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Vanguart redescobre sua força no álbum “Estação Liberdade” (entrevista)

Repertório reúne uma maturidade que somente 20 anos de estrada poderiam trazer
Andrei Moyssiadis

Após um hiato e transformações internas, o Vanguart retorna em grande forma com o álbum “Estação Liberdade”. O disco marca uma nova fase na trajetória da banda que se consagrou como um dos nomes mais poéticos do rock alternativo brasileiro. O grupo falou sobre o lançamento e mais ao ROCKline; confira!

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O vocalista Helio Flanders conta que a redescoberta começou quando ele e Reginaldo Lincoln decidiram retornar aos palcos recentemente.

“A gente precisava entender quem éramos como banda depois de tudo, depois da Fernanda, da pandemia, de tantos discos. Voltar ao palco foi a melhor decisão que poderíamos ter tomado.”

“Estação Liberdade”: um reflexo de amor, sobrevivência e recomeço

Gravado em tempo recorde, as primeiras ideias surgiram em fevereiro e, em junho, já havia mais de dez canções prontas. “Estação Liberdade” é, nas palavras de Flanders, “um símbolo do próprio renascimento do Vanguart”.

A faixa-título nasceu como uma canção de amor, mas ganhou novos significados durante os ensaios.

“Percebi que ela também falava sobre o Vanguart. Sobre o amor que sobreviveu ao fim da própria banda”, explica. “É bonito olhar pra uma história de 20 anos e ver que ainda faz sentido fazer música junto.”

O grupo buscou o equilíbrio emocional entre faixas, mas as canções acabaram refletindo o clima mais introspectivo do período de criação.

“A gente parou de pensar se uma música é feliz ou triste. O que importa é o equilíbrio do álbum. Nesse, talvez tenhamos mais canções densas e isso é proposital. É o nosso retrato agora”, explica Reginaldo.

Foto: Andrei Moyssiadis

A pluralidade se manifesta também na sonoridade, que resgata elementos da raiz cuiabana e da influência latino-americana. A faixa “Luna Madre de La Selva”, cantada em espanhol, é inspirada no escritor uruguaio Horacio Quiroga e nas lendas da tríplice fronteira entre Brasil, Uruguai e Argentina.

“Essa canção traz um realismo fantástico, um lugar mágico que a gente habita às vezes. É um reencontro com algo que sempre esteve conosco”, diz Flanders.

Independência como filosofia

Desde o início, o Vanguart trilhou um caminho à margem das tendências. Nunca se moldaram a modismos, tampouco à lógica do mercado fonográfico. Isso permitiu à banda manter autenticidade e liberdade criativa, valores que se refletem também na forma de lançar “Estação Liberdade”.

“A gente nunca foi uma banda de explodir. E isso é bom. Nunca precisamos nos encaixar em nada. Nesse álbum, decidimos não seguir o modelo das gravadoras de soltar três singles antes do disco. Preferimos lançar do nosso jeito, mais direto, mais verdadeiro”, comemora Reginaldo Lincoln.

Essa escolha, segundo eles, se conecta com o próprio público, que acompanha o Vanguart desde os tempos de shows intimistas e intensos.

“A gente vem do acaso, da sorte, do trabalho e do amor. E é isso que continua movendo a banda. Estação Liberdade é o reflexo mais puro do que o Vanguart é hoje”, conclui Flanders.

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