(Foto: Reprodução/Instagram)
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Konai apresenta suas “sad songs” e comenta comparações com Billie Eilish

Raros são os jovens talentos que despontam na cena brasileira na contramão do que está em voga no mainstream. De fato, Konai tornou-se referência de um novo gênero – sad songs -, que tem em Billie Eilish uma de suas representantes a nível global e chega com força ao Brasil.

João Vitor Portela dos Santos nasceu em São Paulo, contudo cresceu em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. O cantor “inventou” seu nome artístico a partir da mistura de dois personagens do filme Irmão Urso: Koda e Kenai. A mensagem do filme se assemelha ao que Konai deseja transmitir em suas músicas: o exercício da empatia e a percepção do próprio “eu”.

Depois de três anos trabalhando de forma independente, o cantor assinou com a Sony Music. Atração do festival online POPline Masks4ALL, Konai conversou com a gente sobre suas influências musicais e expectativas para os próximos passos na carreira.

Eu conheci suas músicas há poucos dias e fiquei muito admirado com seu trabalho. E você ainda vai fazer 19 anos. Em algum momento da sua adolescência você se sentiu “diferente” dos outros meninos da sua idade?

Sinto de várias formas, principalmente depois que comecei no meio musical. Porque os caras da minha idade normalmente não precisam lidar com coisas que preciso lidar agora. Mas acho que cada um adquire sua maturidade de acordo com sua experiência. As minhas, especificamente, tem a ver com relacionamentos amorosos. Transformei tudo isso em arte e transpus tudo isso para a minha música. Passar por todo esse processo e aprender a me expressar de alguma maneira foi muito edificante. Me preparou para o processo de ir para São Paulo e aprender a lidar com tudo.

Li em algum lugar que você se considerava um adolescente triste e, de repente, descobriu a aptidão para a música.

Meus dois pais (biológico e de criação) me ensinaram o básico de violão que sabiam tocar na época. Daí acabei pegando gosto pela coisa e busquei mais conhecimento na internet. Aos 14 anos fiz parte da banda do Colégio Militar [em Campo Grande/MS] e lá tive um contato mais teórico com a música. Tive contato com instrumentos de sopro como saxofone, clarinete e trompete, assim como instrumentos de percussão. Cheguei a ter uma banda de rock, mas achava que seria apenas instrumentista. Com 15 anos comecei a curtir rap e aos 16 descobri o sad songs, que é um estilo que alia a agressividade do rap com a melancolia do rock que eu sempre ouvi. O menino triste que precisava se expressar lá trás encontrou o som que achava mais legal e pode colocar pra fora tudo que o consumia por dentro.

Em algum momento você encarou a música como uma forma de escapismo, de fuga da realidade?

Na verdade, acho que a música e a arte em geral sempre deram sentido à minha realidade. Eu sempre encarei a música como a materialização de tudo de mais bonito que eu tinha dentro de mim e, consequentemente, de tudo de mais feio. Mas tudo bem enquanto tudo isso estava apenas o papel. Parecia que quando eu transformava aquilo em real, era mais fácil de lidar. Se eu tivesse algo confuso dentro de mim, quando eu transformava em música eu conseguia compreender melhor e observar “de fora”.

O que te incomodava nessa época?

Passei por muitos processos na escola por causa de aparência, por exemplo. Eu estudei em colégio militar e, no fundo, eu sentia que não me encaixava naquele lugar. Aquele realidade era péssima porque eu não poderia ser a pessoa que todo mundo esperava que eu fosse.

Toda vez que um novo artista surge, as comparações são inevitáveis. A Billie Eilish é uma referência natural, mas eu gostaria que você apontasse diferenças entre vocês.

Nosso estilo é paralelamente muito parecido. A forma como a Billie Eilish aborda os assuntos com muita maturidade é bem bacana. Mas por conta dos estudos de Filosofia que eu faço, as minhas letras exploram um lado mais humanista, quase existencialista em relação ao amor e etc. Acredito que ela não siga necessariamente a mesma linha. Curto muito a forma híbrida do som dela com o pop e a gente está tentando levar meu som para este caminho, sem perder nossa identidade. Certamente o som dela é um direcionamento para onde quero levar minha música.

E tem a questão dos rótulos. Sad songs, lo-fi, rap indie… Mas para além disso tudo, você traz no seu som uma coisa bem climática. Me lembra um pouco de Joy Division e Radiohead, por exemplo.

Eu já consumi tanta coisa pra agregar na minha música. Primeira banda que ouvi muito foi o Pink Floyd. Rock progressivo moldou minha musicalidade de uma forma bizarra e até hoje reflete no meu som. Aurora é outra artista que adoro e a Billie Eilish também curte. Acho muito interessante o pop alternativo dela. Também me inspiro muito em The Neighbourhood, RY X, XXXTentacion e por aí vai.

