravamos algumas semanas depois, às seis da manhã (nossa, eles foram muito parceiros, viu!!) na Praça Pôr do Sol, em São Paulo. Fiquei muito feliz.

A mensagem do clipe é bem clara! Como foi a concepção do roteiro e conceito?
Eu amo escrever. Sempre que componho uma música, geralmente me ocorre a ideia do vídeo. Resistência me remeteu fortemente uma alusão ao bloqueio militar. Discuti a ideia com a Bia Tomielo (minha graaaaaande amiga. Falei que é uma grande amiga?) que me acompanha nos clipes desde o comecinho. Ela gostou, fez umas ponderações, colhemos as sugestões de outras pessoas próximas (coisa que gosto muito de fazer, ouvir essas opiniões de fora) e estruturamos tudo. Ela é de capricórnio, sabe? Então ocorre tudo bem organizado hahaha. Que bom.

E também soubemos que todos estão dentro da comunidade LGBT. Por que foi importante para você esse aspecto da produção?
Sim! Poxa, porque nós temos voz! Porque nós amamos, nós sofremos, nós somos felizes, nós terminamos relações e voltamos. Nós temos emoções. Um posicionamento que busco tratar fortemente com o meu trabalho é a normalidade: sim, ser um LGBTQI é normalíssimo. Me irritava profundamente (e ainda irrita) pessoas alheias, heterossexuais, que nos resumem a um ato sexual! Como se só fizéssemos sexo, mais nada (ódio!). Então, somos personagens sociais como qualquer um. Acho sempre válido reforçar.

“Quem criou as regras do que é “coisa de mulher” e “coisa de homem”? Preciso me estereotipar com tal “código social de gênero” para ganhar direito a tal comportamento, tal vestimenta? Não tenhamos vergonha dos nossos corpos, independente da nossa identidade de gênero.

Caio Dias (centro) e os dançarinos Daniel Anjos e Wellington Santana (da dir. para esq.) na Feira Cultural LGBT/SP. Foto: Alexandre Borges/Divulgação

Cada vez mais vemos os artistas de dentro da comunidade LGBT usando a música para se posicionar politicamente e deixar bem na cara mesmo de todos que há um sofrimento de diminuição, preconceito, de morte… Para você, o quão é importante a arte nesse discurso?
Se há uma frase que gosto é a seguinte: a música alcança onde as palavras não chegam. A arte é indispensável! Porque se nós cantamos, produzimos clipes, eventos, feiras, fóruns, discussões sociais e tudo o que for possível a respeito da nossa comunidade, mostramos nossa presença e existência. Se existimos, merecemos atenção e direitos iguais. Se exaltamos quem somos, a vergonha recua, o medo desaparece e a coragem assume as rédeas. Encorajamos aos demais a seguirem firmes e juntos chegamos muito mais longe nas conquistas dos nossos direitos. Carecemos de modelos. De bons modelos. A arte é capaz de gerar bons espelhos de inspiração.

Você enxerga que tem um papel nessa “militância” ou não encara com tanta seriedade assim?
Enxergo totalmente! Assim como milito! Não faz muito sentido para mim assumir um papel de formador de opinião e fingir que nada está acontecendo. Como citei anteriormente, meu anseio é ser mais uma das diversas vozes plurais que somos. Cada uma com sua abertura e potencial de alcance, mas portando uma mesma mensagem de inclusão e respeito. Carrego essa causa no meu trabalho, posicionamento e discurso, até porque, é o que sou. Sendo o que sou, também sou um grande interessado em melhores condições sociais e cíveis para mim e todos os nossos.

Ano passado você lançou um EP com quatro faixas, o “Funk Tropical”. Este ano, “Resistência” é um novo single de apresentação ou fará parte de um novo projeto?
Sim! Funk Tropical foi um experimento. Tanto que nem divulguei muito ele. Eu estava entendendo o que eu gostaria de propor, de fato. Foi uma experiência maravilhosa. Resistência faz parte do EP que lanço na primeira quinzena de julho, intitulado Caio Dias. É nossa largada. Tem muita coisa bacana nesse projeto novo. Me sinto realizado por ter conseguido criar algo ecleticamente pop, tal como eu me sinto (radiozinho de pilha, obrigado haha). Espero que vocês gostem dessas 5 faixas inéditas que estão chegando.

A gente está perguntando para todos os entrevistados: para dar uma continuidade nessa corrente positiva de novas drag queens cantoras no Brasil, qual nome ainda não tão conhecido pelo público que você acha que vai se destacar em 2018?
Olha, tenho acompanhado bons trabalhos de drags e artistas trans também. A Frimes tem uma proposta muito própria, me impactou positivamente. Adorei. Creio ser um nome para se atentar. E entre artistas trans, acredito que a MC Xuxu tem muita coisa boa para nos mostrar também.

