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Torta de climão: convidado por Haddad em comício, Mano Brown critica o PT e causa mal-estar

Sempre polêmico e contundente, o cantor Mano Brown, ex-integrante dos Racionais MC’s, foi um dos artistas convidados para participar do comício em prol da candidatura à Presidência de Fernando Haddad e Manuela d’Ávila nesta terça-feira, (23), no Rio de Janeiro. Porém, diferentemente de artistas como Caetano Veloso e Chico Buarque, que fizeram um discurso apoiando o PT, Mano Brown não poupou críticas ao partido:

“Não estou aqui para representar ninguém e apenas a mim mesmo. O pessoal daqui falhou e agora vai pagar o preço. Porque a comunicação é alma, e se não está falando a língua do povo vai perder mesmo, certo? Falar bem do PT para torcida do PT é fácil. Tem uma multidão que não está aqui que precisa ser conquistada, ou a gente vai cair no precipício? Eu tinha jurado para mim mesmo nunca mais subir em palanque de ninguém, por que política não rima, não tem swing, não tem balanço, não tem nada que me interessa. Eu gosto de música, mas eu estou vendo casais se separando, amigos de mais 35 anos deixando de se falar, não está tendo motivos para comemorar. Não temos expectativa nenhuma de vitória”.

O público que estava nos Arcos da Lapa começou a vaiar Mano Brown, mas ele não se intimidou: “Se eu puder falar vai ser bom, também já vou parar, já é e foda-se. Tenho amigos que eu já não consigo olhar no rosto deles por causa de política, não vim aqui para ganhar voto, porque eu acho que já está decidido. Agora se falhou, quem errou vai ter que pagar mesmo, certo?!”.

Neste momento Caetano Veloso interrompeu o músico, disse: “Fechou!” e tentou contornar a situação: “Eu acho que a fala do Mano Brown é muito importante porque traz a complexidade do nosso momento, a mera festa pode parecer que temos uma mensagem simples a passar, ele trouxe complexidade, o Brasil tem sido bombardeado há algumas décadas por uma imbecilização planejada, onde filósofos dizem palavrão para acostumar a mente brasileira à ideia de que o cafajeste é que nos representa”.

Escrito por Helena Marques

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