Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal
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Umberto Tavares: o legado do produtor musical visionário (Parte 1)

Sócio-Fundador da U.M Music possui uma trajetória sólida marcada por inúmeros sucessos nos mais variados gêneros musicais

A ressignificação da música popular brasileira que ganhou reflexos do Funk ao Sertanejo nos últimos anos, expôs a multiculturalidade existente no país que é capaz de superar qualquer barreira.

Um movimento popular reconhecido através do bpm, coreografias e, sobretudo, pelas letras que revelam a realidade de um povo e pela sonoridade única, que agita qualquer pista.

Responsável por inúmeros sucessos, seja como Compositor ou Produtor Musical em diversos gêneros musicais, Umberto Tavares é Sócio-Fundador da U.M Music e um dos principais nomes do setor, ajudando a traduzir a cultura brasileira em música popular. Possui trabalhos com nomes como Anitta, Ludmilla, Luan Santana, Sandy, entre outros.

O POPline.Biz é Mundo da Música conversou com o profissional que contou detalhes da sua trajetória visionária que possui mais de 20 anos, confira a Parte 1 desse incrível legado abaixo.

 

Berço Musical

 

Nascido em uma família imersa na música, Umberto Tavares possui o nome de batismo em homenagem ao seu avô, Umberto Silva, que foi Diretor e Tesoureiro da União Brasileira de Compositores (UBC) e autor de sucessos como “Ninguém é de Ninguém” e “Até Quarta-Feira”.

Umberto é filho de Jurema da Silva e sobrinho de Jussara e Robson, do “Trio Ternura” vencedores do Festival Internacional da Canção em 1970 ao lado de Tony Tornado e em 1971, sozinhos, com a música chamada “Kyrie”. Após o término do trio, Jurema trabalhou como backing vocal de Cazuza, Elba Ramalho, Marisa Monte, Sandra de Sá, Tim Maia. Umberto, quando criança, acompanhava os shows desses artistas e via todo o processo artístico. Então, a sua trajetória na música parecia destino.

“Cresci assistindo meu avô e meus tios ‘virando noite’ para encontrar a melhor palavra para encaixar em uma música que eles estavam compondo, e então, comecei na composição”, diz Tavares.

No entanto, Umberto tentou trilhar outros caminhos ao ser aprovado em Direito na Universidade Federal Fluminense (UFF) e visualizava a música como hobby, que logo ocupou o espaço da sua vida por completo.

Após apresentar as músicas na Editora da Sony Music, em 1998, teve a sua primeira canção gravada “A Gente Nunca Esquece” cantada por Maurício Matar que tornou-se nome do disco também.

No ano 2000, juntamente com Carlos Costa (Mãozinha), Cofundador da U.M Music, apresentaram para a Sony Music o “Bonde do Tigrão” que estava se destacando na Furacão 2000 e havia recentemente produzido quatro músicas com eles, e então, esse material foi apresentado à companhia.

A coletânea chamada “Funk Four” continha a música chamada “O Baile Todo”, que foi um sucesso nacional. No início do ano seguinte, a Sony os convidou para gravar o disco do Bonde do Tigrão que foi duplo de platina, vendeu 500 mil cópias e naquele mesmo ano, Umberto fez outros 12 discos para a Sony e nunca mais voltou para a faculdade de Direito.

Funk: o novo Pop

 

Analisando o mercado musical brasileiro, Umberto aponta que “o preconceito impediu o Funk de conseguir o que ele conseguiu há mais tempo”. Para o Produtor, o Funk conseguiu cumprir a função do Pop no país que após a geração de Fat Family, Vinny, Maurício Manieri, Kelly Key, Pepê e Neném, entre outros, terem deixado um “vácuo”.

“O Funk possui àquela frase da música que traduz muito bem: ‘é som de preto, de favelado, mas, quando toca ninguém fica parado’. É uma música de balada, de diversão. E por muito tempo foi associada exclusivamente às comunidades, a questão da falta de oportunidade, música de favela”, aponta Umberto.

Após esse período de transição, apenas em 2012, quando Anitta explodiu com “Meiga e Abusada” e “Show das Poderosas” que o Funk Melody passou a ser visto como uma possibilidade para ser encarado como uma música Pop.

