Foto: Jakob Owens/Unplash
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Descubra o que é necessário para colocar seu clipe de música nos canais de televisão

O avanço da tecnologia e do acesso à informação transformou a gravação de um clipe em uma coisa muito mais simples do que há 5-10 anos atrás. Basta ter uma câmera, um roteiro criativo, software de edição gratuito, conta no YouTube, e pronto: seu clipe ganha a rede sem muita dificuldade ou grandes investimentos.

Mas, se sua estratégia de divulgação visa impactar e conquistar fãs para além da internet, saber como colocar seu clipe nos canais de tv (abertos e fechados) é primordial. Além, claro, de ter qualidade de audiovisual: a TV é mais existente que a internet.

É sabido que, mesmo com o crescimento e fortalecimento da internet no mundo, a televisão no Brasil ainda é um meio que ainda tem grande peso na execução pública, com impacto direto sobre a audiência nacional.

Segundo o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), em 2019, a TV em suas modalidades aberta e por assinatura, é a fonte pagadora de 43,14% de todo valor que distribuído para seus parceiros, o que mantém este veículo, isoladamente, como o mais importante para os direitos autorais.

Se o objetivo, portanto, for emplacar o clipe num dos canais que dispõem de faixas — ou, às vezes, partes importantes da sua programação — dedicadas a esses produtos audiovisuais, há vários outros passos que têm de ser levados em conta. Confira os passos elencados pela União Brasileira de Compositores (UBC) para ajudar você no passo a passo:

1º Busque sempre a qualidade profissional.

Se a internet permite experimentações a preço quase zero, a TV tem um padrão de qualidade testado e retestado ao longo das décadas de desenvolvimento desse meio. Em outras palavras, não dá para mandar qualquer coisa. Capriche nos detalhes, na ambientação, contrate alguém que entenda minimamente de linguagem cinematográfica.

2ª Prepare-se para tirar as “certidões” do seu produto.

Para que o videoclipe seja exibido na TV ou mesmo em salas de cinema, ele precisa de dois documentos emitidos junto à Ancine, em conformidade com as leis que regem o setor audiovisual. Eles são oCPB e o CRT.

Primeiramente, solicita-se o CPB (Certificado de Produto Brasileiro), que é como uma “certidão de nascimento” do produto audiovisual, no qual constam informações como a equipe de filmagem, o financiamento da obra e a divisão de cotas patrimoniais.

Depois, deve-se requerer o CRT (Certificado de Registro de Título), que permite à obra ser exibida mediante o pagamento da CONDECINE (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional). Ao solicitar o CRT, deve-se discriminar em qual plataforma se pretende exibir a obra (TV paga, TV aberta, Cinema etc.).

A partir daí incidirá um tributo, ou taxa, da Condecine, cujos valores variam em função do meio de exibição. Além disso, se o clipe for exibido em mais de um mercado, por exemplo TV aberta e TV fechada, é necessário um CRT diferente para cada um.

3º Prepare todo o material para enviar aos canais.

Em geral, os canais exibidores pedem informações sobre a produção do videoclipe, sobre o fonograma, sobre a fotografia e a edição e, principalmente, avaliam se o conteúdo é adequado à proposta musical do canal e aos seu público-alvo. Saiba defender seu produto com dados e boa lábia.

Importante: o material deve ter um acabamento profissional e jamais trazer aquelas informações sobre o diretor, o nome da música e a gravadora do lançamento impressos num canto da tela, como fazia a MTV nos anos 1990. Destacamos esse detalhe porque muita gente acha que deve mandar o vídeo com essa cartelinha, o que inviabiliza a exibição.

4º Faça contato e espere pelos pedidos de mais informações.

No Brasil, os dois canais principais que recebem materiais para veiculação são:

Multishow/BIS
– Por uma política da Globosat, o envio do material deve ser através do Fale Conosco do site. Todos os dias, há recebimento de pedidos de exibição por ali, que sempre são analisados. Caso os canais, sediados no Rio, se interessem, eles entram em contato direto para pedir mais dados. Portanto, jamais se esqueça de deixar um e-mail e/ou telefone de contato atualizado.

MTV – Por anos, ela reinou soberana. MTV e videoclipe foram sinônimos até que mudanças no perfil do canal, com o investimento em programas de auditório, reality shows (sobretudo), noticiários e outros conteúdos, abriram espaço para programadores alternativos, que foram eclipsando os clipes. No Brasil, o fim da geradora local, ligada ao grupo Abril, fez com que a emissão passasse a ser feita pela Viacom, diretamente dos Estados Unidos. Ou seja, há pouquíssimo, quase nenhum, espaço para clipes nacionais na programação do canal. Mesmo assim, se quiser tentar enviar seu material, isso se dá através de um link no portal da MTV.

Escrito por Rafa Ventura

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