O ano era 2014 quando Meghan Trainor estourou mundialmente com “All About That Bass” e se tornou uma prioridade da Epic Records, subsidiária da Sony Music. Ela ganhou dois Billboard Music Awards e foi eleita a Artista Revelação no Grammy Awards. Tudo indicava que sua trajetória recém-iniciada seria um sucesso. Mas a história se escreveu de outro jeito. O primeiro álbum de Meghan foi um êxito em 2015, o segundo foi mais ou menos em 2016, e o terceiro ela nem consegue lançar. No último dia 8, a cantora liberou um EP, “The Love Train”, com seis faixas e seis videoclipes, mas o público ignorou. O EP não conseguiu nem entrar na Billboard 200, a parada de álbuns dos Estados Unidos, o que é mesmo impressionante. Há algo errado com Meghan Trainor.
Uma rápida pesquisa mostra que “The Love Train” não vingou, de fato. O EP aparece em 81º lugar no iTunes dos Estados Unidos e a única música que aparece em alguma parada digital é “Foolish”, que figura em 175º lugar na Apple Music de Fiji. É sério. Dos seis clipes que ela lançou, alguns ficaram na casa de 120 mil visualizações em uma semana. “Marry Me” se sobressaiu, com 3,9 milhões de acessos no período, porque tem o apelo de mostrar o casamento da cantora. Mas não foi sufiente para gerar interesse pelo EP. Na Billboard Hot 100, Meghan Trainor não consegue colocar uma música há quase um ano. A última foi “No Excuses”, que rendeu um Top 50 apenas.
É verdade também que, hoje em dia, Meghan Trainor não é mais uma prioridade da Epic Records. Depois de quatro singles Top 10 na Billboard em dois anos, o buzz em torno do nome da cantora enfraqueceu. Seus últimos sucessos foram “No” (2x platina nos EUA) e “Me Too” (3x platina) em 2016. No início de 2018, ela anunciou um álbum novo – “Treat Myself” – mas ele não saiu até agora, porque carece de um hit para chamar de seu.
– Eu senti que ninguém estava satisfeito com isso… É desolador quando uma música sua não funciona. Minha equipe me dizia ‘isso é ótimo, mas continue escrevendo’. Isso me matava. ‘Você não acha que é bom o suficiente? Pra onde eu vou?’, eu dizia. A indústria usa bastante essa estratégia, me falavam que eu ainda não tinha um single. Eu trabalhei por bastante tempo nesse álbum. – ela contou ao podcast “The Rewind with Guy Raz”.
Realmente, nenhum dos lançamentos de Meghan Trainor “funcionou”. “Let You Be Right” e “Can’t Dance” não entraram nas paradas de nenhum país. Botaram ela para gravar com DJ Sigala, com a boyband CNCO e com os cantores Jason Mraz e Kylie Minogue. Também não deu certo. Até o programa de TV “The Four”, no qual Meghan trabalhou como jurada, terminou sua 2ª temporada com audiência abaixo do esperado, deixando no ar seu possível cancelamento.
Existe no mundo todo um burburinho sobre a má sorte que dá receber o Grammy de Artista Revelação. Falam em “maldição” e Meghan pode ter caído nessa. Por exemplo, Amy Winehouse foi eleita a Best New Artist de 2008 e nunca mais lançou um álbum, porque sua vida degringolou. Em 2011, Esperanza Spalding venceu a categoria derrotando Drake, Florence + the Machine, Justin Bieber e Mumford & Sons. Todos são nomes mais relevantes do que ela hoje em dia. Em 2012, a banda Bon Iver levou o prêmio e acabou entrando em hiato logo depois. Em 2013, a banda fun. venceu a categoria e também encerrou suas atividades com a desculpa de “hiato”. Ou seja, complicado.