Foi um imenso prazer, POPline! Obrigadão, mais uma vez.

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Pride POPline: Pepita fala sobre mudanças na carreira e revela parceria com Gloria Groove

Conheça os planos da artista para 2018.

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A Pride POPline continua com Pepita! A cantora vem se tornando cada vez mais um nome conhecido não só por quem é familiarizado com os artistas LGBT e está com planos traçados para ir além. Para a nossa coluna, ela falou sobre as mudanças em sua carreira, o EP “Mulher Evoluída” e parcerias que vem por aí.

Oi Priscilla! Ficamos muito felizes com sua resposta positiva em participar da nossa série de entrevista. Seu nome certamente precisava estar entre aqueles que formam essa nova geração que prega a inclusão e defende o meio LGBTQ através da arte. A gente já vem ouvindo sobre você há alguns anos e desde 2015 quando você lançou “Tô a Procura de um Homem” muito mudou. Você enxerga e como você enxerga essas mudanças?
São mudanças boas! Penso que todos nós temos o direito e dever de evoluir para tornarmos seres humanos melhores.

Quais são as maiores influências?
Minha influência de vida se chama Valéria, minha mãe. Profissionalmente me inspiro muito na Valesca.

Como você lida com o título de representante das travestis dentro da cultura pop?
Sempre digo que represento a luta e a militança por nossa bandeira. Não me considero Diva e tenho muito orgulho da representatividade que carrego para muitas pessoas.

A internet tem ajudado a ampliar o acesso à arte e grupos isolados, como a cultura drag que só era acessada por amantes do meio. RuPaul tem uma grande parcela “de culpa” nisso, por exemplo. É dar a cara para bater sempre, mas acreditamos que para artistas LGBTQ as respostas são mais diversas. Como você lida com essas críticas?
Todas as críticas são construtivas, mas sempre existem aquelas pessoas que se garantem por trás das redes sociais. Acho muito fácil falarem da minha perna, da voz ou das perucas das meninas, que estamos com corpo bonito ou feio … Aceito um hétero falar de mim por que ele não vai fazer diferença na minha vida, mas sempre me entristece muito ver uma gay falando de nós. Colocamos a cara na mídia e na sociedade para defender nossa causa e uma gay ainda se acha no direito de falar mal de nós?! Triste, mas ninguém me derruba. Sou grandona e pra me engolir vai ser complicado!

Falando em críticas, a gente sabe que uma das maiores críticas em relação ao funk brasileiro é a letra. A gente conversou com a Kaya Conky e ela fala sobre como a música tem o papel de dialogar com um certo tipo de público e que muitas vezes essa crítica vem de quem não é o público alvo. Você concorda?
Concordo sim, mas acho que temos que focar em que o nosso trabalho atinja o nosso público, as pessoas que estão verdadeiramente conosco e ignorar quem gosta de falar e criticar.

A gente começou a ver o resultado do seu trabalho Dj Gorky, Zebu que é “Parceira”, e com Rick Joe, “Olhar 43”, ambas do EP “Mulher Evoluída”. Conta para gente mais sobre a música.
Estou muito feliz com o projeto “Mulher Evoluída”. É um EP que veio para mostrar que a Pepita não é limitada, e pode sim explorar novos mundos e estilos.

Sobre “Parceira”. A gente tem várias pequenas participações especiais na música, como Pabllo Vittar. Como foi colocar essa turma toda em uma música! Conta para gente os bastidores.
Então… (risos) , eu estava em Uberlândia para um show em comemoração ao aniversário da Pabllo, e todas as meninas estavam hospedadas lá para o evento. Era 1h da manhã quando recebi mensagem no meu celular do Gorky pedindo para eu ir até o quarto dele. Quando cheguei la encontrei 5 homens, delicia né (risos), eram o Gorky e a equipe dele: Pablo Bispo, Arthur Marques, Maffalda e Zebu . Eu e meu produtor Caio, ficamos de 1h até às 6:30h naquele quarto, de onde saíram 2 singles, sendo 1 deles “Parceira”. A cada momento da noite subia uma das meninas, Iza, Gloria, Aretuza, Lia, Lin e Pabllo como estava se arrumando para a festa, colocou a voz depois. Mas foi muito bom ver que em algumas horas saiu uma musica que conseguiu reunir tanta gente querida!

