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Kesha relembra de distúrbio alimentar: “o quanto pior eu estive, melhor as pessoas estavam dizendo que eu estava”

Kesha é capa da edição de outubro da revista Rolling Stone. Para a sessão de fotos, a cantora usou um terno brilhante com botas de cowboy. “Mas quem é mesmo essa pessoa?”, questiona a revista na matéria. Como diria Taylor Swift, “a antiga Kesha não pode atendar agora, porque ela está morta”.

Aos 30 anos, ela vive uma nova fase e ainda se recupera de um transtorno alimentar que quase a matou. Outra questão é a batalha judicial ainda não resolvida com Dr. Luke. Apesar disso tudo, Kesha Rose Sebert mostrou, finalmente, sua verdadeira identidade.

“Pela primeira vez eu fiz um disco pelo qual estou extremamente orgulhosa, do fundo do meu coração”, disse ela sobre o álbum “Rainbow”. “As pessoas ainda gostam! É muito bonito e é muito curativo. Sinto que estou sendo vista pelo que realmente sou, e as pessoas estão bem com isso”, comenta.

Rainbow estreou em primeiro lugar em agosto – não é nada mal para um álbum que Kesha nem sabia que ia sair mesmo. “Eu passei por muita coisa”, ela diz, “e muito disso não podemos falar”. Para a revista, ela decidiu não comentar sobre sua batalha com seu ex-produtor, Dr. Luke.

Seus dois primeiros álbuns, especialmente o de estreia, são repletos de vocais manipulados digitalmente, uma escolha estilística que foi muito fácil de confundir com uma muleta, de acordo com a Rolling Stone. Em uma letra para uma música do “Rainbow” chamada “Emotional”, lançada como faixa bônus japonesa, ela sugere o quão profunda é essa questão: “Quando eles dizem que não posso cantar / eu só quero morrer”, canta. Mas não é apenas o auto-tune que acabou. É a ideia de “perfeito”, o pesadelo inteiramente brilhoso, editado, faminto e impossível. O “perfeito” a deixou doente, literalmente. “Não sei como lidar com essa palavra”, diz ela. “‘Perfeito’ é uma palavra complicada. Porque é como, ‘O que é ser perfeito? E quem decide?’ Eles ficam empurrando isso pra cima de você”, comentou ela. Ao invés disso, ela quer ser humana, ser vulnerável, deixar sua vida ser como deve ser.

Nesta parte da entrevista, Kesha chora. Ela, então, cita o quanto seus fãs foram inabaláveis e relembra de quando saíram na rua em protesto pela sua liberdade. “Eu não sei o que eu fiz para merecer pessoas tão maravilhosas na minha vida”, comentou.

Ainda no momento emocional, ela fala sobre ser capa da Rolling Stone. “É meu sonho desde que eu era criança”, afirmou. “Eu tinha capas de Rolling Stone por todo o meu quarto na casa da minha mãe. São lágrimas agradecidas. Não são lágrimas tristes.

Não há dúvidas que Kesha tem tido um momento muito emocional. “Não tenho nada para esconder”, diz ela. “O lindo, o bom, o ruim, o feio, tudo isso”. Sua recuperação de um transtorno alimentar, ela explica, traz consigo o mesmo tipo de sensação de súbida realidade que têm os recém-nascidos.

Sobre seu distúrbio, ela comenta que teve questões sobre com seu peso desde criança. Junto a isso, as pessoas a seu redor, como Dr. Luke, ficavam se lamentando por sua vontade de comer. “Realmente pensei que não deveria comer. E então, se eu alguma vez comesse, eu me sentia muito envergonhada, e eu faria-me vomitar porque eu pensaria: ‘Oh, meu Deus, não posso acreditar que eu realmente fiz essa coisa horrível. Estou tão envergonhada de porque não mereço'”, relembra.

O jornalista comenta que isso significa que ela, de alguma maneira, decidiu que não merecia viver. Ela concorda. “Eu estava devagar, lentamente me deixando faminta. E o quanto pior eu estive e mais doente eu fiquei, melhor as pessoas ao meu redor estavam dizendo que eu estava. Eles falavam ‘Oh, meu Deus, continue fazendo isso. Você está tão linda, tão deslumbrante'”.

Ainda sobre os momentos mais críticos, ela comenta: “Eu só lembro de chorar enquanto comia carboidrato. Pensava eu não podia. ‘Isso vai me fazer gorda, e se eu estou gorda, não posso ser cantora porque as estrelas do pop não podem’, pensava.

Mesmo quando se recuperou, ela continuou se sentindo uma perdedora. Até que um amigo a parabenizou e ela perguntou o motivo. “Você acabou de salvar a sua vida”, disse esse amigo.

Segundo ela, o álbum Rainbow é um resultado de sua reabilitação e, por isso, é tão orgulhosa dele.

Escrito por Caian Nunes

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