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LEOA apresenta “Original Malokera” como manifesto pop nordestino: “Quero colocar o Rio Grande do Norte no mapa do pop”

A artista potiguar faz estreia solo com álbum que mistura regionalismo e latinidades com estética afrofuturista e colaborações de Urias e Potyguara Bardo
Foto: Ian Rassari

LEOA, novo nome artístico de Luísa Nascim, vocalista do grupo Luísa e os Alquimistas, estreia oficialmente sua carreira solo com o álbum “Original Malokera”, uma obra que mistura ritmos do nordeste, da América Latina e do Caribe com uma estética visual ousada e afrofuturista.

No disco, a artista potiguar transforma sua sonoridade em manifesto e afirma sua identidade como uma das mais interessantes da cena independente. Não à toa, LEOA foi escolhida para o Up Next da Apple Music em abril, programa que já impulsionou nomes como Pabllo Vittar e Urias. Em entrevista ao POPline, ela falou sobre o disco, a força de suas raízes e o show especial na Casa Natura Musical.

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Foto: Ian Rassari

Lançado no último dia 30 de maio nas plataformas digitais pelo selo ALÁ Comunicação, “Original Malokera” reúne 15 faixas que combinam sonoridades de som de paredão, cúmbia, brega funk, kompa e reggaeton. A produção musical principal é assinada por Gabriel Souto, com colaborações de Pi Love e Gil Bala. Urias, Uana, Potyguara Bardo, Amem Ore, Janvita também aparecem nos créditos e reforçam o espírito coletivo do projeto, que foi construído com forte presença de artistas do norte e nordeste do país.

LEOA não só assina a direção artística e musical do disco, mas também participou ativamente da concepção visual de “Original Malokera”, onde buscou uma imagem forte e original que dialogasse com suas raízes e referências. Para ela, o álbum é como um mergulho estético e sensorial em seu universo criativo:

“Foi um processo criativo muito doido, muito fluido. As imagens vão surgindo, às vezes até parecem dissociadas, mas como muitas ideias saem dessa cabecinha aqui, acho que, em algum lugar, elas se encontram. […] Eu realmente queria trazer essa imagem forte, felina, da Leoa, da rainha, nesse trabalho que tem propostas diferentes, inclusive de imagem”, conta.

Colaborações e processo criativo

“Original Malokera” imergiu de um processo criativo de cerca de 6 meses, durante o qual LEOA sentiu que cada faixa pedia uma colaboração específica, fortalecendo a pluralidade sonora do disco. Sobre esse processo, ela disse:

“Já sabia que tinha um projeto muito consistente em relação às composições. Eu fui fazendo, e, em um curto período de tempo, essas composições nasceram. Ao mesmo tempo, tinham músicas que pediam que viesse alguém além de mim para arrematar a ideia. Fui tentando deixar minha sensibilidade mais aguçada para entender quem seria a melhor pessoa para estar ali. Fiquei muito feliz que todo mundo topou.”

Trabalhar com pessoas do norte e nordeste do país era algo inegociável para LEOA, que fez questão de se cercar de artistas das duas regiões. Ela destacou, inclusive, o Vini e Sushi de Sereia, artistas visuais e stylists paraenses que colaboraram com ela na concepção estética do álbum:

“É importante frisar que, principalmente na parte estética e visual, e também na sonoridade, ‘Original Malokera’ é um disco produzido na sua essência por pessoas do Norte e do Nordeste do Brasil. Então, é diferente do que está rolando, e isso me deixa muito feliz. Era exatamente isso que eu queria fazer: reunir pessoas que não estão, necessariamente, no eixo Sudeste ou que, mesmo que estejam, ainda conversem com essa proposta regional, futurista e internacional que o disco tem.”

“Original Malokera” na essência

Para LEOA, algumas músicas do disco sintetizam bem a proposta de fusão de estilos regionais e internacionais que o projeto busca comunicar. Ao POPline, a artista falou sobre algumas faixas que ajudam a traduzir essa essência do projeto. “Tropical do Brasil”, com Uana, é um dos exemplos mais diretos dessa mescla:

“Ela tem esse sotaque nordestino, eu sou do Rio Grande do Norte, a Uana é pernambucana, e a gente traz esse nosso sotaque e, ao mesmo tempo, canta o reggaeton, que é em português, mas tem momentos em que cantamos em espanhol também. E a música em si, o instrumental, vem com um reggaeton mais soft, e logo depois surgem momentos em que você percebe elementos do brega funk. É uma faixa que mostra muito bem essa proposta de fusão,” disse.

Além das fusões rítmicas, outro ponto essencial de “Original Malokera” está na exaltação ao território norte-rio-grandense. LEOA fez questão de trazer para as cabeças do seu projeto a sua cidade, Natal, capital do Rio Grande do Norte. A faixa de abertura, por exemplo, é “084”:

“Mais do que nunca, uso 084 no meu arroba (das redes sociais), que é um DDD do Rio Grande do Norte. A música ‘084’ tem minha voz e de duas artistas potiguares. E esse álbum também tem uma faixa chamada ‘Cidade do Sol’, que é uma regravação de uma música muito conhecida do Alan Negão, um compositor potiguar. […] Estou nesse momento de realmente fazer questão de falar de onde venho e de fazer minha parte para colocar o Rio Grande do Norte no mapa da música pop.”

“Original Malokera” ao vivo

LEOA está pronta para levar “Original Malokera” para os palcos. Nesta sexta-feira (27), ela se apresenta na Casa Natura Musical, em São Paulo, e os ingressos estão à venda. O show foi roteirizado ao lado do diretor artístico e coreógrafo Querino, com direito a blocos temáticos, trocas de figurino e performance da dançarina cearense Eva Bessa, especialista em brega funk.

“É realmente um passeio por esse universo imagético e sonoro que estou propondo, em formato de espetáculo. Mas sem perder o principal, que é a música. Tive esse cuidado de criar coreografias pensadas para uma cantora. Eu não sou dançarina profissional, então partimos desse lugar. A parte musical e vocal ainda está muito bem contemplada nesse espetáculo,” contou.

Foto: Divulgação

A cantora ainda confirmou que sua banda será composta inteiramente por mulheres:

“Ele (o show) começa de um jeito e termina de outro, com trocas de figurino. Assim, consigo apresentar melhor para o público essa minha versatilidade. O álbum, para quem escutar, mostra que canto de formas muito diferentes: às vezes com a voz mais suave e aguda, outras com a voz mais encorpada e grave. É um disco muito plural, e o show também será. […] É uma banda 100% feminina no palco. Não é uma banda grande, mas as meninas tocam muito. Então, vamos conseguir apreciar cada pessoa no palco, não como acessórios, mas como estrelas brilhando juntas.”

SERVIÇO

LEOA e AQNO
27 de Junho | Sexta às 21h00
Casa Natura Musical – Rua Artur de Azevedo, 2134, São Paulo – São Paulo
Ingressos a partir de R$ 60,00 (inteira). Há opções de meia-entrada.

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