E “Olhar 43” e “Parceira” já passaram de 100 mil de visualizações no Youtube. Você está feliz com o resultado do novo trabalho até agora?
Sim estou muito feliz. Já estamos nos aproximando de quase 400 mil reproduções do EP no meu canal no YouTube, que se tornou meu meio de divulgação principal do projeto. Acho que pelo fato covarde e ocorrido comigo, está ótimo. Recebo vários videos dos fãs cantando em carro, no trabalho, na rua, no leito de hospital… isso me revitaliza!

Como está a situação com o Spotify para colocar as faixas online para o pessoal?
Ainda estou na briga da volta das músicas. Minha produção está correndo atrás disso, mesmo sendo uma questão extremamente burocrática e que não depende só de nós e sim da Discográfica que produziu “Olhar 43”, à qual eu já me desvinculei, e da agregadora OneRPM que subiu o primeiro trabalho. Mas acredito que será resolvido, se não for continuarei com meu trabalho do mesmo jeito. Sou fruto do YouTube e não de plataforma streaming.

E o título desse EP? Que mensagem você está propondo com esse título e o conteúdo das músicas?
Como eu disse, o EP é para mostrar que a Pepita evoluiu e que todos nós também podemos fazer o mesmo na vida. As músicas são não somente para tocar em shows e boates, aqueles funks que gosto, mas sim para atingir famílias, crianças e todos curtirem e conhecerem a Pepita.

A gente já tem data de lançamento desse EP completinho? Vai para todas as plataformas de streaming?
Data certa ainda não tenho. Tem muita coisa boa vindo por aí. Espero MUITO que esteja o EP completo em todas as plataformas né? Amém?! Amém!

Pode adiantar para gente se há alguma parceria a mais?
Sim, com a Gloria minha mana que amo muito, e com o Funtastic, uma GayBand nova formada pelos ex-coreógrafos da Anitta, Valesca e Ludmilla. Eles são muito bons e vocês irão amar!

Quais são os planos daqui pra frente?
A Pepita terá um programa esse ano onde terei vários convidados. Vai ser muito legal! Eu e minha produção estamos nos organizando para presentear três clipes ainda esse ano para os fãs, e claro, continuar o projeto do EP atingindo e surpreendendo meu público positivamente. Saber que o esforço do seu trabalho da frutos é muito bom !

A gente leu seu depoimento no Dia Internacional da Mulher, você participou ano passado de um evento essencialmente feminino organizado pelo Youtube. Muito foi conquistado e há muito ainda a lutar, você concorda?
Super concordo! Falta muito ainda, estamos só no começo. O pouco que conquistamos atualmente não chega aos pés do que podemos conquistar e exigir.

A gente está perguntando para todos os entrevistados: para dar uma continuidade nessa corrente positiva de novas drag queens, travestis, trans cantoras no Brasil, qual nome ainda não tão conhecido pelo público que você acha que vai se destacar em 2018?
Eu acho que tem muito talento escondido por aí. Infelizmente não temos o conhecimento de todos e sabemos que é muito difícil se lançar então nao posso falar de uma. Torço muito por todos!

Qual é seu conselho para outros meninos que, assim como você, viu em drags uma inspiração?
Seja você! Se sente feliz e vê que é o seu caminho corre atrás e lute pelo seu sonho. Acredite que depende de nós e mais ninguém a realização dos nossos sonhos, planos e projetos!

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Pride POPline

Pride POPline: Frimes fala sobre a abertura do mercado para a arte drag e a polêmica de “Fadinha”

Clipe da drag queen maranhense foi excluído do YouTube por conteúdo explícito.

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Sim, o nome dela é Frimes. E com esse nome fica mais do que clara a influência da cantora canadense Grimes em sua carreira, mas essa drag queen do Maranhão está traçando o seu próprio caminho no cenário da música LGBTQ+ no Brasil.

Entusiasta da PC Music, ela acredita ser o “futuro da música Pop” (alô Charli XCX!). Frimes produz tudo de sua música, desde a composição até a masterização, passando, inclusive, pelas batidas. Tudo é pensado e produzido por ela.

O seu estilo visual também bebe de muitas fontes, incluindo da cultura Kawaii, que também aparece no título de seu primeiro EP, o “Kawaii Dildo”. No EP, o destaque fica para a faixa “Fadinha”, música que ganhou um clipe super produzido e que, assim como tantos outros trabalhos de artistas LGBTQ+, sofreu com censura do YouTube, sendo excluído da plataforma. A polêmica não impediu Frimes de iniciar uma segunda versão do clipe de “Fadinha”, com elementos censurados e um vídeo-prólogo de crítica ao YouTube.

E sob a luz dessa polêmica, conversamos com Frimes sobre sua carreira, influências, arte drag e, é claro, possíveis parcerias com outras artistas do gênero.

