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Resenha: você quer qualidade? Alicia Keys entrega show de mais alto nível do Rock in Rio

Que Alicia Keys canta muito não é novidade. O show que ela fez no Rock in Rio, no domingo (17/9), antecedendo o headliner Justin Timberlake, elevou e muito o nível do festival. A cantora proporcionou uma noite da melhor qualidade – seja em suas letras e melodias, seja em seu canto, seja em sua habilidade ao piano, seja nas backing vocals, seja em cada músico de sua banda impecável, seja em todas as mensagens políticas escolhidas para aquele grande público. Alicia usou a plataforma do Palco Mundo para tratar de causas importantes – como feminismo, o desmatamento da Amazônia e a causa indígena.

Não é sua primeira vez no Rock in Rio. Mas parece que, nesta nova fase, “Here” de cara limpa, Alicia Keys está ainda melhor. Com seu macacão preto brilhoso, seu cabelo com rastafári colorido e seu onipresente sorriso no rosto, ela conquistou o público – que mesmo que não soubesse cantar muitas de suas músicas demonstrou estar em sintonia, levantando as mãos quando ela pedia, aplaudindo muito, gritando, dançando e, no fim, levantando as luzes dos celulares. Saía-se do show com a impressão de que não havia barreira idiomática: Alicia, de fato, falou muito português – já começou com “E aí, Rio?” – mas não é disso que se fala. Ela se comunicou de outras maneiras. É um tamborim que entra no palco, uma percussão característica, um número surpresa do Dream Team do Passinho. Ela conseguiu apresentar seu repertório, misturando-o com a cultura local – algo que se tenta diariamente no Palco Sunset, quase sempre sem sucesso. Alicia foi de Prince a Pretinho da Serrinha, com veracidade e encantamento.


(Foto: André Bittencourt/Multishow)

– O Rio tem uma energia! Uma energia incrível aqui! Eu posso sentir. É mágico! Você não sente isso em nenhum outro lugar. – declarou a americana, que tem seis álbuns lançados e 15 Grammys em sua conta. Poder ver uma artista desse calibre ao vivo no Brasil é uma honra. Obviamente, Alicia faz pensar também que seu show seria mais adequado para uma casa de espetáculos, com o público sentado, mas também é muito importante que mais de 80 mil pessoas tenham acesso a sua música – sem contar os telespectadores. Ela não pode ser elitista: o povo merece ouvi-la. Melhor: ela não quer de maneira alguma ser uma artista de elite, se esforça o tempo inteiro em rumo oposto – vide a entrada do Dream Team do Passinho (aliás, galera, vocês arrasaram!).

Obviamente, a parte final do show foi a que mais empolgou, porque ela guardou os sucessos para o encerramento. Teve, na sequência, “Girl On Fire”, “No One” e “Empire State Of Mind”. Essas foram cantadas em coro na Cidade do Rock. Mas emocionante mesmo foi a entrada de uma representante dos povos indígenas no palco para protestar contra a liberação da reserva na Amazônia para mineração. O festival está pregando o “S.O.S. Amazônia” (lembra da participação da Gisele Bündchen?), mas foi necessário uma artista internacional para levar isso a sério e tratar do tema, com toda a visibilidade, atenção e sensibilidade que ele merece. A mensagem foi clara: “existe uma guerra contra a Amazônia. Os povos indígenas estão sendo atacados”. A música “Kill Your Mama” nunca fez tanto sentido.

Alicia Keys, meus parabéns, você deu o melhor show até agora.

SETLIST
28 Thousand Days
You Don’t Know My Name
Try Sleepin’ With A Broken Heart
Unbreakable
Pawn It All
Superwoman
How Come You Don’t Call Me
Kill Your Mama
If I Ain’t Got You
Fallin’
Blended
In Common
Girl on Fire
No One
Empire State of Mind

Escrito por Leonardo Torres

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