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Leonardo Torres

Coluna do Leonardo Torres: o pop para maiores de 30 anos

Você não sabe quem é Now United, não entende o que o BTS tem demais, não se interessa pela esquisitice de Billie Eilish e sente saudade de ídolos do passado.

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Você não sabe quem é Now United, não entende o que o BTS tem demais, não se interessa pela esquisitice de Billie Eilish e sente saudade de ídolos do passado. Os grupos que você gostava estão fazendo turnês de reunião – ou você está torcendo para que isso aconteça – e suas cantoras favoritas não são mais competitivas nas paradas. A maioria delas, na verdade, leva uma vida reclusa concentrada na maternidade. Parabéns, você chegou aos 30 anos.

Bem, eu pelo menos cheguei. Não foi exatamente agora, já faz alguns meses, mas ultimamente comecei a pensar no significado disso musicalmente. São três décadas de música pop, que podem ser divididas em etapas muito claras: infância / adolescência / início da vida adulta. De zero a dez anos, entrei em contato com Xuxa, Chiquititas, Sandy & Junior, Spice Girls e Backstreet Boys. Doz 11 aos 20, conheci Britney Spears, JoJo, RBD, McFly, mais ou menos isso. Você deve ter conhecido também os produtos da Disney neste período (Miley, Demi, Selena, Jonas…), mas eu nunca fui um menino Disney. Dos 21 aos 30, vieram Amy Winehouse, Adele, Bruno Mars, Justin Bieber (me rendi), Ariana Grande e Taylor Swift. E agora qualquer novidade pop parece teen demais para adentrar alguma playlist minha. Eu não posso dizer nem que realmente fico empolgado com o dia de lançamentos.

Tenho que admitir para você, leitor: não há nada que realmente me empolgue no Top 40 global do Spotify. Tá, “Señorita” é bem legal, mas sério, quem ainda aguenta escutar a mesma música depois de tantos meses? Fui ver o Top 40 mundial do iTunes. Salvo “Shallow” (meu Deus, quem são as pessoas que ainda estão baixando essa música?) e “The Man”, nada que me interesse de verdade ali. Uma pesquisa da Deezer em 2018 concluiu que as pessoas param de descobrir novos artistas, em média, em torno dos 27 anos e acho que isso explica muito.

Eu trabalho no POPline e isso me obriga a estar antenado e a par de tudo que está acontecendo, mas eu tenho certeza que seria muito mais fechado musicalmente caso não estivesse aqui. Simplesmente já sei do que gosto. Não preciso de mais, por mais ranzinza que isso soe. OMG, eu tenho certeza que essa coluna está soando como um tio velho. Eu ainda prefiro ouvir, neste exato momento, “Skyfall” a “No Time To Die”. Sou capaz de trabalhar ouvindo “Overprotected”, “Big Girls Don’t Cry” e “Hate That I Love You”. Tipo, isso aconteceu anteontem. Não é “ON”, “My Oh My” e nem mesmo “Don’t Start Now” que eu vou botar para tocar. Digo “nem mesmo”, porque muitos amigos curtem Dua Lipa. Ela conseguiu conquistar ouvintes acima dos 30. Ponto pra Dua.

Não tem jeito: o pop é jovem e a gente fica velho. Minha psicóloga diz que eu ainda sou “superjovem” e tenho mania de dizer que estou velho. Pode ser. Mas o pop sim é “superjovem”, mais jovem do que eu, sem dúvidas. Pessoas de 30 anos não levantam hashtags, não votam em premiações e, embora tenham o poder aquisitivo para comprar ingressos dos shows, pensam duas vezes, por conta dos boletos a pagar. Francamente, a gente movimenta muito pouco o mercado pop. Não dá nem para reclamar por falta de representatividade (contém ironia). Faz todo sentido Rihanna focar em lingeries e maquiagem. É o que vende. Lady Gaga, por exemplo, foi fazer jazz, rock, folk. Seu público cresceu, ela também, e é natural dialogar mais com outros estilos musicais. Veja bem, até estrela de cinema a “Mother Monster” virou. É mais fácil arrastar adultos para o cinema do que para mutirões no Spotify, é óbvio. Aí ela volta ao pop com “Stupid Love” e a gente mais acha estranho do que adora toda aquela estética de heroína de anime. Ela obviamente está tentando se comunicar com um público mais jovem (tentando conquistá-lo), aquele que movimenta a indústria. Os little monsters das antigas já estão conquistados e são fiéis.

