Laíla em seu último ato: comandando o desfile da União da Ilha em 2020 (Foto: Acervo Jornal O Globo)
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Sambistas lamentam a morte de Laíla, gênio do carnaval carioca

Diretor de Carnaval de 78 anos estava internado no RJ com Covid-19

A arte popular também é capaz de produzir gênios. Luiz Fernando Ribeiro do Carmo, mais conhecido como Laíla, nasceu, cresceu e desceu o morro do Salgueiro para fazer história no carnaval carioca. Nesta sexta-feira (18) entrou para a triste estatística de vítimas da Covid-19 no Brasil e deixou uma legião de fãs saudosos de seu talento.

Laíla em ensaio técnico da Beija-Flor em 2015 (Foto: Armando Paiva/Fotoarena/Folhapress)

O lendário diretor de Harmonia – que já deu expediente como compositor, intérprete, carnavalesco, produtor musical e muito mais – tinha 78 anos e estava internado desde o último final de semana no CTI do Hospital Israelita Albert Sabin, no Maracanã, zona norte do Rio de Janeiro.

Mesmo tendo recebido a segunda dose da vacina em maio, Laíla testou positivo após apresentar sintomas da Covid-19. Uma nota oficial chegou a ser emitida na tarde de ontem informando estabilidade no quadro de saúde do sambista. Porém, Laíla teve uma parada cardíaca irreversível no fim desta manhã.

Laíla deixa uma legião de admiradores que o viram revolucionar o espetáculo da Marquês de Sapucaí ao longo de mais de 50 anos de trabalho“, diz a nota oficial da Beija-Flor, agremiação onde Laíla esteve à frente da Direção de Carnaval em 12 dos 14 campeonatos da escola.

Polivalente, Laíla era sinônimo de disciplina e excelência no carnaval

Desde adolescente, Laíla já era um apaixonado pelo carnaval e chegou a montar uma escola de samba só para crianças no Morro do Salgueiro. O jovem líder deu seus primeiros passos na década de 1960 no Acadêmicos do Salgueiro, onde fez parte da equipe multicampeã ao lado de outros mestres como Fernando Pamplona, Arlindo Rodrigues e Joãosinho Trinta.

Ainda no Salgueiro, formou com Joãosinho Trinta uma dupla imbatível no carnaval carioca e levou a agremiação do bicampeonato de 1974/75. A parceria chamou atenção de Anísio Abraão David, que recrutou os dois para a então pequena Beija-Flor de Nilópolis. Juntos conquistaram os títulos de 1977, 1978 e 1980 e tornaram a escola da Baixada Fluminense uma das gigantes do Rio de Janeiro.

Laíla e Joãosinho Trinta em 1979: juntos revolucionaram o carnaval no Salgueiro e na Beija-Flor (Foto: Otavio Magalhaes/Jornal O Globo)

O ápice desta parceria deu-se em 1989 com o inesquecível enredo “Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia”, desfile que entrou para a história pela alegoria censurada do “Cristo Mendigo” rodeado de componentes vestidos como farrapos. A parceria chegou ao fim em 1992, com a saída de ambos da Beija-Flor. Cada um seguiu destinos diferentes.

Em 1996, Laíla retorna à Beija-Flor para preparar uma nova revolução – desta vez como líder de uma comissão de carnaval. Entre 1998 e 2018 emplacou 9 títulos e elevou a agremiação ao posto de maior campeã deste século (e a terceira maior vencedora de todos os tempos, atrás apenas da Portela e da Mangueira).

O luxo do lixo: o desfile impactante Beija-Flor em 1989 entrou para a história (Foto: Acervo Jornal O Globo)

Laíla também teve passagens por Unidos da Tijuca, Vila Isabel, Grande Rio e União da Ilha, onde esteve no último carnaval (em 2020). A disciplina e rigor com que cobrava seus componentes virou uma das tônicas do carnaval. Contudo, a busca pela excelência resultou em diversos campeonatos e a admiração de torcedores de todas as escolas.

Veja a repercussão da morte de Laíla nas escolas de samba e entre sambistas famosos e anônimos:

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Escrito por Daiv Santos

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