Foto: Divulgação
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Esquema de compra de streams é desvendado e divulgado por revista americana

O mercado da música tem se valido muito dos números para definir se um artista tem relevância ou não. Quantos ouvintes mensais no Spotify? Quantos streams teve a sua música no lançamento? Quantos views têm o seu canal do Youtube? Esses números viraram moeda de troca e levam o olhar dos usuários das plataformas para aquele artista em específico.

A revista americana Rolling Stone divulgou, nesta quarta-feira (10), a gravação de um executivo de uma empresa que ajudava músicos a crescer artificialmente o número de streams de suas faixas no Spotify, YouTube e outros sites.

A publicação traz à tona a negociação de compra de streams de uma música do rapper G-Eazy, que já tocou no festival Lollapalooza em São Paulo e tem sucessos com Halsey (“Him and I”), Bebe Rexha (“Me, myself and I”), entre outros. O artista possui hoje mais de 20 milhões de ouvintes mensais e 4 bilhões de views em seu canal do Youtube.

Ouça “Me, myself andI”:

De acordo com a publicação, Joshua Mack, dono da empresa 3BMD, revelou: “Nós deciframos o código e entendemos como manipular o sistema”, durante uma reunião com a agência Blueprint, que divulgava o trabalho de G-Eazy. O rapper afirmou que não estava ciente do negócio, também não há confirmação se o acordo foi realmente fechado.

A revista também teve acesso a uma tabela de preços em que a 3BMD cobrava US$ 12 mil (cerca de R$ 68 mil) para aumentar 1 milhão de plays no YouTube, Spotify ou Apple Music. No áudio, o empresário ainda revela que sua empresa gerava “200 milhões de streams” por mês para grandes artistas. Nenhum outro nome foi revelado, além de G-Eazy.

Segundo a reportagem, o aumento artificial no número de streams é feito através do pagamento para donos de playlists muito seguidas para incluir as músicas, impulsionando sua audição. Também são utilizadas “contas-robô” que ouvem repetidamente a faixa, de forma automática.

Mack ainda admite que o Spotify o puniu por suas atividades de aumento de fluxo no passado, mas ele afirma que os artistas continuam a usar seus serviços de qualquer maneira. Porque? “Basicamente, deciframos o código”, diz Mack, “e entendemos como manipular o sistema e atingir números astronômicos”.

Em tempo…

É importante destacar que a indústria da música é famosa por ser hipercompetitiva, mas em 2019, as maiores empresas – de grandes gravadoras a serviços de streaming – se uniram em torno de uma causa comum: assinar um código de conduta condenando a manipulação de streaming, uma prática que infla os artistas números em plataformas como Spotify e Apple Music.

“A manipulação de streaming tem sido uma praga infeliz para a indústria nos últimos anos. Existe um mercado negro para pagar para jogar”, revela John Phelan, diretor-geral da Confederação Internacional de Editores de Música.

Ainda segundo a publicação, as tentativas de artistas e gravadoras de “manipular” os números de vendas são tão antigas quanto a própria indústria musical. E como o streaming se tornou o principal motivador da indústria musical, muitos dos esforços de manipulação mudaram para a esfera digital, onde Mack concentra seus serviços.

Escrito por Rafa Ventura

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