Eita. Quando foi que deixei de ser o target da Lady Gaga? Quando foi que você deixou!?

Eu vejo muito dos meus pares reclamando que “o Grammy não é mais ou mesmo” ou que “a Billboard já não é mais tão boa”. Eu conto ou você conta? As premiações e as paradas estão repletas de músicas para adolescentes e jovens adultos… como sempre foram! Só que antes nós éramos essa galera. Hoje são os fãs do BTS que reinam, antes foram os do One Direction e antes os dos Backstreet Boys. A roda gira. Meio que sempre foi assim, sabe? A gente continua ouvindo as músicas que amamos da Britney, da Christina, da P!nk, mas há uma diferença absurda entre o consumo de um adolescente e o de um adulto. Um garoto “vive para a música” e aquilo ocupa um espaço enorme em sua vida. Um adulto, com tantas responsabilidades e afazeres, consome menos e, com isso, seus ídolos consequentemente se tornam menos relevantes comercialmente. O “Witness” da Katy Perry era mesmo ruim ou seus fãs apenas cresceram e não estavam repercutindo o trabalho dela? É um ponto. Não é à toa que, há décadas, Madonna sempre se associa a um artista bastante jovem para seus lançamentos: além de se manter sempre atualizada, ela sabe que precisa dessa audiência jovem para promover seu trabalho. Os fãs de 50 anos não são bons nisso. Vou chegar lá. Sei.

Estou em um processo de reflexão e autocrítica, porque não quero me tornar essas pessoas que dizem “bom mesmo era na minha época”. Não era nada. Tenho plena consciência de que enquanto eu adorava Sandy & Junior e RBD, as pessoas acima dos 30 anos achavam essas músicas uma grande bosta. Então cada um cumpre seu papel, em cada etapa da vida. O pop para maiores de 30 anos raramente estará no Top 10 da Billboard ou nos trending topics. E não será pior ou menos importante por não ser popular. Nós, já não garotinhos, sempre teremos Las Vegas e suas residências para assistir.

Para continuar essa conversa, me encontre no Instagram: @falaleonardo.

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Coluna do Leonardo Torres: e quando os impactos culturais estavam nas mãos da música pop?

São tantos lançamentos e os ciclos de vida das obras são tão efêmeros que é difícil dizer qual foi o último momento verdadeiramente icônico.

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(Foto: Reprodução)

Thriller. Sutiã de cone. Biquíni de fita isolante. Vestido de carne. Single Ladies. Anaconda. Famous. Oops… I Did It Again. Born This Way. Wrecking Ball. Show das Poderosas. Era Teenage Dream. All I Want For Christmas Is You. I Will Always Love You. Lady Marmalade. Wannabe. Work. Beijo de Madonna, Britney e Christina no VMA. Jelena. Cabeça raspada. “Beyoncé”, o álbum. O peito no Super Bowl. Ragatanga. Uptown Funk. Baby. Bad Blood. Rehab. Hello. Formation. A cobra, o twerk, a performer sangrando, o Gimme More no VMA. Você reconhece todos esses momentos, certamente. São ícones da música e da cultura pop. Agora te dou um tempo para pensar em qual foi o último momento icônico da música pop recente. Tome seu tempo. Eu disse icônico.

São tantos lançamentos e os ciclos de vida das obras são tão efêmeros que é difícil dizer. Eu pensei em “thank u, next”, que ficou sete semanas no topo da Billboard, liderou paradas em 14 países, fez todo mundo repetir o refrão e deixou todos os fãs do gênero em expectativa para a estreia do clipe, que na época quebrou recorde de maior número de acessos nas primeiras 24 horas. Foram 55,4 milhões. Mas isso aconteceu no fim de 2018 e já estamos no início de 2020*.

*Ariana ainda teve “7 Rings” depois, que foi um sucesso avassalador, mas não considero icônico.

