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Entrevista: Shangela diz que 2ª temporada de We’re Here terá ainda mais vulnerabilidade

Drag queen confirmou que as histórias dela, de Bob e Eureka também terão maior destaque na nova temporada.

Programas com drag queens montando pessoas de fora do universo drag não é novidade, mas “We’re Here”, da HBO Max, ganha destaque por trazer as histórias das pessoas, das cidades onde visitam e, principalmente, por empoderar os participantes, suas famílias e suas comunidades.

We're Here segunda temporada
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Depois de uma primeira temporada super aclamada, com direito a indicação ao Emmy, Shangela, Bob The Drag Queen e Eureka retornam mais uma vez para pequenas cidades dos Estados Unidos, para destacar suas comunidades, histórias e mostrar que a comunidade LGBTQIA+ pode ser feliz até mesmo em cidades onde o preconceito muitas vezes predomina e principalmente assusta.

E nesta segunda temporada, que estreia na HBO Max nesta segunda-feira, dia 11 de setembro, Shangela confirmou que sua história, junto com a de Bob The Drag Queen e Eureka, também estarão mais presentes, mostrando uma maior vulnerabilidade das três drag queens além de toda a emoção que envolve os participantes da transformação e suas famílias.

“Eu definitivamente sinto que nesta segunda temporada vocês verão ainda mais vulnerabilidades dos apresentadores assim como de nossas filhas drag. Eu, Bob e Eureka realmente entendemos que se queremos mais transparência, honestidade e autenticidade de nossas filhas drags, nós temos que oferecê-las isso também. Então vocês terão neste ano ainda mais de nossas experiências pessoais e como elas ajudaram a nos trazer não apenas para este momento, mas nos ajudaram a superar desafios em nossas vidas que nos permitem sermos esses mentores, essas treinadoras”, explica Shangela durante coletiva de imprensa.

We're Here
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E passar por esses desafios todos como pessoas LGBTQIA+ nascidas e criadas em cidades pequenas e agora voltar a caminhar em cidades pequenas de todo os Estados Unidos, onde as comunidades LGBTQIA+ são ainda, em sua maioria, tímidas e até escondidas, pode acabar ativando alguns gatilhos, mas Shangela não tem medo.

“Nós tivemos que passar por muitas coisas em nossas vidas e ir para essas pequenas cidades, às vezes pode despertar alguns gatilhos, sabe, porque você pensa, ‘OK, eu estou neste nível em minha vida, eu pude viajar o mundo…’ E então você tem um momento onde você está de Drag nas ruas e as pessoas estão dizendo, tipo, que não vão mais comprar na loja porque você deixou essas aberrações entrar ou quando eles dizem que vão chamar a polícia porque estamos do lado de fora, na calçada. Então é chocante nesse sentido. Mas é um lembrete que essa pode ser nossa experiência naquele momento em particular, mas essa é a experiência de todo o tempo para algumas pessoas gays que vivem lá.”

“Então, até onde a gente ache que melhoramos em questão de visibilidade e representatividade, especialmente na televisão e cinema, nós ainda temos muito trabalho pra fazer e por isso que esse programa é tão importante, porque nós estamos por aí, nas estradas sujas, fazendo o trabalho e eu sou muito grata de fazer parte disso”, completou Shangela.

O retorno após uma pausa forçada

We're Here
Foto: JOHNNIE INGRAM

Para quem assistiu a primeira temporada de “We’re Here”, o último episódio foi um pouco chocante, já que Shangela, Bob The Drag Queen e Eureka começaram suas filmagens em Spartanburg, na Carolina do Sul, e tiveram que parar três dias após começarem, por causa da pandemia de Covid-19. O que foi devastador para as drags, suas famílias e toda a equipe do programa.

Mas elas não esqueceram de suas filhas drag de lá e o primeiro episódio da segunda temporada vê as três voltando à cidade na Carolina do Sul e continuando o trabalho.

“Você sabe, eu sou Shangela, eu amo voltar. Eu fiquei muito animada que nós iríamos voltar e recomeçar de onde paramos e eu conversei com Olin [filha drag de Shangela de Spartanburg] rapidamente durante a pausa. Apenas para dizer ‘nunca se sabe, baby. Continua aprendendo sua música’, porque eu já tinha dado a ele a música e eu falava, ‘Baby, não esqueça essa música’. Eu acho que ele ficou muito feliz que nós voltamos e não esquecemos dele porque isso significava muito pra ele, poder compartilhar essa história e se conectar com seu irmão assim.”

A nova temporada, inclusive, foi toda filmada ainda durante a pandemia de Covid-19, seguindo protocolos rígidos de segurança para evitar a proliferação do vírus.

Uma história de destaque

Com tantas histórias emocionantes e importantes de serem contadas, fica difícil escolher uma favorita, especialmente quando essa escolha tem que ser feita de uma mãe drag para suas filhas drags.

Sem poder escolher uma favorita e sem entregar spoilers, Shangela destacou uma história presente na segunda temporada de “We’re Here”, que ela acredita que tocou bastante seu coração e que vai tocar o coração de quem assistir.

“Eu mal posso esperar para as pessoas assistirem a segunda temporada. Há tantas histórias especiais. Uma em particular, e eu não estou dizendo que é minha favorita, porque todas são incríveis, mas eu vou dizer que essa tocou meu coração e eu mal posso esperar para as pessoas verem… E é quando nós vamos para Evansville, Indiana.

Eu não quero entregar muito, mas vocês verão que minha filha drag é muçulmana da Tunísia e vive de asilo nos Estados Unidos e por toda sua vida ele viveu em um espaço, em sua comunidade e sua família, em um espaço onde ele não se sentia seguro ou confortável de ser ele mesmo… E ele não podia porque legalmente poderiam machucá-lo, poderiam fazer bullying e ninguém podia fazer nada sobre isso. E viver nesse constante estado de medo de ser não apenas julgado, mas fisicamente machucado apenas por ser quem você é, quer dizer.. Tudo a sua volta te oprime.

Então isso realmente me tocou porque ele não tinha noção que a felicidade não era uma fantasia. Ele não sabia que ser gay assumido e orgulhoso era possível e ser feliz com isso… E eu acho que quando você ver a experiência dele em sua jornada no programa, não importa quem você é, querido, se você não se emocionar com essa história, você não tem um coração. Então, prepare-se.”

Como a própria Shangela afirmou ao final da coletiva: Para assistir a segunda temporada de “We’re Here” você precisa assegurar que tem bastante lenços para enxugar as lágrimas e água para se reidratar depois de tanto chorar.

Escrito por Kavad Medeiros

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