in

Lady Gaga assina artigo para jornal: “800 mil pessoas se matam todos os anos. O que podemos fazer?”

Lady Gaga quer usar sua visibilidade para chamar a atenção para a carência de tratamento para saúde mental em muitos lugares. A popstar, que está em ótimo momento na carreira, com o filme “Nasce uma Estrela”, escreveu um artigo sobre o assunto junto com Tedros Adhanom (diretor-geral da Organização Mundial da Saúde), destacando o número de suicídios em todo o mundo. Confira o texto na íntegra traduzido:

“800 mil pessoas se matam todos os anos. O que podemos fazer?

Em muitos lugares, serviços de apoio para saúde mental não existem e aqueles com condições tratáveis são criminalizados. Já passou da hora para uma solução corajosa.

Quando você terminar de ler esse texto, pelo menos seis pessoas no mundo terão tirado suas vidas.

Essas seis são uma pequena fração das 800 mil que se matarão neste ano – é mais do que a população inteira de Washington DC, Oslo ou Cape Town. Às vezes elas são pessoas famosas como Anthony Bourdain ou Kate Spade e viram notícias, mas são todos filhos e filhas, amigos e colegas, membros valiosos de nossas famílias e comunidades.

Suicídio é o sintoma mais visível e extremo de uma emergência maior de saúde mental, que até agora não conseguimos abordar adequadamente. O estigma, o medo e a falta de compreensão agravam o sofrimento das pessoas afetadas e impedem a ação corajosa que é desesperadamente necessária e que já era para ter surgido.

Um em quatro de nós tem que lidar com alguma condição de saúde mental em algum ponto da vida, e se não formos nós os afetados, alguém com quem nos importamos provavelmente será. Nossa juventude está particularmente vulnerável, com o suicídio sendo a segunda maior causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos, com metade de todas as nossas doenças mentais começando a partir de 14 anos.

Apesar da universalidade do problema, lutamos para falar sobre o assunto abertamente ou para oferecer cuidados adequados ou recursos. Dentro de famílias e comunidades, normalmente permanecemos quietos por uma vergonha que nos diz que aqueles com problemas mentais são, de alguma forma, menos dignos ou culpados pela própria condição.

Ao invés de cuidarmos daqueles que enfrentam problemas de saúde mental com a compaixão que ofereceríamos aos que apresentam alguma lesão física ou doença, nós os deixamos de lado, culpamos e condenamos. Em muitos lugares, os serviços de apoio não existem e aqueles com condições de tratamento são criminalizados – literalmente acorrentados em condições desumanas, excluídos do resto da sociedade sem esperanças.

A saúde mental atualmente recebe menos de 1% de ajuda global. O financiamento doméstico para prevenção, a divulgação e tratamento são semelhantemente baixos. Hoje, todas as nações do mundo são países “em desenvolvimento” quando se trata de saúde mental.

Esse investimento insignificante não é apenas ruim individualmente, é destrutivo para as comunidades e mina as economias. As condições de saúde mental custam ao mundo US$ 2,5 trilhões por ano, um número que em 2030 deve chegar a US$ 6 trilhões, a menos que tomemos providências.

Não podemos mais nos permitir sermos silenciados pelo estigma ou frustrados por ideias mal orientadas que retratam essas condições como uma questão de fraqueza ou falha moral. Pesquisas mostram que há quatro vezes o retorno de investimentos para cada dólar gasto em tratamento de depressão e ansiedade, os problemas de saúde mentais mais comuns, fazendo com que o gasto seja um grande investimento tanto para líderes políticos quanto para empresários, além da geração de economia no setor de saúde.

Chegou a hora para todos nós, coletivamente, atacarmos as causas e os sintomas da doença mental, e prover cuidados aos que sofrem com isso. Você não precisa ser um artista internacional ou o presidente da Organização Mundial de Saúde (OMS) para gerar impacto.

Todos nós podemos ajudar a construir comunidades que entendam, respeitem e priorizem doenças mentais. Todos nós podemos aprender como oferecer apoio para os entes queridos passando por momentos de dificuldades. E todos podemos ser parte de um novo movimento – incluindo as próprias pessoas que já sofreram de algum problema mental – para cobrar de governos e indústrias que coloquem saúde mental no topo de suas prioridades.

No Zimbábue, avós estão liderando a oferta de sessões de aconselhamento baseadas em evidências em bancos de rua, que está ajudando a derrubar o estigma. No Reino Unido e na Austrália, o sistema de educação por pares encoraja os jovens a apoiarem uns aos outros. E a tecnologia móvel também tem oferecido novas e empolgantes plataformas de fornecimento de serviços e criando aberturas para um diálogo saudável sobre o assunto.

Desde 2013, a OMS tem trabalhado com os países para implementar um plano de ação global para saúde mental. No início desse ano, a OMS publicou o Atlas Mundial de Saúde Mental, que fornece informações sobre o progresso de 177 países para atingir todos os propósitos do plano. A principal conclusão é que, mesmo tendo havido progresso, precisamos de investimentos significativos para expandir os serviços.

Ter uma liderança governamental significativa e sustentada é essencial, e alguns governos estão começando a intensificação, desde o Sri Lanka, onde o governo estabeleceu um quadro de saúde mental dedicado e instaurou posições financiadas para apoiar cuidados de saúde mental baseados na comunidade, até Nova Iorque, onde o ThriveNYC reuniu líderes locais para construir um plano abrangente de saúde mental.

Esta semana, no dia da Cúpula do Reino Unido sobre Saúde Mental e Dia Mundial da Saúde Mental, um painel com especialistas internacionais irá publicar no The Lancet a mais abrangente coleção de pesquisas já publicadas sobre como promover e proteger a saúde mental e tratar doenças mentais. Isso fornecerá a base científica para ampliar a ação global em saúde mental, semelhante ao movimento pelo HIV / Aids, adotado pela ONU em 2001. Esse movimento ajudou a salvar milhões de vidas e serve como uma representação do potencial da ação humana coletiva para lidar com problemas aparentemente insuperáveis.

Nós dois temos caminhos diferentes na vida. Mas nós dois temos visto como a liderança política, financiamento, inovação e ações individuais de coragem e compaixão podem mudar o mundo. É hora de fazer o mesmo pela saúde mental.

De Lady Gaga e Tedros Adhanom.”

Escrito por Leonardo Torres

French Montana estreia clipe com Drake: “No Stylist”

Warner Music Group lança fundo de investimento com objetivo de apoiar a indústria musical