“O Funk sempre foi dividido em montagem e o melody. O Melody sempre teve melodia, harmonia e não começou ali. Em 2005, havia a Perlla com música tema de novela, assim como o Leozinho, aí havia uma música como àquela ‘Só Zueira’, mas, a sequência de um mesmo artista, a gente não tinha”, diz Tavares.

De acordo com Umberto, que acompanhou a ascensão do gênero de perto, a sequência de sucessos de Anitta e outros artistas no mesmo período como Naldo e Sapão também abriram espaço para o Funk em outros canais.

“O Funk começou a entrar em rádios Pop – porque não entrava – começou a ser tema de novela, os portais de música Pop, inclusive o POPline, começaram a falar da Anitta naquele período e o Funk começou cumprir a uma função que se não abrissem para o Funk, ninguém cumpriria”, aponta o Produtor.

Umberto relata que nesse período houve uma “conspiração astrológica” na qual o Funk estava em 130bpm, que era a mesma velocidade das músicas de artistas em alta, como Ne-Yo e David Guetta, por exemplo. Dessa forma, era possível mixar as músicas nas festas noturnas de forma contínua, em sequência e sem interrupções.

“Você não conseguia tocar em certos tipos de rádio, porque não tinha a ver com a programação. Então, quando a gente envelopava esse Funk com uma ‘cara mais Pop’ em tudo, na produção musical, no clipe, na capa, no figurino, nos posicionamentos que o artista possui, enfim, vestir de uma forma mais pop como um todo, foi fundamental nesse processo”, analisa Umberto.

 

Pagode: força das composições e nas ruas

 

Como compositor, Umberto Tavares possui um extenso repertório de músicas de Pagode tendo canções gravadas, a partir dos anos 2000, por Gustavo Lins, Os Travessos, Belo, Sorriso Maroto, ExaltaSamba, entre outros.

Questionado sobre a atual popularidade do Pagode, Umberto defende que o o gênero nunca perdeu o seu espaço, mas, que precisou se adaptar a nova forma de consumo de música no digital.

“O pagode na verdade, ele nunca perdeu sua força nas ruas. Os shows de pagode são cheios, os pagodes em si com samba de mesa, sempre tiveram o seu público”

Para Tavares, as lives em 2020 mostraram a força do gênero e do seu catálogo musical. A música “Deixa Eu Te Querer”, composta por Umberto e interpretada originalmente por Gustavo Lins em 2004, está atualmente entre as TOP 50 mais ouvidas do Spotify, a partir de uma releitura do Grupo Menos É Mais.

“O movimento está muito além de uma moda. Não era uma ‘mod’” nos anos 90 como muita gente poderia pensar que fosse. Hoje estamos aqui, 30 anos depois, com o Belo fazendo uma live cantando Soweto com milhões de pessoas assistindo ao mesmo tempo, 4 horas de live e faltaram músicas, não deu tempo de cantar todas!

Que coisa linda, em meio a um ano tão triste, a oportunidade dele perceber a dimensão do seu próprio trabalho e de outros artistas que também fizeram; e também para o público, crítica, para o mundo da música, de uma certa forma, de entender a grandiosidade que têm esses artistas que possuem movimento e essa história”, celebra Umberto.

 

Versatilidade nas composições

Com um legado de composições românticas e dançantes, Umberto consegue visualizar processos distintos para essas criações.

“Mostrando os extremos: a música do Luan Santana com a Sandy, “Mesmo Sem Estar”, que é uma música completamente sobre amor, enquanto “Paradinha” com a Anitta que é uma música dançante. Meu trabalho é muito versátil nesse sentido.”

 

O compositor afirma que para uma música mais Pop, quando a pulsação e a base são importantes, a letra é feita em cima da base, apesar de não ser uma regra. Já quando a música é mais romântica, por exemplo, o processo é inverso: primeiro é feita a escolha de uma tema, em seguida é realizada a tradução desse sentimento no violão ou piano.

Na Parte 2, Umberto Tavares fala com o POPline.Biz MM sobre Produções Musicais, projetos como “Felicidade Black” e sua visão sobre oportunidades e novos artistas no mercado musical em 2021.

Para conferir a Parte 2, clique aqui.

Escrito por Láisa Naiane

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