De lá para cá, parece que os pontos altos cultura pop não estão mais na mão da música pop necessariamente. “Old Town Road” (Lil Nas X) e “The Box” (Roddy Ricch) são raps catapultados pelo TikTok, app que ainda não conseguiu ajudar a música pop, embora todos os artistas estejam correndo para lá (Justin tentou sem sucesso forçar um viral de “Yummy”, por exemplo). O próprio fenômeno da Cardi B, como um todo, não é exatamente do pop. Billie Eilish explodiu, mas ainda não entregou um momento icônico para que todos comentem no Twitter ou na mesa do bar. Não é todo mundo que sabe quem é ela ou algo que ela tenha feito. Lizzo, idem. Essas pessoas têm seus momentos, mas não protagonizam ainda momentos globais. Não furaram a bolha. Seus pontos altos são importantes apenas para suas próprias carreiras, e não representam parágrafos na História.

No Brasil, o que temos tido de icônico? Não lembro. O viral “Tudo OK” não é pop nem icônico. É só viral, tipo MC Loma. As músicas e o clipes da Anitta há muito tempo não têm mais impacto. É tanto material despejado sucessivamente que ela mesma não tem como caprichar no conteúdo, na inovação e no efeito surpreendente, nem o público tem como prestar atenção em tanta oferta. Não quero criticar Anitta. Ela já fez bastante e já foi muito boa nisso algum dia**. Todo mundo que veio em sua rebarba não parece ter a mesma preocupação ou o mesmo tino para fazer algo “único” – que envolve tanto a qualidade quanto o marketing do lançamento e o impacto cultural. Os artistas pop nacionais, salvo algumas exceções, só estão querendo ter músicas suficientes para montar e/ou reciclar setlist e vender shows. Shows esses que, cá entre nós, estão longe de serem espetaculares. Temos visto músicas descartáveis acompanhadas de clipes que não vão muito além de cumprir tabela. Ou músicas maravilhosas, mas má embaladas e mal aproveitadas. Ninguém está propondo nada impressionante e/ou marcante. O que será lembrado daqui a dez ou 20 anos?

**Acho que teria sido icônico o clipe de “Faz Gostoso” com a Madonna, mas não rolou.

As músicas hoje em dia têm ciclos de vida muito curtos e é compreensível que artistas e suas equipes invistam menos tempo e dinheiro na criação de conteúdos. O buzz dura tão pouco! Nós enquanto público estamos consumindo diferente, todo mundo sabe disso. Mas sinto falta de popstars dispostos a fazer história, mais do que simplesmente lançar singles de vez em quando ou toda hora. Isso não é uma obrigação nem uma meta, é claro. É só um desejo meu, e talvez de alguém que esteja lendo aí também. A gente inegavelmente sabe quando algo nasce icônico aos nossos olhos, e isso é mágico pra caramba! Tudo tem sido tão “ok” ultimamente. Vamos ver o que Lady Gaga vai trazer em “Chromatica”. Estou curioso. Há muita gente com potencial para nos surpreender. Beyoncé é alguém que cuida de cada lançamento minuciosamente como se fosse uma obra-prima. Ainda que não seja. Mesmo que não alcance resultados impressionantes, você percebe o esforço e o investimento criativo dela em cada trabalho. Gosto disso. Acho que Adele, divorciada e repaginada, pode vir com bons momentos também. Ela parou o mundo da última vez só com um “hello”. Rihanna, quem sabe. Bruno Mars também é alguém em quem acredito. Vamos ver. 2020 está começando e o potencial de impacto pode estar nas mãos de alguém que ainda não conhecemos.

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Leonardo Torres

Coluna do Leonardo Torres: Manu Gavassi é detonada diariamente pelos homens no “BBB” e esse problema é mais deles do que dela

“Forçada”, “antipática”, “cenário” e “nojo” são alguns dos comentários dos homens enfezados.

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“Acho que Manu está meio queimada” – Victor Hugo.
“Manu não fede nem cheira” – Lucas.
“Que mania é essa que ela tem de apontar o dedo, cara?” – Hadson.
“Não acho a postura dela maneira” – Babu.
“Ela é forçada” – Felipe.
“Menina antipática” – Hadson.
“Ela é muito cenário” – Felipe.
“A Manu me incomoda muito” – Hadson.
“Difícil dialogar com quem é perfeito” – Lucas.
“Essa Manu me dá nojo. Não aguento a voz dela” – Hadson.
“Uma menina que mal sabe lavar as roupas dela” – Babu.

