in ,

Nando Reis e o destemor em trazer seu posicionamento político ao palco

Assim como vários artistas, o cantor segue trazendo aos seus shows reflexões acerca do momento atual. Leia o artigo a seguir!

Nando Reis | Foto: Reprodução

Nesse final de semana, Nando Reis se apresentou no festival Prime Rock Brasil, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Durante a música “Relicário”, Nando recebeu no palco a MC Anarandá, representante do povo Guarani-Kaiowá, que durante a música rimou, cantou uma música tradicional indígena e fez um discurso onde falou sobre todo o massacre e as humilhações aos quais os índios estão sendo submetidos desde o início do governo Bolsonaro.

LEIA MAIS: 

Foi ovacionada junto com Nando. E não poderia ser diferente. O vídeo, presente aqui na matéria e completo, sem cortes ou edições maliciosas, mostra isso:

 Ao final da canção, vem o grito entalado na garganta da maioria dos brasileiros: “Fora Bolsonaro!”. A manifestação é espontânea. Nando, como há muito tempo – e quando falo “há muito tempo”, volto aos tempos do Titãs – se posiciona. E o faz com clareza.

A imensa maioria aplaude. Uma minoria barulhenta reclama. E Nando dá o recado: “Eu tô com os povos indígenas. E quem tá vaiando não tá sacando nada!”

De fato, quem tá vaiando deve viver em outro planeta.

Primeiro porque uma simples busca na internet mostra o descalabro no qual o país se transformou. Como a própria MC Anarandá trouxe com muita propriedade na fala dela – até porque ela tem lugar de fala nesse tópico mais do que qualquer pessoa! – os povos indígenas vem sendo massacrados e humilhados dia após dia. Antes era uma maravilha? Não. Mas o fundo do poço nunca foi tão fundo e os números estão aí para provar, bem ao lado dos cadáveres de Bruno e Dom.

Quando falamos sobre o mapa da fome – e aqui, se você não é rico, você está sentindo isso claramente no bolso e na qualidade dos produtos alimentícios que compra para você e a sua família – a piora é gigantesca. E não há aqui desculpa de pandemia e guerra. Já estava assim antes. A quantidade de pessoas nas ruas sem ter o que comer aumentou absurdamente a olho nu. E, mais uma vez, quando se recorre aos números, eles, sempre tão frios e nem um pouco empáticos, não mentem.

LEIA MAIS:

A moradia se tornou um problema ainda mais grave e urgente. Alguém aqui tem a coragem de dizer que a população de rua da cidade onde mora não aumentou de 2018 para cá? Só não vê quem não quer ver.

Em relação as vacinas da Covid-19 é melhor nem lembrar, né? Temos, oficialmente, quase 650 mil brasileiros mortos, isso sem contar os subnotificados. Tranquilamente, passamos de 1 milhão. Ah, hoje ainda temos uma média altíssima de duzentos óbitos por Corona vírus diariamente. As maiores vítimas? Pessoas que decidiram não se vacinar. Advinha quem é o maior incentivador da não vacinação? Pois é. E se você tá aí abraçado com essa gente, no peito de cada cadáver morto pela Covid-19, as suas impressões digitais estão cravadas lado a lado com as dessa gestão federal.

Então, se você se dá ao trabalho de ir a um show do Nando Reis e, depois de ouvir esse discurso e sabendo de tudo isso que eu trouxe aqui – poderia até trazer mais, porém ficaria aqui até a eternidade escrevendo – você ainda tem coragem de vaiá-lo, te falta vergonha na cara. Te falta empatia. Amor ao próximo. Nem humano você é. Você tá aqui a passeio e não possui função alguma. Mesmo talvez gozando de boa saúde, respira por aparelhos. E está no show errado, porque a maior bandeira que o rock n’ roll sempre defendeu é a da liberdade, contra a tirania. Exatamente a bandeira a qual esse desgoverno e seus apoiadores estão abraçados.

O Nando tá mais do que certo. Quem tá vaiando não tá sacando nada!

Escrito por Magda Pinheiro

Vem aí! Halle Bailey estreia canal no YouTube e promete músicas novas

No "PocCast", Deolane Bezerra conta desavença com Flay

No “PocCast”, Deolane Bezerra conta desavença com Flay