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Entrevista: Manu Gavassi ri de si mesma em nova fase com EP e websérie… neuróticos

“Para quem entende de astrologia, eu sou capricórnio com ascendente em virgem. É meio que um pesadelo”.

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Com 26 anos recém-completados, Manu Gavassi decidiu compartilhar com o público uma crise existencial. Cantora, compositora, atriz, escritora, roteirista, diretora e até influenciadora digital: são vertentes suficiente para torná-la uma figura complexa. “Se nem eu sei quem eu sou como o pobre do Google vai saber”, ela diz no primeiro episódio de sua websérie de autoficcção “Garota Errada”, disponível no Youtube, tirando sarro de si mesma. São cinco episódios no total, como uma terapia realizada em público. Manu faz drama, sente pena de si mesma, acha que foi esquecida, se dá conta que existe uma geração que não pegou seu auge, mas tudo isso para provocar o riso de quem a vê. “Ela é o drama”, diz a própria mãe.

No total, a websérie acumula mais de 3,1 milhões de acessos. Ela saiu junto com o novo EP “Cute But Psycho”, que também virou notícia por causa da similaridade do título com “Sweet But Psycho” da Ava Max, nº1 no Reino Unido. Manu rebateu comparações no Twitter – seu território há dez anos (“eu praticamente fundei o Twitter”) – mas não deixou isso ofuscar o trabalho. As músicas foram divulgadas de uma maneira inédita: um EP fotográfico, como uma fotonovela no Instagram. Criativa.

POPLINE – Você falou brevemente no Twitter sobre alugar um quarto no meio do deserto para fazer esse EP. Me conta como foi esse processo criativo!
MANU GAVASSI – Na verdade, nunca deixei de compor. Durante o ano, muitas vezes entendo o que estou sentindo em forma de música, então eu já tinha as músicas. Mas não sabia muito o que fazer, que cara dar, que caminho ia seguir… Quis muito voltar para o início, não me pressionar, fazer o que sinto, o que gosto, o que fosse natural para mim. Eu fiz com o Head Media, que trabalhei no CD, mas o processo foi completamente diferente. Realmente, sentia que estava com a minha banda de garagem lançando alguma coisa pela primeira vez, sabe? Muito parecido com a sensação que eu tinha quando comecei e compus minhas primeiras músicas. Teve essa energia. Mas eu tinha essa ideia de fazer música em formato de foto para o Instagram. Não sabia bem se era um lyric video, enfim, daí chamei dois amigos meus fotógrafos, Fernando e Thomaz, e minha stylist Carol Roquete para fazer esse projeto na raça. Eu literalmente botei no Google: “motel Los Angeles”. Achei um que eu amei, a três horas de Los Angeles, no deserto, e aluguei. Chamei o João Vitor, ator que estava morando lá em Los Angeles. Todo mundo fez muito por amor, porque amou a ideia. Era uma ideia diferente, né? Eu nem sabia explicar muito bem como ia ser. No final das contas, virou um EP fotográfico. Acabei resumindo a história dessas três músicas em foto. Foi uma das coisas que mais gostei de fazer criativamente.

Você foi para o deserto para a parte visual, então.
Isso, para a parte visual. Eu produzi tudo aqui mesmo.

A gente sabe que suas músicas são autobiográficas. Nesse EP, todas as faixas são dirigidas a alguém com quem você se relacionou e não está mais. Existe um único muso ou são pessoas diferentes?
São vários musos, amor! Eu dei uma rodada, viu? (risos) Não são para a mesma pessoa, até porque não tive nenhum relacionamento sério. São sobre experiências diferentes.

Você se pinta como uma “control freak” em “Cute But Psycho”. Me dê exemplos de situações.
Cara, um exemplo? Para quem entende de astrologia, eu sou capricórnio com ascendente em virgem. É meio que um pesadelo. São dois signos de terra, muito pé no chão, né? Então sei que eu gosto de ter o controle de tudo. No meu trabalho, sou muito certinha, então… é meio complicadinho. Existe essa loucura: ao mesmo tempo que são dois signos muito certinhos, eu sou artista, e artista é meio doido. Eu acho que é quase contraditório.

Aí quando você está em um relacionamento, depende da outra pessoa e foge do seu controle, é isso?
Eu gosto de saber onde estou pisando. Se eu não sei e não me sinto segura, dou uma enlouquecida.

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Coloque seus fones de ouvido. 🎶

Uma publicação compartilhada por Manu Gavassi (@manugavassi) em

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Quando a gente ouve “Cute But Psycho”, dá para imaginar várias situações para clipe. Daria um vídeo ótimo. Vai ganhar clipe?
Cara, não pensei em clipe, porque achei que ficou tão bem resolvido nesse formato do EP fotográfico. Acho que a mágica está meio nisso, em manter essa estética que eu criei. Mas eu sou meio doida, né? Se me der cinco minutos, eu tiver uma ideia genial e gente para realizar, pode ser. Mas eu realmente não pensei. Para mim, essas três músicas ficaram bem nessa estética. A história está contada ali.

Você está com 26 anos e fez uma websérie sobre uma crise existencial. Está mesmo passando por isso ou é só um deboche?
(risos) Eu acho que passei por isso! Acho que não conseguiria zoar uma coisa que ainda estou digerindo. Se eu ainda estivesse passando por isso, não teria segurança de fazer piada com isso, lançar e, enfim, deitar e rolar nesse tema, como eu fiz. Eu acho que foi um processo desses últimos dois anos. Questionei muita coisa: meu começo, o momento que estou agora, minha idade, tudo isso. Quando você começa muito novo, você se sente velho muito rápido, né? Larissa Manoela está aí para me provar isso. Essa menina ia bebezinha nos meus shows! Foi uma brincadeira com uma terapia que eu fiz comigo mesma nos últimos anos. Mas agora é uma coisa tranquila, até por isso que eu tive a segurança de me expor assim.