Os homens do “Big Brother Brasil” não suportam Manu Gavassi. Por quê?, é a pegunta inevitável. Porque ela é uma fada sensata, grita a Internet. Manu Gavassi é a pessoa certa para o momento certo. Vivemos tempos sombrios – de praticamente desesperança na humanidade, se você costuma ler as notícias, sobretudo as de política. A última edição do “BBB”, no ano passado, foi vencida por uma mulher que passou o programa protagonizando cenas de racismo e intolerância religiosa. É triste, mas é verdade. Era 2019, mas você sabe, parece que estamos na Idade Média já há algum tempo. Até havia algumas pessoas dentro do programa que questionavam as atitudes e falas dela, mas muito timidamente, quase que se desculpando por discordar. Não dá para culpá-los por não “militarem”, pois o mundo faz isso conosco – nos silencia. A gente aprende a ouvir e engolir desaforo quando está em desvantagem. Manu Gavassi, não. É por isso que ela – como foi que Hadson disse? – incomoda.

Em 99% das vezes, quem reclama de mimimi é o opressor e não o oprimido. Lucas, Hadson, Felipe e até Babu, Pyong, Vigor Hugo e eu que vos falo desfrutamos de um papel privilegiado na sociedade: somos homens. A história foi escrita por homens, as religiões mais populares foram criadas e lideradas por homens, os governos até hoje estão, em grande maioria, no poder de homens. Nada disso é mérito. É só que as mulheres foram proibidas e sufocadas – por homens – por muito tempo. O machismo impera em todo o mundo porque eram homens que estavam no comando durante todos esses milênios. Inevitavelmente, isso gera maior ou menor grau de arrogância na maioria dos homens. Esse é o problema no confinamento do “BBB”. Como assim uma patricinha de 27 anos chega aqui, cheia de lucidez, firme em suas convicções, sublinhando todas as bostas que estou fazendo? Forçada! Nojenta! Julgadora! Antipática! (eu adoro esse último, “antipática” haha) O macho se desespera. A mais nova da casa é repetir que “é muito fácil julgar, difícil é ajudar”. Os homens- aqueles que julgam roupas, opiniões e comportamentos femininos desde que mundo é mundo – não estão sabendo lidar com o jogo invertido. E Manu, honra seja feita, ajuda sim.

Ela mostrou para os caras o que estava errado – tudo que disseram e fizeram que era incômodo, para não dizer inadmissível. O problema é que é mesmo muito difícil sair de um lugar de privilégio e aceitar uma crítica. Manu ouviu o que eles tinham a dizer, porque eles achavam que tinham algo a dizer além de “desculpas”. O problema é que o homem se enrola a cada vez que tenta se explicar: fala alto, fica agressivo, não junta a+b. Está acostumado a oprimir, não a discutir / negociar. A culpa não é dela se você, embuste, não se preparou para o confronto, afinal. Manu Gavassi é fruto da quarta onda feminista. É articulada e tem estofo. Conhece seus direitos e seus deveres. Não fica intimidada por voz grossa, alta estatura, alguns músculos e manifestações exacerbadas de masculinidade – não em uma casa filmada 24 horas por dia e transmitida ao vivo para o Brasil inteiro. Ela sabe que as pessoas estão vendo e entenderão o que é certo e o que é errado, porque é tudo muito óbvio.

Um homem falar que só não comeu uma mulher (casada, que não te deu essas intimidades) porque não estava com fome = INACEITÁVEL
Um homem passar o dia olhando maliciosamente para uma mulher e fazê-la sentir-se desconfortável com o próprio corpo = INACEITÁVEL
Um homem verbalizar que SE FOR PARA PAGAR UMA BEBIDA (PARA UMA MULHER) MELHOR PAGAR EM OUTRO LUGAR (UM BORDEL) = INACEITÁVEL
Pedir que os caras sejam socialmente respeitosos desperta a ira. Hadson, eliminado com 79% dos votos no paredão, saiu da casa dizendo que não quer ver Manu nem pintada de ouro. Não entende que foi julgado pelo plano que bolou conta Mari e Bianca, revelado para a casa por Marcela e Gisela*. Ficou com aversão à Manu. Por quê? Porque, enquanto ele fazia todo mundo estremecer negando todas as acusações, Manu se manteve firme. Até Gisela achou que estava louca. Manu acreditou nela, mesmo sem ser sua amiga, e não passou a mão na cabeça de Hadson – como a maior parte da casa depois do baque inicial. “Parece só uma piadinha de moleque. ‘Ele foi criado assim’, né? Só que, se a gente parar para pensar, como isso é ofensivo para a gente… (…) Imagina quantas mulheres não apanham, não morrem, não vivem oprimidas a vida inteira por não conseguir se desvencilhar de caras que fazem esse tipo de comentário?”, questionou a cantora.

