A corrida por ingresso do show do seu ídolo pode ir de sonho a pesadelo em questão de segundos. Muitos fãs enfrentam filas e problemas na compra em diferentes ticketerias do mundo e terminam pagando o dobro, o triplo ou mais para ver seus cantores favoritos de perto.
No Reino Unido, o governo está prestes a revelar novas regras referentes à venda de ingresso de shows e mudar o panorama de eventos ao vivo no país. De acordo com a nova proposta, a revenda de ingresso com valor acima do cobrado originalmente será ilegal.
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(Foto: Twitter @taylorswift13)
A secretária de Cultura do Reino Unido, Lisa Nandy, disse à BBC News: “Estamos garantindo que o tempo dos cambistas acabou e que os fãs possam voltar ao coração da indústria musical, onde eles pertencem.” A fala de Nandy chega após artistas britânicos, como Dua Lipa e Coldplay, solicitarem ao governo medidas contra cambistas no país.
As novas regras deverão ser anunciadas pelo primeiro ministro Keir Starmer na próxima quarta-feira (26). Veja as mudanças:
- A revenda de ingressos acima do valor nominal será ilegal. Os ingressos só poderão ser vendidos pelo seu valor nominal, acrescido de taxas inevitáveis, incluindo taxas de serviço.
- As taxas de serviço adicionadas pelas plataformas de revenda serão limitadas, para evitar que o novo limite de preço seja prejudicado.
- As plataformas de revenda terão a obrigação legal de monitorar e garantir o cumprimento do novo limite de preço.
- Será proibida a revenda de ingressos em quantidade superior à que o comprador tinha direito na venda inicial.
- Por exemplo, se os consumidores estivessem limitados a comprar quatro bilhetes cada, apenas quatro poderiam ser revendidos.
Até o momento, o governo não deixou claro quando as novas regras devem entrar em vigor no país, uma vez que elas ainda devem passar pela aprovação da Câmara dos Comuns, a câmara baixa do Parlamento do Reino Unido composta por 650 membros.
Acesso mais justo para o público
A revenda ilegal de ingressos se tornou mais sofisticada nos últimos anos, com cambistas usando bots para adquirir grandes lotes de entradas de eventos concorridos, como a “The Eras Tour” de Taylor Swift ou a turnê de reencontro do Oasis anunciada em 2024, e revendê-las por valores abusivos em plataformas secundárias. A prática frustra fãs e afeta negativamente o setor de shows e festivais.
Para combater isso, novas regras no Reino Unido querem garantir acesso mais justo ao público, alcançando qualquer canal de revenda, de sites especializados às redes sociais. Assim, até usuários que anunciam ingressos no X ou no Facebook Marketplace precisarão seguir as normas.

Cartaz Oasis live’25
Um porta-voz da Viagogo, uma das maiores plataformas de revenda, afirmou em entrevista à BBC News que limitar preços não funciona e, em outros países, acabou aumentando fraudes. Segundo a empresa, lugares como Irlanda e Austrália registram índices quase quatro vezes maiores que os do Reino Unido porque os tetos de preços empurram consumidores para sites sem controle.
A Viagogo argumenta que a melhor solução é a chamada “distribuição aberta”, que integraria plataformas oficiais, como a Ticketmaster, a sites de revenda para validar ingressos e compartilhar dados. Isso, diz a empresa, ajudaria a identificar bots, coibir atividades ilegais e diminuir fraudes, além de estimular a concorrência e, consequentemente, reduzir custos para os fãs.