Oi Frimes! A gente sempre começa a série da Pride POPline apresentando o entrevistado para o público! Então conta mais sobre você e como surgiu a drag queen Frimes.
Hello meu nome é Friiiiiiiiiiiimeeeeesssss!!! Eu nasci na ilha do amor, São Luís do Maranhão! Terra do reggae, do bumba-meu-boi, de praias e um povo muito acolhedor totalmente sedento por cultura. Em meio a tudo isso, em um casulo pouco usual alimentado por cultura pop e arte, era gerado o menino Rafael Paz, que daria vida a Drag Queen Frimes. Sinto que de certa forma passei minha vida inteira me preparando para o que tenho feito agora: comecei a fazer Ginástica Artística muito cedo, uma poczinha doida pra fazer espacates e voar pra trás. Depois entrei pro teatro (e até cheguei a entrar na faculdade na área anos depois, mas não deu muito certo e fui Jubilado haha). A ginástica me ajudou muito com a expressão corporal, eu já não tinha vergonha alguma de estar nos palcos. Com 14 anos comecei a compor minhas primeiras canções – meu pai era músico e isso me influenciou em 200%. Passei a adolescência todinha querendo montar uma banda, mostrava minhas letras e os caras achavam engraçado o jeito Amy Lee que eu cantava (me achava a cantora lírica gótica), mas que amava Britney e RBD (tem que ser eclética né mores?). Sempre fui muito curiosa, em 2012 descobri um software de criação musical e foi então que a música realmente começou a sair do papel. Na mesma época conheci a Grimes, amo a forma como ela cria tudo sozinha e de forma muito DIY, aquilo me mostrou que eu também poderia fazer meu próprio som. Ficava horas olhando tutoriais de criação de beats, gravando minha voz no celular e usando loop com muito rever e delay, criando uma sonoridade bem experimental. Meu primeiro projeto tem total conexão a minha primeira canção oficial como Frimes, o projeto se chama “Pornografairy” (A fada do pornô) hahahaha Oops… I did it Again! Eu produzia Witch House, um gênero bem underground de subculturas, que tem como base o darkwave e essas coisas mais góticas rs. Mas eu sempre tentei deixar com um ar mais de “fadinha”, com sinos e vocais beeeeeem no estilo Grimes e Enya. Esse projeto deu muito certo por um tempo e tive até canções em coletâneas internacionais e coisa do tipo.

Frimes tem um visual e estilo musical bem únicos… Como foi o processo de criação de sua drag e sua música para chegar até aqui?
Os primeiros traços da Frimes nasceram dentro da universidade, quando cursava Teatro, nas disciplinas de caracterização e maquiagem. Eu tinha acabado de terminar um relacionamento abusivo e meio tóxico, que me deixou bem deprê (o que me levou até a abandonar a universidade, NÃO RECOMENDO!) e nos dias de tristeza eu ficava horas vendo séries na Netflix e foi assim que achei a luz do “RuPaul’s Drag Race” que praticamente me salvou da depressão e me fez de fato querer me montar – assim como todas as novas manas da atualidade, né?. Me monto a mais ou menos um ano e meio. E fui só juntando uma coisa na outra: música, dança, teatro… DRAG! Eu consumo muita música, é de fato o que me move! Posso ficar dias sem uma TV, mas não fico sem um rádio. E modéstia parte eu sou bem eclética, vou de Enya pra Marilyn Manson, de Marilyn Manson pra Kyary Pamyu Pamyu em uma mesma playlist. Os extremos sempre me agradaram, gemianoooooos! rs. Eu gosto muito dessa brincadeira de ser duas coisas e acho que esse é o conceito central de todo meu trabalho, tanto sonoro quanto visual.

Eu amo ser uma linda garota e ser um boyzinho também. A Kerli Kõiv diz uma frase que acho que me define muito bem “Eu sinto que todos tem dois lados, luz e escuridão: eu gosto de andar na linha entre os dois”. E pra chegar até aqui foi algo muito orgânico, nunca pensei muito sobre, apenas foi acontecendo… Sagrado e profano, luz e sombras, doce e amargo, passado e presente… Só sai colocando tudo que gosto dentro do liquidificador e deu no que deu. Eu comecei a fazer drag com barba! Justamente para brincar com isso da mistura. Isso reflete muito na minha música também, em “Fadinha” tem muito disso. Passei os últimos meses viciada em PC Music que pra mim é o futuro do POP! A Charli XCX tem deixado isso mais mainstream, e tem uns produtores que eu amo demais como a Sophie, uma mina trans babadeira britânica que tem trabalhado muito com a Charli, assim como o A.G Cook e o Danny L Harle, eles tem uma sonoridade meio plástica, euro dance 90’s, pop chiclete… E eu misturei tudo isso ao nosso tão queridinho FUNK. Viu como sou viciada em misturar coisas? Ave Maria! Hahaha.

