A Nickelodeon se manifestou sobre a série documental “Quiet on Set: The Dark Side of Kids TV”, dizendo que busca “promover um ambiente de trabalho seguro e profissional, livre de assédio ou outros tipos de conduta inadequada”, mas em 2022 a atriz Jennette McCurdy afirmou que foi subornada para não expor os abusos sofridos durante o período em que trabalhou para a empresa.
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(Foto: Instagram @jennettemccurdy)
Jennette McCurdy disse que a oferta de US$ 300 mil veio por intermédio de um agente em seu livro “Estou Feliz Que Minha Mãe Morreu”. Disseram que ela encarasse o dinheiro como “um presente de agradecimento”, e frisaram que era livre de impostos. Mas, para ela, não havia nada “livre” ali.
No livro, ela não diz o nome de seu abusador. Jennette McCurdy se refere à pessoa apenas como “O Criador” (The Creator). Segundo a atriz, “O Criador” a embebedava quando ela tinha 18 anos e fazia massagem em seus ombros de “uma maneira imprópria”. “Eu quero dizer para ele parar, mas também tenho medo de ofende-lo”, ela escreveu no livro, narrando a experiência.
“Não é dinheiro livre. Isso me parece mais um suborno. Não vou pegar dinheiro de suborno. O que é isso? Nickelodeon está oferecendo US$ 300 mil de suborno para que eu não fale publicamente sobre minha experiência no programa? Minha experiência pessoal com o abuso do Criador? Esse é um canal com programas feitos para crianças! Eles não deveriam ter algum tipo de bússola moral? Eles não deveriam pelo menos tentar se reportar a algum tipo de padrão ético?”, escreveu Jennette.
Com a publicação do livro, fica claro que ela não aceitou o dinheiro. “Eu me inclino contra a cabeceira da minha cama e cruzo as pernas na minha frente. Estendo meus braços atrás da cabeça e os descanso ali em um gesto de orgulho. Quem mais teria a força moral? Acabei de recusar US$ 300 mil”, escreveu.
“Quiet on Set: The Dark Side of Kids TV” expõe abusos sofridos nos bastidores da Nickelodeon
“Quiet on Set: The Dark Side of Kids TV”, produzida pela Investigation Discovery, explora os bastidores da era do produtor Dan Schneider, que ajudou a criar, escrever e produzir inúmeros programas de sucesso da Nickelodeon, como “Kenan & Kel”, “Sam & Cat”, “Brilhante Victória”, “iCarly”, “Zoey 10″1 e muitas outras, inclusive “The Amanda Show” e “Drake & Josh”. Dividido em quatro partes, o projeto mostra como as produções infantis foram construídas em cima de abusos, agressões, racismo e dinâmicas inapropriadas com os artistas mirins.
(Foto: Reprodução)
Na série, Drake Bell falou pela primeira vez publicamente sobre os abusos sexuais que sofreu na época em que trabalhava no “The Amanda Show”, aos 15 anos. Ele foi convidado a morar temporariamente na casa de Brian Peck, ator e produtor da série, que também atuava como técnico de diálogos de “All That”. Ele disse que não soube como reagir ou o que fazer quando foi assediado, o que levou a novos abusos antes que uma acusação formal fosse feita.
Brian Peck chegou a ser preso em 2003 após seu acusado de 11 casos de abuso e ficou detido por 16 meses. Porém, voltou a trabalhar com crianças em 2005, na série “Zack & Cody: Gêmeos em ação”, antes da Disney ser pressionada a demiti-lo.
Ademais, “Quiet on Set: The Dark Side of Kids TV” também traz depoimentos de Alexa Nikolas, Bryan Hearne, Kratina Johnson, Giovannie Samules e Kyle Sullivan, entre diversos outros atores que trabalharam nas séries da Nickelodeon. O elemento em comum entre os relatos é o fato de todos descreverem pessoas que usavam cargos de poder para criar um ambiente de assédio.
