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Leonardo Torres

Coluna do Leonardo Torres: Manu, Rafa e Thelma – os motivos para cada uma ganhar o “BBB”

E agora, quem ganha? Manu, Rafa e Thelma são três merecedoras.

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(Foto: Globo)

O “BBB 20” chega ao fim na segunda (27/4) e nem sei o que vai ser do meu confinamento em casa, por conta da pandemia de coronavírus, sem o reality show. Sem dúvida, essa foi a melhor temporada em muitos anos e prova disso é a adesão do público, que voltou a discutir “BBB” como quem discute futebol e política, apaixonadamente. O programa pautou conversas cotidianas e colocou temas como machismo e feminismo na roda. Resultado: temos uma final formada somente por mulheres – Manu Gavassi, Rafa Kalimann e Thelma Assis. Isso é bastante significativo. Foi mesmo o Big Sister Brasil.

A 20ª temporada do programa foi marcada por um plano dos machos escrotos para seduzirem e comprometerem as mulheres famosas que tinham relacionamentos fora da casa – Mari González e Boca Rosa. Esse foi o sintoma mais grave de comportamentos machistas e desrespeitosos, que incluíram até assédios. O Brasil se revoltou com tal estratégia e mau caratismo, e julgou cada um dos participantes do reality show de acordo com seu posicionamento perante tal fato. Manu, Rafa e Thelma saíram fortalecidas do infeliz episódio. A crise ética na casa foi a oportunidade para que mostrassem seus ideais e combatessem o comportamento tóxico. E agora: quem ganha?

(Foto: Globo)

Manu, de cara, era uma outsider no “BBB”. Parecia não se encaixar em nenhum grupo e demorou para encontrar sua turma e a se render às dinâmicas do jogo. Quando se entregou, foi intensa e foi parar no paredão recordista de votos da história (1,5 bilhão). Se tivéssemos que escolher um símbolo da luta feminista dentro da casa seria ela e não Marcela. É Manu quem mais incomoda os machos escrotos, porque se tornou uma líder. Manu se apropriou melhor da bandeira, manteve-se fiel às suas convicções mesmo quando os cenários eram desfavoráveis, e foi fiel ao seu discurso em suas atitudes. Influenciou mulheres e homens dentro do jogo, bem intencionada. Dominando a linguagem da arte e da Internet, soube jogar aqui fora também, com sua websérie “Garota Errada” (revelando um interessante lado cômico), e virou meme e figurinhas do Whatsapp semanalmente. Tiago Leifert disse que não existem fadas, mas o exército das fadas sensatas pode provar que ele está errado.

Rafa odeia baixaria e virou meme justamente quando brigou (com Flay). “Não gosto de você, não sinto verdade em você…” é um discurso memorável. Mas, fora isso, a influenciadora teve uma trajetória serena ao longo do programa. Aos olhos da maioria do público, sempre esteve do lado certo e, enquanto as pessoas se perdiam, ela conseguia se encontrar. A inteligência emocional, a religiosidade e a compaixão foram aspectos importantes de sua trajetória no reality show. Rafa se preocupou com rivais que estavam há semanas na xepa, pensou em como dar um carro para Babu e cozinhou para todo mundo com amor, ainda que esses sequer lavassem a louça. Fora o meme, outra cena marcante foi quando Tiago Leifert informou aos confinados sobre a pandemia do coronavírus e Rafa desatou a chorar preocupada com as pessoas na África. Foi genuíno. Ela é missionária e promete doar 100% do prêmio para a construção de uma comunidade com acesso a escola e hospital em uma aldeia de Moçambique.

Thelma é a única representante dos inscritos nesta final. Para quem não se lembra, o “BBB 20” começou dividido entre “pipoca” (inscritos) e “camarote” (convidados), com o segundo grupo na vantagem por já ter público aqui fora. Dos incritos, só restou ela. Thelma é também a única preta (uso o adjetivo como bem nos ensinou Babu), e obviamente isso é uma questão. Nunca, na história do BBB, uma preta retinta sagrou-se campeã. Representatividade importa. Na casa, ela soube se posicionar; levantar a voz quando o público esperava isso dela; mudar prioridades quando necessário e sem cair em contradição; e jogar sem ficar viciada na jogatina – diferente de Pyong, Petrix e Prior. Foi fiel a Marcela e foi fiel a Babu enquanto possível. Desde o início, ela disse – mas quase ninguém se lembra – que não estava no “BBB” para fazer amigos e sim para ganhar o prêmio. Ela fez amigos e agora pode levar o prêmio.

As três são merecedores e isso dá uma sensação de paz para meu coração de fanático pelo “BBB”. É muito ruim quando chegamos à final do programa com o risco de um(a) embuste sair como herói/heroína. Já aconteceu… algumas vezes. Aqui na minha coluna posso dizer: sou #ManuCampeã desde o início, mas vou ficar feliz caso Thelma ou Rafa vençam também. Independente do resultado, a lucidez foi campeã e isso é maravilhoso. Parabéns, meninas! E parabéns, público. De vez em quando o Brasil vota direito.

Por Leonardo Torres
Para loves e hates, tô no Instagram: @falaleonardo

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