Quais as suas maiores influências para a identidade visual de Frimes?
Nossaaaaaaaa, eu sou muito preocupada com o visual – apesar de nem sempre sair como gostaria haha. Mas tem muitos grandes artistas que me influenciam, e de todas as áreas! Me inspiro muito no genial Alexander Mcqueen, óbvio! Acho que todas as drags adorariam usar uma peça dele, né? Tem o Mark Ryden, que é um pintor de obras maravilhosas surrealistas bem pop, bizarras mas com tons pasteis que eu amo de paixão. Tim Burton, que cria aquela atmosfera sombria como ninguém (inclusive usamos uma cena de Bartman: O Retorno como referência pro vídeo clipe de Fadinha!). Kerli Kõiv, uma cantora da Estônia que criou o estilo BubbleGoth, o qual eu amo e tem muito haver com meu trabalho, acho ela genial, sou muito fã mesmo! Creeoy Yeha, uma loja do instagram que produz e faz peças a mão que mesclam o BDSM com cores fofinhas… Também me inspiro em animes como SailorMoon, Sakura CardCaptor,Strippers, seres elementais, cores… Tudo acaba me influenciando de certa forma, basta eu estar aberto e atento ao meu redor, porque sempre tem algo interessante pra construção de uma montação.

E em sua música, quais os artistas que mais influenciam o seu trabalho?
Tenho uma lista infinita de nomes, de verdade! Björk, Grimes, Kerli, Enya, Robyn, Britney Spears, Sandy e Junior, Lily Allen, Alanis Morissette, Purity Ring, ARCA, Pabllo Vittar, MC KAROL, Princess Chelsea, The Birthday Massacre, Charli XCX, SOPHIE, DANNY L HARLE, AQUA, Lasgo, Evanescence, SILVA, JALOO… Tantos! Acredito que quando se produz música você tem que ouvir música, e diferentes tipos e gêneros de música, isso acaba enriquecendo o ouvido, até mesmo pra nos desafiarmos a fazer algo de um jeito novo. Cada um dos artistas que citei tem um jeito muito único de criar sua música! E isso é o que mais me encanta. Esse universo sonoro que possuímos dentro de nós mesmos.

Você é do Maranhão, assim como a Butantan. Quais as dificuldades que você enfrentou em sua arte drag como alguém do Nordeste?
Viver de arte por si só já é muito complicado, principalmente um artista independente LGBTQ+ nordestino. A gente ainda sente muito o impacto! São Luís é linda mas ainda é muito arcaica, mas aos poucos temos adentrado as TVs, as rádios, as peças de teatro, tentando mudar a visão um pouco leiga dos mais velhos. Felizmente nunca me aconteceu de sofrer preconceito por ser drag aqui na minha cidade, infelizmente sei que acontece e esse é um dos maiores medos da minha mãe, por exemplo. Além das questões enfrentadas por todas as irmãs que estão começando: Drag é uma arte cara e pouco valorizada. A única forma de conseguir algum dinheiro é sendo DJ (e o cachê mal dá pro uber de ida e vinda) aqui não temos boates fixas para trabalharmos de hostess, ou performar. Porque de fato não é visto como profissão pelos contratantes, quero muito continuar levando a arte drag como profissão e conseguir me sustentar com isso, mas até o momento eu é que tenho sustentado minha arte.

Você é responsável por toda a produção das suas músicas, desde a composição chegando até a masterização. Pra você, ter o total controle de seu trabalho é algo natural?
Sim! Soa muito orgânico. Eu já desenvolvi meu próprio processo criativo: produzo os beats, crio uma melodia com vocais, depois construo a melodia e harmonia, back vocals, e enfim o processo de mix e master (o que confesso que não sou tão boa ainda, porque meu computador não aguenta o pipoco de todos os canais hahaha) mas eu faço o que posso. Inclusive adoraria começar a produzir para outras pessoas, me explorar mais como produtora – porque nem acho que eu cante bem, rs. O fato é que eu gosto de estar dentro de todo o processo, ver as coisas andarem. E eu tenho ideias muito específicas… Tipo, uma risada de uma garotinha entre os beats, sabe? Eu acabo viajando no meu próprio universo e como sempre fiz mais sozinha é mais fácil. MAS QUERO MUITO PRODUZIR COM OUTRAS PESSOAS, de verdade. Trocar! É legal. Tenho falado muito com o Rico Bueno sobre isso…

