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Coluna do Rogério Flausino: Como Carmen Miranda conseguiu ser a nossa primeira grande pop star global há 90 anos?

“Eu realmente não tinha a real dimensão do impacto que a carreira desta artista fantástica teve, e ainda tem, na cultura-pop do Brasil, e do Mundo.”

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Recentemente tive a oportunidade de ler a incrível biografia da “Carmem Miranda”, lançada em 2006 pelo jornalista, biógrafo e escritor brasileiro, Ruy Castro. Uma leitura fantástica!! Apesar de sempre ter sentido grande simpatia pela figura de Carmen, eu realmente não tinha a real dimensão do impacto que a carreira desta artista fantástica teve, e ainda tem, na cultura-pop do Brasil, e do Mundo.

Foi a partir dos anos 30 que o Brasil sentiria, pela primeira vez, a força de sua música-popular imprimir mudanças nos modos e costumes da sociedade. O rádio já existia, mas a chegada das grandes gravadoras estrangeiras impulsionaria o negócio e, em pouco tempo, a música já dominaria a programação das rádios, de norte a sul do país. Nunca se produziu tanto, em tão pouco tempo.

Maria do Carmo Miranda da Cunha, nascida em Portugal, mas brasileira desde os 10 meses de idade, lançou sua primeira gravação em 1929, e seria, e a partir daí, a recordista de gravações da década, lançando mais de 280 canções. Os discos de acetato, na época, traziam uma faixa de cada lado. Carmen Miranda gravou uma média de 14 discos por ano! Com voz e carisma irresistíveis, cercou-se de grandes músicos e compositores e a explosão foi inevitável. Não tinha pra ninguém, a Carmen era pop!!

Os grandes nomes da época como Francisco Alves, Silvio Caldas e Ary Barroso ganhariam também seus próprios programas de rádio, mas foi Carmen a primeira artista do Brasil a assinar um contrato com uma grande emissora. Mas o destino da nossa primeira “POP-STAR” já estava traçado, e levaria consigo, não apenas o Brasil, mas o nosso samba, nossa ginga e balangandãs, para muito além das ondas do rádio.

Em 1939, após 10 anos de enorme sucesso no Brasil, e passagens triunfais pela Argentina, aos 29 anos de idade, Miss Miranda, acompanhada de seu “Bando da Lua”, desembarcava em Nova York, para se apresentar por 8 semanas no “The Streets of Paris”, na Broadway. O sucesso foi imediato. Poucos meses após sua estréia, esbanjando estilo, atitude e originalidade, Carmen já estampava autdoors e capas de revistas americanas, não apenas como “a grande artista do momento”, mas também, como garota-propaganda de diversas marcas e produtos, tornando-se a mulher mais bem paga dos Estados Unidos naquele ano.

Um contingente histórico iria acelerar ainda mais o processo de celebrização daquela reluzente estrela-latina em ascensão. A Europa, principal parceira comercial dos EUA, sofria os impactos da 2ª Guerra. Com os mercados em crise, o país buscava urgentemente diversificar seus negócios. Por ordens da Casa Branca, os estúdios de Hollywood se tornariam peça fundamental nesta aproximação entre o país e a América Latina. No lugar certo, na hora certa, nossa musa-tropical seria a estrela perfeita para esta sedução.

Já no ano seguinte, 1940, Carmen se mudaria para Beverly Hills onde faria sua estréia no cinema norte-americano na película “Serenata Tropical”, da 20th Century Fox. Miss Miranda seria eleita, naquele mesmo ano, a 3ª personalidade mais popular dos EUA. De sua estréia na Broadway, até sua morte prematura, em 1955, aos 46 anos de idade, Carmem Miranda estrelaria 14 filmes e dezenas de espetáculos musicais no EUA.

Ao final da Segunda Guerra Mundial, vivendo problemas conjugais e uma conturbada relação com anfetaminas e tranquilizantes, nossa “Brazilian Bombshell” assistiria, aos poucos, sua popularidade diminuir. Mas, a esta altura, seu brilho, talento e alegria já haviam sido  mais do que suficientes para espalhar e popularizar nossa cultura para todo o mundo.

O devido reconhecimento de seu talento como cantora, atriz, estilista e performer, fizeram de Carmen Miranda a 1ª artista sul-americana a receber uma estrela na “Calçada da Fama”, e se fortaleceria, com o passar dos anos, um dos maiores ícones da cultura-pop de todos os tempos, colocando o Brasil e a América Latina, definitivamente, no mapa do entretenimento mundial.

Nos anos 60, seria a vez da Bossa-Nova, de João Gilberto, Tom Jobim, e tantos outros gênios, fortalecerem nossas posições de respeitabilidade artística e cultural, mas nunca, com o impacto popular de Carmen Miranda.

Nestes últimos 90 anos, muita coisa mudou no modo de se consumir a música: rádio, cinema, tv, vinil, cassete, vhs, cd, dvd, mp3, ipods, tv-a-cabo, laptops, smart-phones, youtube, spotify, netflix entre tantos, mas o que não muda mesmo, mundo-a-fora, é que ninguém resiste a um bom “e velho” POP.

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