*Hadson não entende também que Manu não quer vê-lo, do mesmo jeito.

(Foto: Divulgação)

O BBB é um espelho dos conflitos contemporâneos – agora entre aquelas que não aceitam mais ficarem caladas e aqueles que não estão dispostos a ouvir. A quarta onda feminista (e eu falo com muito cuidado sobre o tema, porque sou homem, eu sei) é marcada pela voz possível pelas redes sociais. Tem a ver com esse senso comum de que “hoje em dia todo mundo tem voz, graças a Internet”. Mas a verdade é que não são todos que têm ouvidos. Muita gente não quer ouvir um monte de coisas. Homens como Hadson, Felipe e Lucas ainda não estão abertos à escuta. As mulheres podem estar discursando, teorizando, comprovando e protestando nas redes sociais. Eles simplesmente não leem esse conteúdo. Confinados dentro de uma casa, sem poder sair, não há como fugir. Para não escutar, só gritando. E eles gritam.

Quando o plano de sedução contra as comprometidas vazou**, as mulheres os confrontaram e foram chamadas de loucas, mentirosas, histéricas e “julgadoras”. Questionaram as atitudes machistas e não encontraram escuta. Nada que as surpreendesse, sejamos realistas. Mas, dias depois, Babu falou sobre machismo e feminismo para os “brothers” e eles ouviram calados. Eles o-u-v-i-r-a-m, sem nenhum chilique! E quer mais? Babu foi ovacionado aqui fora, simplesmente por parafrasear o que toda mulher diz há tanto tempo. É muito triste ser homem, gente, porque é muito difícil defender. A mulher fala: ninguém ouve. O homem fala: UHUL, LINDÍSSIMO, FALOU TUDO. God! Esse mesmo Babu, aliás, já mudou completamente seu comportamento e anda sendo grosso com Manu Gavassi também.

**Se você não sabe do que estou falando, procura no Google. Foi o bafo do início do verão.

É claro que essa luta não é só de Manu Gavassi. Ela é aqui uma alegoria, gancho para tratar do tema em um site de música pop. Marcela, Gisela, Thelma, Rafa, Gabi, Ivy, Mari, Flay, Bianca têm todas suas lutas lá dentro. Mas Manu tem mesmo sido muito íntegra. A gente precisa ouvir mais Manu. Literalmente. Além de “fada sensata”, ela ainda canta. Eu tenho dado meus streams. Se algum dia critiquei, desculpa. Tô viciado nessas aqui:

Para continuar o papo, me procure no Instagram: @falaleonardo.

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Coluna do Leonardo Torres: artistas (não) têm obrigação de ser simpáticos

Espera-se (e pressupõe-se) disponibilidade dos artistas, independente do que se passe na vida deles.

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Imagine a seguinte cena: você está passeando e avista um artista de quem gosta muito. Aproxima-se e pede para tirar uma foto. Ele diz não. Ou te ignora e segue seu caminho. Chato, né? Imagine, então, outra cena: seu maior ídolo está na sua cidade e você faz de tudo para conseguir conhecê-lo. Passa o dia na rua, de hotel em hotel, restaurante em restaurante, ponto turístico em ponto turístico, caçando-o. Você finalmente o encontra! Mas os guarda-costas dele gritam contigo e o próprio artista pede que você o deixe em paz. Como você lida?

Não há como negar: é uma decepção. A gente ouve as músicas, as ressignifica dentro de nossa vivência, vê e revê os clipes, junta dinheiro para ir ao show, defende o artista das críticas dos haters, cria amigos por conta do ídolo em comum… e o que era para ser uma realização vira uma tristeza. Já passei por isso, sei como é. Fãs de Justin Bieber, Demi Lovato, Miley Cyrus, Anitta, Anahí, Dulce Maria, Paramore, Hilary Duff, Maluma, Maroon 5 e Avril Lavigne também sabem. São só alguns dos nomes que me lembro de terem sido antipáticos pelo menos uma vez.