E se você pudesse escolher uma outra drag queen, nacional ou internacional, para fazer uma parceria.. Quem seria e por que?
OMG! Definitivamente Jeffree Star (e eu to escrevendo agora toda empolgada, juro!) Ela foi minha primeira referência de drag, ever! Eu a achava fenomenal como cantora, a voz robótica, os temas agressivos… E a maquiagem, yas queen!! Uau, eu adoro. Inclusive saudades das músicas da Jeffree. Na adolescência ouvia muito “Blush”, é minha favorita. Nacional é claro que a neném Vittar! A Pabllo é um ser muito iluminado, e eu tô apaixonado por ela (e falo de contato físico, língua e essas coisas rsrs, brincadeira). Sério, adoro a versatilidade e o carisma. E a voz né meu amor? O que foi a Pabllo cantando SummerTime Sadness?! Deus! Quando vi que ela estaria na mixtape da Charli XCX eu apenas gritei muito, fiz até um remix só com a parte dela. I’m obsessed. Também nacional tem a minha conterrânea Butantan, a gente tem material novo agora de um projeto, pra Junho. E tá muito delícia! <3

A gente vem acompanhando uma abertura maior do grande público para a arte LGBTQ com vários nomes, que você já citou em outras entrevistas como a Pabllo Vittar, mas ainda há muito a fazer para penetrar ainda mais e exigir o respeito que qualquer artista deve receber sobre a sua obra. Como você encara essa mudança no cenário e o que você acha que ainda falta a ser conquistado?
Nós ainda estamos engatinhando, infelizmente. Parece que a sociedade está o tempo toda bêbada, nós damos 4 passos para frente, e se regrede 3. Fico abismada! Mas a gente tem incomodado muito, e mostrado que talento é natural do ser humano e não uma exclusividade hétero normativa vendida nas mídias em massa. Fico muito feliz que agora deixamos de ser seres noturnos, tem manas ocupando o espaço de manhã cedo no programa da Fátima, tem mana nas novelas das 20h, tem manas na programação do rádio, e estrelando campanhas, e metendo a cara… porque as que estão na linha de frente levam os tiros primeiro, mas estão abrindo caminhos para as mais novas como eu. ARTE não tem gênero, não tem raça, não partido político. Arte é arte e pronto.

Fico muito irritada com os pseudo entendedores que se acham os críticos de música da Billboard, por exemplo: não tá feliz com a programação da TV? Desliga, vai ler um livro. Não gosta da música feita por mim e por minhas manas? A internet tem um acervo infinito de coisas que podem ser ouvidas, vá apoiar o seu artista favorito! Fico impressionada com o número de gente que se presta a perder um tempo da vida para comentar algo homofóbico, racista, e preconceito nas redes sociais, para propagar o ódio gratuito on-line. Acredito que falta princípios básicos de humanidade mesmo como empatia. As pessoas se acham as donas da verdade, se acham no direito de fazer pré julgamentos e crucifixarem alguém pelo que é, ou faz. É ridículo, é triste. Mas a gente não vai abaixar a cabeça, e como digo na introdução do meu vídeo “a revolução está apenas começando!”

Como está a cabeça depois da polêmica com o clipe de “Fadinha”? 
Agora eu estou mais tranquila! No instante que recebi a notícia fiquei abalada, não sabia o que fazer. Parecia que um caminhão passou por cima de mim. Eu vi um filme, todo o esforço, todo o sonho, tudo ali deletado em fração de segundos. Estava agradecendo as mensagens e quando vi uma em específico descendo escrito “o que houve? Seu vídeo foi removido!” logo então muitas mensagens iguais foram chegando, eu corri pro vídeo mas ainda abriu pra mim, cheguei a dizer pra uma pessoa “tá normal aqui!”. E quando atualizei a página havia o informe que havia sido removido, corri no privado do Lucas Sá – diretor do clipe e contei o que houve, e foi então que percebi o que de fato tinha acontecido e comecei a chorar. Chorei de medo, de frustração, me senti derrotado de alguma forma, pequeno… Escolhemos uma data muito significativa para o lançamento, 17 de Maio dia de luta contra a LGBTQfobia, e dia seguinte me acontecendo isso. Peguei o celular e no impulso fiz uns stories chorando contando o que havia acontecido. A equipe do clipe ficou chocada tanto quanto eu, porque não víamos nada que pudesse de fato ter causado a remoção do clipe… As hipóteses foram surgindo, mas nada justificava! Chegamos a conclusão de que o vídeo possa ter caído em algum grupo mal intencionado que se organizou e ficaram denunciando, assim como aconteceu com a Lia Clark. Tentamos entrar em contato com o Youtube para que houvesse um revisão dentro das diretrizes deles, mas infelizmente não obtivemos respostas. Tentamos entrar em contato com o maior número de pessoas que poderíamos, artistas, amigos, portais, jornais… E felizmente tivemos apoio da maioria de não de todos: Pabllo Vittar, Mulher Pepita, Aretuza Lovi, Mateus Carrilho, Jaloo, Jade Baralto, Candy Mel, Mc Trans, todos me apoiaram e mandaram mensagem de conforto ou divulgaram em suas redes o ocorrido, o que causou de fato uma maior comoção. Inclusive muito obrigado a todos vocês <3 Me senti muito amada, e parte de algo pela primeira vez na vida. Acredito que tudo acontece por uma razão, e essa foi a melhor coisa que já me aconteceu.

