Beyoncé lançou seu álbum novo no Tidal na noite de sábado (23/4), logo após a exibição de um filme com as músicas na HBO americana. O disco se chama “Lemonade” (limonada, em português) e muita gente está se perguntando: que título é esse? Mas tem uma justificativa muito plausível, de cunho sociopolítico.
Desde o single “Formation”, a popstar vem tratando do tema da discriminação racial e da violência histórica sofrida por afro-americanos. Em “Lemonade”, ela aprofunda essa pesquisa, como pôde ser visto no especial da HBO, com mais desdobramentos do tema. É aí que entra a “limonada” – uma crítica e um posicionamento da estrela.
Uma rápida pesquisa na Internet mostra que vários sites de beleza – note bem: sites voltados para estética – indicam limão como artifício de CLAREAMENTO DA PELE. Em suma, esses veículos partem do princípio que a pele clara é o padrão de beleza, o que reforça estigmas e discrimina os negros. Dermatologistas dizem, inclusive, que passar limão (a casca, em spray, ou o líquido – limonada) na pele pode trazer manchas e irritar a pele. Ou seja, pessoas de pele escura podem acabar se submetendo a um tratamento caseiro abusivo por conta de um padrão que merecia ser contestado e não reforçado.
Quando Beyoncé traz o “Lemonade” para o título, junto com o conteúdo do seu projeto novo, fica claro que ela está fazendo uma crítica ao “brancocentrismo” racista. É uma posição de empoderamento negro, black power. É esse padrão centrista – que coloca toda a etnia negra em posição de inferioridade – que leva, por exemplo, a comportamentos injustos de policiais com jovens negros inocentes nos Estados Unidos. Há quem fale, a nível global (e no Brasil também, de genocídio. O racismo é percebido claramente quando negros são considerados suspeitos e levantam desconfiança simplesmente por estarem andando na rua. No filme “Lemonade”, Beyoncé colocou pais de jovens negros assassinados nos Estados Unidos por absolutamente nada e deu espaço para o movimento “Black Lives Matter” (Vidas Negras Importam).