Como surgiu a ideia para esse projeto?
Cara, eu escrevi um livro, e muita gente me mandava mensagem falando que tinha lido o livro e se identificado com a personagem principal, que sou eu, mas mudei o nome. Pensei “caraca, me escondi atrás dessa personagem, e é a personagem que as pessoas mais gostam e mais me perguntam a respeito, então talvez eu tenha que ter um pouquinho mais de coragem, dar a cara a tapa, falar quem realmente sou e o que penso”. Foi a partir daí: as pessoas falando sobre o livro e a personagem principal, que na verdade era eu com meus dilemas. Foi aí que tive essa vontade de fazer alguma coisa mais pessoal e ver no que dava. A repercussão foi muito surpreendente!

Sim, várias pessoas que não acompanham sua carreira pararam para ver, porque a série é divertida.
Exato. Principalmente, pessoas mais velhas, da minha idade para cima. É um público que eu nunca tinha atingido com meu trabalho. Foi surpreendente mesmo. Fiquei bem feliz.

Dá para notar que você vive um momento de rir de si mesma. Está se levando menos a sério?
Acho que eu nunca me levei a sério, na verdade. O mais engraçado foi que meus amigos e as pessoas mais próximas a mim falaram, quando lancei a série: ‘não sei se isso vai ter graça para as outras pessoas, porque é tão você, parece que tem mais graça para quem te conhece e sabe que você é exatamente assim’. Sempre tive muito essa pegada. Nunca me levei a sério. Eu rio de mim mesma, faço piada de tudo – da minha vida amorosa… Acho que existia… por eu me expor tanto nas redes sociais existia uma imagem meio errada de quem eu era. Agora, tomando mais autonomia dos meus projetos, escrevendo o que dá na cabeça e bancando isso, acho que as pessoas estão realmente entendendo aquilo que sou na vida mesmo.

Por outro lado, vejo você rebatendo algumas críticas nas redes sociais de vez em quando, o que demonstra que você está preocupada com o que estão pensando. Você se sente perseguida?
Cara, eu não tô preocupada. Por exemplo, não vi nenhum comentário da minha série no Youtube. Tipo, não sei o que falaram. Eu não procuro coisas. Por exemplo, não fico vendo o que me mandam em DM. Tem coisa boa e coisa ruim ali. Não sou mesmo o tipo de pessoa que coloca o próprio nome no Google para ver o que estão falando. Só que tem coisas que ficam escancaradas na nossa cara. É um celular, né? Se eu abro para responder um amigo, posso dar de cara com um comentário falando qualquer bosta, e às vezes eu acho que é melhor falar do que ficar quieta. Às vezes eu acho que mereço dar essa notícia, porque acho que fica uma coisa mais real. Nunca vai ser legal você ficar fazendo comentários negativamente sobre o corpo de uma menina de 20 e poucos anos. Isso, se você está na faculdade ou em qualquer profissão, sei lá, é bizarro. Minha irmã e as amigas dela, por exemplo. Ninguém entra na foto dela e comenta sobre o corpo dela. Quando você trabalha no meio [artístico], você vira um personagem e as pessoas se acham no direito de falar qualquer coisa sobre sua aparência, te julgar e tornar aquilo um tópico, o que eu acho extremamente desrespeitoso. Toda vez que eu vir uma coisa que me fere ou que acho que não está certo, eu vou falar e não tenho problema nenhum com isso. Mas não estou obcecada neste tópico. Não sei o que falam de mim, graças a Deus.

Alguns fãs mandaram perguntas pelo Twitter. Uma foi “como você responde às polêmicas envolvendo a websérie?”. Você não está nem ciente de polêmica, né?
Na verdade, não. Assim, o que chegou até mim naturalmente, foram comentários muito positivos, o que me deixou muito feliz, porque quando são muitos comentários negativos você fica sabendo logo. Tanto com a websérie quanto com o EP, fiquei muito feliz com a repercussão. Mesmo.

Perguntaram também se você tem vontade de fazer parceria com grandes nomes do pop, como Anitta e Pabllo Vittar.
Eu acho que não. Música, na minha vida, está em outro lugar agora. Por um tempo, tentei me encaixar e ver como eu seria mais comercial no meu país, o que é engraçado porque eu gosto de música pop e é o que consumo, então naturalmente já consumo coisas comerciais. Mas o nosso país vem do sertanejo, vem do funk. O pop migrou disso, então eu me sinto um pouco distante do pop brasileiro. Parei de tentar me encaixar. Faço só o que me faz feliz e o que me representa. Não tenho muita pretensão com isso, não. Tenho vontade de fazer parceria se eu sentir que algum artista está muito próximo do meu caminho, e que tenha a ver. Não vou me privar de nada. Mas não é um plano que eu tenha agora nem uma vontade.

O ano está começando. Quais são seus planos para 2019?
Não posso falar a respeito de nenhum, mas tenho muitos e já estou colocando eles em prática. Mas acho que é continuar sendo bem verdadeira com tudo. Do último semestre para cá, consegui fazer, com isso da websérie, de me apropriar das coisas, consegui dirigir junto, consegui roteirizar tudo sozinha… e as ideias que tenho com relação à música também, que saem da maneira normal de divulgar uma música… Acho que é continuar sendo criativa em tudo que eu faço e imprimindo bem a minha visão e quem eu sou. Com certeza é isso que vou fazer neste ano, em diferentes formatos.

Vai continuar atuando e cantando?
Sim, provavelmente sim. Atuando, cantando, fazendo graça, postando uns lookzinhos bonitinhos. Pacote completo.

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