“Acho louco perceber nos comentários que o pessoal fala que tem medo ou tá assustado com o clipe, eu fico bem feliz com esses comentários porque é muito natural essa certa agressividade e esse clima tenebroso que o videoclipe tem, já que basicamente todos os meus filmes tão ali no gênero do suspense e terror! Eu não tava me dando conta de que o clipe estava ficando muito dark ou amedrontador, mas no resultado final e vendo os comentários surgiu essa questão do “medo” e eu fico super feliz mesmo, porque é um público bem distinto e diverso, sendo que desde sempre a ideia do clipe era causar esse impacto visual e de desconforto a quem assiste”, explicou Lucas Sá, Diretor do videoclipe de “Fadinha”.

Acabou que você resolveu regravar o vídeo e inseriu uma mensagem muito clara logo na abertura. Como foi refazer o clipe e como foi a decisão sua e de sua equipe de inserir esse novo pedaço?
Na madrugada do sábado (19.05) Lucas Sá – diretor do clipe, a equipe e eu tivemos a ideia de gravar a introdução. Não sabíamos ao certo o que fazer, mas tínhamos que fazer alguma coisa. Não era certo apenas reeditar o vídeo e deixar por isso mesmo. Somos seres pensantes e toda ação tem uma reação. Transformamos os limões em limonadas! Ficamos até cerca de 3h da manhã arquitetando o que faríamos, e na manhã do domingo uma equipe reduzida foi pra casa do Lucas. Não tínhamos mais nenhum dos equipamentos que foi usado no clipe, pois tudo foi emprestado. Usamos a câmera do Gleno Rodriguês – 1 assistente de direção, um tripé, um pano que tinha em casa para o fundo do cenário e duas luzes adaptadas. Me maquiei e ao mesmo tempo meus amigos Ruan Paz e Jacksciene Guedes escreveram o texto, falando de forma lúdica em um contexto voltado para ficção científica mas utilizando de fatos reais que já nos aconteceu, que é o caso do AI-5 – o decreto institucional na época do regime militar, em 64. Além de anagramas com o nome dos “vilões”, Youtube e Temer. Gravamos tudo em uma tarde, e os meninos ficaram a noite inteira editando, estávamos estressados e cansado. Psicologicamente abalados, mas com sangue nos olhos. Lembro de ter lido um comentário “para de se vitimizar e faz alguma coisa!”… E as gays não faziam ideia do que estávamos fazendo. Criamos em uma tarde, sem estrutura nenhuma e sem recurso, o que seria a melhor parte do vídeo clipe inteiro. A introdução fez toda a diferença, deu um ar mais sério pro que era unicamente estético. E possibilitou que eu me  mostrar-se mais do que apenas um visual diferentinho. Pude mostrar meu lado mais humano, crítico e político, que é o que a arte deve ser afinal.

Ps: o vídeo original só não tem as tarjas ironicamente aplicadas na cena das cordas, e a introdução. De resto a estrutura é a mesma, não mudamos NA-DA!

“Foi uma união e turbilhão de ideias que deram certo! A equipe tava bem em sintonia e conseguimos criar uma das cenas mais legais do clipe em meio a um caos total, lançamos tudo pronto logo no dia seguinte, em menos de 24h gravamos, editamos e finalizamos. Não tiramos nenhuma cena do clipe, pelo contrário, encaixamos mais cenas e só colocamos a barrinha de censurado em uma das cenas como deboche a toda essa situação chata. Assim surge a versão 2.0, do terror completo conseguimos nos reinventar”, completou Lucas Sá.

