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Q da Questão: Chameleo e Thiago Pantaleão debatem “Sexualização dos corpos LGBTQIA+”

No terceiro episódio do quadro “Q da Questão”, que foi ao ar na última quarta-feira (17) no Instagram do POPline, os apresentadores Beni Falcone e Ariadna receberam os artistas Chameleo e Thiago Pantaleão para falar sobre a “Sexualização dos corpos LGBTQIA+”.

Para começar o debate, os convidados falaram sobre o processo de se descobrir LGBTQIA+, a repressão que sofreram do externo e a dificuldade em se aceitar.

“Por muito tempo eu não conseguir trazer para fora quem eu sou e isso foi acumulando e se tornou, no meu caso, uma crise de pânico. Eu sou de Curitiba, que é uma cidade bem conservadora, e quando eu me mudei para São Paulo foi quando eu finalmente entendi que eu posso ser que eu sou e hoje eu amo ser assim, porque é quem eu sempre fui, mas eu demorei bastante tempo para desabrochar. Eu acho que não existe felicidade maior do que aceitar quem você é e ser feliz com o corpo que você vive”, disse Chameleo.

A história de Thiago é parecida com a Chameleo, mas possui suas particularidades “Eu fui uma criança que cresceu em um lar evangélico, no interior do Rio de Janeiro, e eu passei da minha infância até a minha adolescência sendo exageradamente reprimido, achando que os meus sentimos eram errados e que a minha pessoa era indigna de afeto (…) todo esse processo foi muito doloroso, mas no fim das contas foi o que me trouxe até aqui, então eu ter a oportunidade de ser quem eu sou, sem medo e sem vergonha, expor tudo o que eu quero expor da forma que eu quero, é muito mágico”, explicou Thiago.

Apesar de suas vivências, os cantores afirmam ainda estar em processo de desconstrução e acreditam que faz parte do papel do artista “fazer as pessoas questionarem e sairem um pouco do quadrado”, declarou Chameleo.

Pensando nisso, ambos apresentaram recentemente projetos que exploram essa temática de libertação.

Chameleo lançou o o álbum “Ecdise”Ecdise é o nome que se dá ao processo de transformação do exoesqueleto dos répteis e representa o momento de transição e transformação do próprio cantor.

Foto: mar+vin

As 12 faixas que compõem o projeto servem como uma passagem para embarcar em um capítulo da trajetória de Chameleo. Desde histórias da infância, passando por um tratamento de câncer na vida adulta, chegando aos encontros e desencontros amorosos com um pendejo argentino.

O álbum conta com diversas colaborações: Pabllo Vittar e Carol Biazin, Konai, Alice Caymmi, Number Teddie, e claro, Johnny Hooker. 

CHAMELEO entrega conceito na capa do novo single “Tokyo”

Confira a música “Frequentemente” (feat. Pabllo Vittar):

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Thiago Pantaleão lançou na última semana a música e o clipe de “Grande Amor”, um esquenta para o seu álbum de estreia, com previsão para 2022.

O clipe gera reflexão sobre representatividade, já que é protagonizado por um casal de dois homens pretos. Para Pantaleão, lançar esse clipe é um ato de libertação: “Esse clipe é importante porque posso provar através da minha arte quem eu sou verdadeiramente, sem precisar fingir ou me esconder. É a realização de um sonho mostrar que existe amor em dois homens pretos, porque durante muito tempo eu não tive acesso a pessoas assim. Quando mais novo, eu não achava esse tipo de amor possível, porque nunca havia visto nada parecido”, afirma o artista.

Foto: Divulgação

“Ninguém questiona o porquê daquele casal hétero estar em clipe romântico, mas quando você decide fazer uma música romântica entre dois rapazes/duas meninas tudo fica ‘ah por quê?’, ‘está querendo mostrar demais’, ‘teve beijo’, ‘aconteceu isso’ e esses questionamentos não acontecem se você é cis/hétero porque as relações não são tão sexualizadas”, disse o artista durante a live do POPline.

Confira o clipe de “Grande Amor”:

Ainda durante a live, os integrantes debateram diversos tipos de preconceitos que são impulsionados pela própria comunidade LGBTQIA+, como a aversão pelo gay com trejeitos femininos, a fetichização dor corpos negros e da homossexualidade feminina.

“O machismo e a misoginia marcam toda a raiz desses preconceitos que nós estamos falando hoje”, apontou Beni Falcone.

“Depois que eu comecei a brincar mais e não me preocupar com o que as pessoas vão pensar, eu vi que eu tive uma certa reprovação justamente de outros gays, porque se eu quiser usar um cropped eu vou usar, se eu quiser colocar uma saia eu vou colocar, e isso meio que afasta outros homens gays, sabe?  É como se você tivesse que performar uma virilidade extrema”, exprimiu Pantaleão.

Sobre o quadro

O mais novo quadro do POPline, “Q da Questão”, aborda a temática Queer e como entender todas as nuances desse movimento. Apresentada por Beni Falcone e Ariadna, a live vai ao ar todas as quartas-feiras, às 21h30, no Instagram do POPline e recebe convidados incríveis.

Beni Falcone é ator e cantor, nascido no Rio de Janeiro. E, como ele mesmo resume, um ARTivista Queer. Como ator, Beni passou pelo Disney Channel, fez parte do elenco de High School Musical Brasil e protagonizou as duas temporadas da série “Quando Toca o Sino”, onde lançou 3 álbuns, dezenas de videoclipes e entrevistou popstars, como Demi Lovato e Selena Gomez.

Ariadna Arantes é uma das principais personalidades da comunidade LGBTQIA+ no Brasil. Foi a primeira e única mulher trans a participar do Big Brother Brasil. Em 2021, ela foi um dos destaques no retorno do “No Limite”.

Escrito por Luíza Tozzato

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