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Sam Smith: sombras & arco-íris

(Fotos: Getty Images. Uso autorizado POPline)

Sam Smith não teve o 2017 que esperava. Ao contrário do “In The Lonely Hour”, seu primeiro disco de estúdio que foi lançado em 2014 e que lhe concedeu prêmios do Grammy e do Oscar, o “The Thrill Of It All” deixou a desejar no seu alcance. Em março de 2018, Sam começou a viajar com a turnê do disco novo, agendando quase noventa shows entre Europa, América do Norte, Ásia e Oceania. Rendeu. No último sábado (14), a turnê chegou à Miami, aonde pude assistir ao cantor num show completamente lotado.

De cara, a estética da “The Thrill Of It All Tour” é simples. O palco é estreito, a banda é composta por quatro instrumentistas e a única decoração por trás de Sam Smith é um triângulo gigante que se abre e fecha apenas duas vezes. E mesmo depois que o show começa e que os jatos de luz criam novos visuais, Sam segue fazendo um show íntimo, como se estivéssemos numa sala de estar com ele e uma banda. Por diversas vezes, a estética da turnê conta apenas com o seu esquema de iluminação, que projeta grandes sombras do cantor no palco. Aliás, muitas vezes Sam é iluminado por um holofote que vem de trás dele, o que cria um efeito como se o seu rosto estivesse apagado.

Sam Smith deixa claro, desde o início do show, que tem ciência de que as suas músicas são “f*cking depressive” (“depressivas para c*ralho”). Ele diz que trabalhou muito para que o show não colocasse todo mundo para baixo, para que fosse uma fonte de energia e felicidade. Sam diz que sabe que todo mundo está passando por alguma tristeza ou dor no coração, inclusive ele, e a declaração soa como verdade num momento em que o cantor terminou um namoro. E, de forma impressionante, ele entrega exatamente o que promete. Aliás, está aí a palavra que define Sam e o seu show: impressionante. Parece-me impossível assistir à “The Thrill Of It All Tour” sem que ela te cause uma forte impressão.

NASHVILLE, TN – JULY 07: Artist Sam Smith performs at Bridgestone Arena on July 7, 2018 in Nashville, Tennessee. (Photo by Jason Kempin/Getty Images)

No geral, Sam Smith tem o carisma ousado de Adele e o porte de showman de Michael Bublé. Porém, ao contrário de outros cantores de soul da sua geração, Sam não tem medo de explorar a sua ingenuidade e juventude. Por exemplo, depois de uma apresentação extremamente dramática para “Writing’s On The Wall” no show, Sam riu e disse: “isso foi dramático para c*ralho, né?” Música após música, a “The Thrill Of It All Tour” é um equilíbrio perfeito entre o solene e o gracejo.

Mas o grande momento do show é durante “HIM”, uma música na qual Sam Smith lida com a sua orientação sexual e religiosidade. Em “HIM”, não há desculpas ou brincadeiras, apenas um Sam completamente entregue à sua verdade. Durante a ponte da música, o cantor vai até a ponta do palco e diz que tem “uma mensagem para quem quiser ouvir”. Depois, ele se proclama um homem gay para a plateia, e diz que “love is love” (“amor é amor”). Quando a música chega ao fim, jatos de luz criam uma espécie de arco-íris que paira sobre Sam, e ele caminha debaixo da luz, como se estivesse indo em busca do fim do arco-íris.

No bis, Sam Smith cantou os seus dois maiores sucessos: “Stay With Me”, do “In The Lonely Hour, e “Pray”, que veio do último disco. Não há dúvidas de que o seu show entrega tudo o que prometeu, e mais. Não há dúvidas de que o cantor é uma das maiores vozes da música pop da atualidade. E não há dúvidas de que, apesar dos baixos números de “The Thrill Of It All”, a carreira de Sam Smith passa muito bem.

Escrito por Bernardo Sim

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