E a resposta da nova versão surpreendeu! Você recebeu muitas mensagens de apoio. Como você encarou esse feedback do pessoal?
Obrigada <3. Eu fiquei muito surpresa, desde o acontecimento. Não imaginei que conseguiria mobilizar tantas pessoas, e até grandes nomes. Me senti mais confiante e isso me ajudou a reverter a situação, até em meu estado de espírito também. Não estava sozinha! Tinha pessoas que acreditaram em mim antes, e agora tinha mais pessoas dispostas a ajudar. Só soube sentir gratidão, sabe aquela florzinha do site faces? Eu tava só ela! O número de pessoas que começaram a me seguir nas redes sociais triplicou, nunca havia recebido tanta mensagem antes. Isso só me mostrou a força da união da comunidade LGBTQ+, juntas fomos mais fortes! Devemos parar de criar guerras entre nós mesmas, afeminado, boy magia, gay, lésbica, bi, trans, normativa fora do meio… Apesar dos pesares somos todas MINORIA, estamos todos no mesmo barco, e minoria deve apoiar minoria. O quadro pode ser diferente mas a moldura é a mesma, todos sofremos. E sabe, esse discurso foi realmente muito forte nesse momento da minha vida, ele aconteceu pra mim… E ele precisa acontecer sempre para outras manas também, para que elas vejam que não estão sozinhas. Mais uma vez o amor venceu!

O que você acha que mudou em sua vida após o lançamento de “Fadinha”?
POP LINE EU GANHEI FÃ CLUBE MULHER, os #FRIMERS, haha. Pessoas me desenhando com os looks do clipe, isso pra mim é muito importante, muito bonito e sincero. Eu costumava ser o menino que desenhava os artistas, sei o trabalho que dá. Ficava horas no orkut procurando novidades nas comunidades, procurando aquelas músicas vazadas básicas haha. E hoje tem grupos no Whatsapp ali falando sobre o que tenho feito. Nossa, eu fico muito feliz! E não canso de agradecer. Cada react que eu recebo sobre o vídeo clipe, cada resenha, cada demonstração de carinho eu fico me sentindo nas nuvens. Bom, não houve grandes mudanças além da vida on-line, as pessoas sabem agora quem é a Frimes (se não,olá,prazer,eu sou a Frimes! Haha). Ainda sou a mesma pessoa, ainda moro no bairro humilde de São Luís, ainda tenho um computador fodido que pisca a tela e tô respondendo as perguntas por ele, rs. Mas dentro de mim as coisas mudaram, o que pra mim é ainda mais significativo e enriquecedor: a confiança em mim mesmo, no meu trabalho, nos meus amigos, e nessas pessoas que conquistei. Pra mim isso é muito mais valido! Obrigada gente, do fundo do meu coraçãozinho.

Ano passado você lançou um EP com três faixas e agora este ano “Fadinha”. Há planos de um outro EP, mais músicas? Conta pra gente os planos daqui pra frente!
Eu estou produzindo meu novo EP (que ainda estou escolhendo o título) e ‘Fadinha’ faz parte dele. Eu já tenho todo o conceito elaborado e está em processo de finalização, estou muito feliz com o resultado da sonoridade, peguei umas criticas construtivas a respeito de Fadinha e estou aplicando nessas novas, vão ter de 4 a 5 canções novas. Espero realmente que todos gostem! Tô trabalhando duro.  E por agora, dia 21 de Junho, tem música nova do projeto o qual faço parte também, ao lado de Butantan, Only Fuego, Enme, e Alladin. A música se chama “Queer”. E deve estar nas plataformas entre até o final de Junho.

Dá uma apreensão sobre essa questão de censura novamente para os novos lançamentos?
Pra ser bem sincera? Nem um pouquinho! Acho que aprendi a lição. Não tem porque se desesperar. Quando tentam nos calar o grito sai ainda mais forte, e com muitas outras vozes de coro, um coral inteiro de pocs. Não vou me limitar, não irei me podar! Continuarei fazendo minha arte, minha música, com os conceitos e temas que acredito. E se aparecer algo de censura daqui pra frente, será unicamente de forma irônica e sarcástica. Fiz escola com as fadas do deboche, e só tirava 10/10.

Para encerrar, a gente vem perguntando para todos os entrevistados: qual nome ainda não tão conhecido pelo público que você acha que vai se destacar ou que as pessoas precisam ouvir em 2018?
Gostaria de indicar uma drag maravilhosa Svetelana, que também produz o próprio som como LVK, e o mais massa é que é uma mulher cis ♡ maravilinda. Posso indicar também a Nininha Problematica, primeira drag do pagode ds Bahia! Além das minhas irmãs Butantan e Enme! Rappers que mandam vem, escrevem com a alma sobre nossa realidade. Tem a Dominica, que acabou de lançar música nova “Mais Que Danada!” E já é um hit ♡ recomendo muito. Todas essas manas são nordestinas e estão dando o nome, fazendo a cena acontecer mesmo com a make derretendo de tanto calor!!! As manas colocam mesmo a cara no sol.

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