Conhecido nacionalmente como guitarrista de Pitty há duas décadas, além de seu trabalho nas bandas Cascadura e no duo Agridoce, Martin Mendonça apresenta “Mundo de Nós Dois”. Seu novo álbum solo disco nasce do tempo, da introspecção e da força do coletivo. Iniciado em 2019, o projeto atravessou mudanças pessoais e criativas profundas, por isso saiu somente em 2025. Ao ROCKline, o artista falou sobre os bastidores e detalhou o significado do novo projeto.
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Um disco atravessado pelo coletivo, mesmo quando não parece
Apesar de faixas como “Juntos” e a própria “Mundo de Nós Dois” abordarem diretamente a ideia de parceria e convivência, Martin explica que o espírito coletivo vai além das letras.
“A coisa do coletivo, eu não sei se ela se manifesta muito de uma forma literal na obra. Mas a real é que tá impregnado no disco inteiro porque foi isso que fez o disco acontecer”, afirma.
O músico conta que o álbum só foi concluído graças à ajuda de amigos e parceiros, em um momento em que se sentia sem saída.
“Eu tava no mato sem cachorro com esse disco, desesperadamente precisando concluí-lo, mas sem as condições necessárias. Eu fui resgatado por alguns bons amigos que me ajudaram a finalizar essa etapa.”
As mudanças provocadas pelo tempo
Iniciado em 2019, o projeto atravessou um período de profundas transformações, tanto no mundo quanto na vida do artista. A pandemia aparece como um marco importante nesse processo.
“Mudou tanta coisa em mim como pessoa e como músico que eu fico até meio assim de tentar responder. A própria quarentena impactou a todos nós. Meu meio de vida, meu mercado, foi virado de cabeça pra baixo.”
Segundo Martin, o momento também acelerou um processo interno que já vinha acontecendo há anos.
“O mais importante nessa história toda é um caminho de autoconhecimento e de aceitação que eu venho trilhando há bastante tempo.”
Um disco mais honesto na composição e na voz
Esse movimento de olhar para dentro se reflete diretamente na forma como Martin se coloca no álbum, tanto nas letras quanto na interpretação. O resultado é um trabalho autoral que não tenta esconder fragilidades, mas as transforma em matéria-prima artística.
“Ter avançado nessa busca me permitiu me curtir mais, me permitir mais, me mostrar nas composições e no modo de cantar também.”
Foto: JUANA DINIZ
Um álbum que acompanha a vida
“Mundo de Nós Dois”, que saiu via Deck Disc, também se estrutura como uma jornada emocional. À medida que avança, o disco ganha densidade e complexidade, sem perder o equilíbrio.
“Quando ele vai indo mais pro final, o disco adquire um certo peso, fica mais denso, mais complicado. Mas eu acho que não é o que predomina. É como a vida.”
Questionado sobre qual faixa melhor representa o espírito do álbum, Martin não hesita.
“Se eu tivesse que escolher uma música que resume o espírito do disco Mundo de Nós Dois, é a própria música Mundo de Nós Dois.”
Mais do que um trabalho solo, “Mundo de Nós Dois” se apresenta como um disco sobre permanência, reconstrução e afetos possíveis em meio ao caos. Um retrato honesto de quem atravessou rupturas e escolheu continuar junto.