Exemplos:

Recentemente, Shawn Mendes esteve no Brasil e noticiaram que ele “deu show de antipatia” em uma academia em São Paulo. Motivo: não quis tirar foto com ninguém. Queria malhar. Dias depois, o cantor cancelou um show por estar doente. Ninguém é legal doente, sabe? Ou melhor, quase ninguém, porque a apresentadora Maísa já tirou foto com fã na emergência da pediatria. Também já vi Wanessa Camargo dando um monte de autógrafos com febre e tosse. Mas isso deve ser admirável, não regra. A questão é: espera-se (e pressupõe-se) disponibilidade dos artistas, independente do que se passe na vida deles.

Mas os ídolos realmente devem isso ao público? É totalmente compreensível que o encontro com o artista seja um momento especial e a realização de um sonho para o fã. Mas a verdade é que, na maior parte das vezes, aquele é só mais um momento estressante da vida do artista – correndo para cumprir sua agenda atribulada. Seja no aeroporto, com hora para o voo; seja no camarim, com um ou mais shows para realizar naquela noite; seja na saída do show, doido para chegar no hotel e dormir porque o dia seguinte será cheio de trabalho. Ninguém tem bom humor o tempo todo. A maioria, eu acredito, tenta corresponder e não decepcionar as expectativas dos fãs. Mas ninguém vai conseguir isso o tempo todo (Ivete Sangalo, talvez). Já vimos Demi Lovato dizendo “não me toque” para uma fã, mas também já vimos Demi descendo de seu quarto para brincar com fãs na porta do hotel. Já vimos Justin Bieber gritando com fã porque queria fazer suas pichações em paz (haha), e também já vimos o Justin Bieber deitando-se no chão na rua para conversar e dar comida para moradores de rua. Artistas também têm problemas pessoais (às vezes psicológicos e psiquiátricos) e, como todo mundo, dias melhores e dias piores. Até o Papa perdeu a paciência com uma fiel, veja bem. O Papa!

“Ah, mas eles são ricos porque nós compramos seus ingressos e suas músicas. O mínimo que podem fazer é serem simpáticos”. Er… não. Como qualquer serviço ou transação comercial, a troca aqui é clara. O cantor deve entregar o melhor show possível para quem comprou o ingresso e as melhores músicas para quem adquiriu seu álbum. Não há bônus intrínsecos nesta relação. Veja bem: não estou defendendo a antipatia. Todos nós gostamos de pessoas simpáticas e atenciosas. Provavelmente, a gente vai gostar ainda mais de um popstar se ele for legal pra caramba, como Lady Gaga, Taylor Swift, P!nk, Camila Cabello e Adele. Mas ninguém tem obrigação de sê-lo. A simpatia agrega um valor, claro. É, sim, um plus. Se for inteligente, o artista vai se esforçar para parecer o mais legal possível, porque comportamento ruim gera mídia negativa e prejudica os negócios. Na melhor das hipóteses, conseguirá se blindar para não ter que lidar com o assédio, como fazem Madonna e Beyoncé. Você não vê fãs tendo acesso a elas. Dessa maneira, as cantoras não precisam dizer “não” nem fingir interesse por qualquer conversa fiada. Não viram notícia como Shawn Mendes na academia. Não consigo imaginar Picasso ou Van Gogh tendo que ser legal com ninguém. Não eram.

É legítimo se aproximar de um artista e ficar chateado porque não foi bem tratado – ou tratado como esperava. Mas achar que a pessoa, antes amada, é um monstro por causa disso pode ser equivocado. Primeiro que uma atitude, um dia, não define uma pessoa. Segundo que ninguém deve nada a ninguém (a não ser que, de fato, o fã tenha pagado por aquilo, como em um Meet & Greet). Eu aprendi a separar as coisas uma vez que me senti muito maltratado por uma cantora de quem era fã, antes do show. Eu quase desisti de assistir à apresentação. Mas eu tinha esperando tanto tempo para ouvir aquelas músicas ao vivo! Fui com ódio, mas fui. E foi um showzão. Anos depois, reencontrei a mesma pessoa, em outro contexto, outro mood, e ela foi simpática e fofa. A má impressão da primeira vez podia ser resultado de um mal dia, uma fase ruim, uma patologia, vai saber.

Qual sua opinião sobre o assunto? Conte-me: @falaleonardo.

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