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Margareth Menezes fala sobre “máquina do privilégio” na indústria musical e sai em defesa de Ivete Sangalo

O que de fato seria a “máquina do privilégio” que opera em prol de artistas brancos? Margareth Menezes falou sobre o assunto em uma nova entrevista, é o que diz a coluna de Ancelmo Góis nesta sexta-feira (24). A cantora baiana, que ficou em evidência há cerca de duas semanas por conta de um viral nas redes sociais protagonizado por Taís Araújo e Ivete Sangalo, deu seu parecer, fez críticas à indústria e saiu em defesa da colega de profissão.

Margereth Menezes no podcast Papo de Música fala sobre "máquina do privilégio"
Foto: Divulgação

Você deve lembrar deste vídeo, recorte de uma entrevista em formato live que Taís Araújo fez com Ivete, afinal ele foi republicado diversas vezes em todos os cantos da web. No trecho, que tinha menos de um minuto de duração, a atriz pergunta à cantora “Por que Margareth não é tão gigante quanto você?”. Na ocasião, Ivete respondeu que também não compreendia e que se fazia o mesmo questionamento.

Dias após o episódio, Margareth Menezes finalmente falou sobre o assunto. Em uma entrevista para o canal Papo de Música, da jornalista Fabiane Pereira, Maga foi enfática ao denunciar a indústria musical, o sistema e fez questão de sair em defesa de Ivete Sangalo:

“Existe um sistema. Isso não está no domínio da Ivete Sangalo em si, que é talentosíssima. O que se questiona é o próprio sistema que nos invisibiliza. É a máquina do privilégio. Por que um artista branco cantando faz sucesso e a mesma música cantada pelo bloco afro não faz?,” questionou.

Em publicação no Instagram, a cantora também falou sobre o assunto:

 

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Quando uma pergunta tem fundamento ecoa e a resposta também. Tenho por Ivete Sangalo (@iveteSangalo) profundo respeito, adoro ela e isso não vem de agora. Desde o começo antes dela entrar para a banda Eva, quando ela fez uma apresentação na área verde do Othon. Ivetinha cantava na noite acompanhada por Saul Barbosa e outros violonistas, ela sempre me tratou como maior carinho e alegria brincando com minha timidez. Ela é uma baiana da gema com uma expressão autêntica que conquistou com o seu talento e carisma o coração da gente. A pergunta que a querida Taís Araújo (@taisdeverdade) fez a Ivete, ressoou e continuará ressoando, porque não é uma questão de negar as conquistas das pessoas, mas traz para a discussão uma prática perversa da indústria musical da e cultural da Bahia e do Brasil. Por que na terra que tem tantos artistas negros de talento e qualidades inegáveis os espaços de projeção não nos contempla? Por que em todas as raras vezes que estamos contemplados não acham que devem nos pagar dentro de um valor equivalente ao nosso legado?. É claro que é um assunto complexo e delicado, não estamos questionando as conquistas alheias e sim, a forma como a indústria trata os artistas negros nos cenários da música popular. Em todos os estilos da MPB existe esse recorte racial perverso e o que estamos buscando é o equilíbrio justo e necessário. Se a arte afro brasileira fortemente é usada para rotular a identidade da cultura nacional, desde a culinária até as expressões artísticas, precisamos também colher os frutos e os benefícios. O que já foi, já foi. Agora está nas nossas mãos lutar e agir para remodelar esse formato identificando, mostrando e questionando de forma clara e objetiva essas práticas espúrias que só nos traz sofrimentos e injustiça. A minha geração de artistas negros da Bahia, construiu um legado sem precedentes para o mercado da indústria musical brasileira, isso é um fato. Em especial com o advento do samba reggae trazidos pelas e suas diversas claves rítmicas, melódicas e refrões eternizados na memória popular e renovando a música pop brasileira.

Uma publicação compartilhada por Margareth Menezes (@margarethmenezes) em

O episódio completo do Papo de Música com a entrevista de Margareth Menezes sairá no YouTube na próxima terça-feira, dia 28 de julho.

Legado de Maga

Fato é que com ou sem privilégio na indústria, Margereth Menezes já escreveu seu nome na história da música brasileira, como uma das baluartes da música baiana. A artista de 57 anos, que começou a carreira nos anos 1980, soma mais de 15 álbuns lançados entre trabalhos de estúdio e registros ao vivo e segue até hoje respeitada mundo afora, uma vez que já foi apelidada pelo jornal americano Los Angeles Times como “a Aretha Franklin brasileira”.

Margareth, que sempre usou sua origem afro-brasileira e crença no candomblé como fonte de sua arte, é dona de grandes sucessos que embalam o carnaval soteropolitano. Desde “Alegria da Cidade” de 1988 e “Elegibô”, lançada em 1990, até “Dandalunda”, “Toté de Maianga” “Saudação a Caboclo (Selei Meu Cavalo Selei)”. Ela também imortalizou outros hits baianos, como por exemplo o clássico “Faraó Divindade do Egito”, originalmente lançada pelo grupo Olodum.

Indicada ao Grammy Awards duas vezes, primeira em 1993 com o disco “Kindala” na categoria Melhor Álbum de World Music, e segunda em 2007 com o disco “Brasileira Ao Vivo: Uma Homenagem Ao Samba-Reggae” nas categorias Melhor Álbum de World Music e Melhor Álbum de Música Regional Brasileira, Margareth Menezes é potência e poder. Ela também foi indicada ao Grammy Latino em 2006, além de colecionar prêmios aqui no Brasil, como dois troféus Caymmi e troféus Dodô e Osmar (prestigiado prêmio do carnaval de Salvador).

Escrito por Mari Pacheco

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