A morte de Preta Gil, confirmada na noite de domingo (20), aos 50 anos, encerra precocemente a história de uma artista que fez da música um espaço de liberdade, posicionamento e troca. Filha de Gilberto Gil, Preta construiu sua própria identidade artística misturando ritmos, defendendo causas e abrindo espaço para novos nomes da cena musical, que contaram com sua visibilidade e apoio para alçar novos voos.
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Foto: Larissa Kreili
Preta Gil nunca se prendeu a um único gênero: flertou com o pop, mergulhou no samba, se jogou no pagode, no axé, na MPB, no funk e na música eletrônica. Sua discografia e trajetória ao vivo são atravessadas por parcerias musicais que não só marcaram fases de sua carreira, como também refletem sua essência generosa, agregadora e plural.
Relembre algumas colaborações marcantes da cantora!
Gilberto Gil
O elo com o pai sempre foi artístico e forte. Os dois dividiram palcos e estúdios diversas vezes. O carinho e a admiração entre eles sempre foram públicos e comoventes. Juntos regravaram “Drão”, música que Gil escreveu para a mãe de Preta, Sandra Gadelha. Esta também foi a última música que Preta cantou em vida, também ao lado do pai.
Fran
O amor também se traduziu em música com o filho, Fran Gil. Em “Meu Xodó”, mãe e filho trocaram versos de carinho e cumplicidade, num registro que revela o quanto a música era uma extensão de seus laços familiares.
Gal Costa
Madrinha de Preta, Gal Costa foi uma presença fundamental em sua trajetória. A parceria das duas se cristalizou no single “Vá Se Benzer” (2019), um manifesto contra intolerâncias de toda ordem. O clipe, que reuniu mulheres negras, trans, indígenas e de diferentes corpos, virou símbolo da militância que Preta sempre defendeu e que Gal ajudou a amplificar ao seu lado.
Ivete Sangalo
Com Ivete, Preta compartilhou muito mais que o palco. A amizade entre elas rendeu parcerias como “Amiga Irmã”, uma das canções do projeto “Bloco da Preta ao Vivo”. Juntas, também gravaram “Coisas da Vida” para a abertura da novela “Elas por Elas”, ao lado de Duda Beat, unindo gerações do pop em um projeto simbólico sobre o feminino.
Pabllo Vittar
A faixa “Decote” (2017), em parceria com Pabllo Vittar, foi um divisor de águas, principalmente para a Drag Queen. Com clipe poderoso e estética ousada, a música simbolizou o encontro de duas gerações de artistas LGBTQIAPN+. Vale registrar também que Preta foi uma das primeiras apoiadoras de Pabllo no início de sua carreira.
Gloria Groove
Juntas, Preta e Gloria lançaram “Só o Amor”, música que entrou para a trilha sonora da novela “Bom Sucesso”. A canção, que fala sobre resistência, amor e orgulho, reforçou a conexão de Preta com artistas que seguem expandindo as fronteiras do pop nacional com mensagens sociais.
Israel Novaes
Na parceria com o cantor sertanejo, Preta mostrou seu lado mais irreverente com “Esculacho”. A mistura de arrocha e pop revelou sua versatilidade e disposição em transitar por diferentes territórios da música popular.
Psirico
Preta brilhou ao lado do Psirico com “Axé Disco” – uma verdadeira mistura de música baiana com a disco music. A faixa traz elementos retrô e é uma verdadeira celebração ao Carnaval, palco onde ela sempre reinou.
Thiaguinho
Com Thiaguinho, Preta gravou “Pega ou Desapega”, que se tornou uma das queridinhas nos seus shows. O pagode, que sempre foi presente em suas apresentações. ganhou ainda mais destaque nessa colaboração cheia de swing.
Ana Carolina
Juntas, Preta e Ana Carolina regravaram “Sinais de Fogo”, primeiro sucesso de Preta lançado em seu álbum de estreia. A versão ganhou nova força nas vozes das duas artistas em uma gravação ao vivo.