Qual é o seu disco de cabeceira?

Escolheria Animals, do Pink Floyd. Gosto muito das questões sociais abordadas nos temas deste disco. Ainda que eu fale muito de amor nas minhas músicas, a questão social também está interligada nisso tudo de alguma forma.

Mais que a condição de artista, você costuma falar sobre a missão de levar amor e ajudar as pessoas. Quando você se deu conta que alcançou esta meta?

Quando eu comecei a receber mensagens no Instagram, com relatos de pessoas falando sobre sofrer crise de ansiedade, que pensaram em até se matar. Mas que depois de ouvirem meu som reavaliaram suas decisões. Tudo aquilo que eu tinha de angústia dentro de mim eu consegui botar pra fora em forma de música. Nem todo mundo consegue o mesmo. Mas saber que minha música proporciona este bom sentimento é muito legal. Quando me dei conta disso, consegui colocar um norte, a dar valor a tudo isso e me encontrar, enquanto cidadão.

Você lançou o seu primeiro álbum Petricor há exatamente um ano. Ao analisar as letras deste trabalho, tem a percepção de que ele ainda reflete suas angústias ou você já tem outras inquietações?

Já tenho outras inquietações. Por que, de certa forma, quando eu lanço alguma coisa é porque já refleti muito sobre aquilo. O álbum demorou muito tempo pra ser produzido e durante todo esse processo algumas daquelas questões já foram resolvidas ou estão pendentes e se manifestando de várias formas em nossa vida. Acho que acabam sendo inquietações distintas a cada dia, na verdade. Entretanto, estou sempre buscando o entendimento de cada letra e o que me levou a escrever aquilo.

Você sempre trabalhou de forma independente e agora assinou com a Sony Music. Estar numa grande gravadora dá visibilidade, mas às vezes pode implicar em algum tipo de renúncia. Quando eles chamaram você pra conversar, o que ficou combinado em termos artísticos?

Eu estou muito feliz com o contrato que assinamos. Além disso, nunca questionaram coisas relacionadas ao meu trabalho como o fato de eu esconder um pouco o rosto ou de andar sempre de preto. Em nenhum momento eles foram contra meu estilo de som. Me mostraram um projeto interessante e me propuseram uma inclinação pop sem perder minha identidade.

O que seus fãs podem esperar daqui pra frente? Singles avulsos, um novo álbum, parcerias…

Sobre um novo álbum, ainda estamos idealizando um conceito. Mas, a princípio, a gente está com planos de lançar alguns singles. O próximo se chama “Amenizar” e sai no dia 5 de junho. E sim, estamos ainda conversando sobre algumas parcerias pela frente.

Você vai participar do POPline Masks4ALL. Pode adiantar o que está preparando para este domingo?

O festival é no dia 31, né? Então, vou cantar duas músicas: “Te vi na rua ontem” e “Odeio me sentir sozinho”. Apesar do nome dessa última, gravei antes do isolamento social começar. É uma coincidência enorme porque se assemelha um pouco com tudo isso que estamos passando nesse momento.

E para finalizar: você ainda se considera um cara triste?

Diria que me sinto realizado.

Sobre o POPline Masks4ALL

Logo da POPline Masks4ALL, festival online promovido pelo POPline
Foto: Divulgação

Nas últimas semanas um item se tornou essencial para a sobrevivência na luta contra a COVID-19: máscaras. O uso protege e diminui a possibilidade de contaminação no contato social. O objetivo do POPline Masks4ALL, que acontece no dia 31 de maio a partir das 14h (horário de Brasília), é garantir que as comunidades mais carentes brasileiras tenham acesso ao item cada vez mais escasso no comércio.

A transmissão terá performances exclusivas de mais de 50 artistas nacionais e internacionais direto de casa e com a sua doação de apenas R$10 você ajudará na fabricação destas máscaras que serão distribuídas para ONGs e entidades das cidades mais atingidas pela COVID-19 no Brasil.

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Os artistas com apresentações confirmadas são: Ana Gabriela, ANAVITÓRIA, Angel, Any Gabrielly, As Bahias e a Cozinha Mineira, Avril Lavigne, Bera, BFF Girls, Camilo, Carol Biazin, Cat Dealers, Clara x Sofia, Clau, Claudia Leitte, Cleo, Daniela Mercury, Day, Delacruz, Dennis DJ, Di Ferrero, Dubdogz, Dublack, Elana Dara, Fernanda Abreu, Francinne, Gabily, Gabriel Elias, Giulia Be, Glória Groove, Gretchen, Hungria, Illy, Jade Baraldo, Jão, João Klein, Joelma, JonJon Baile, Ju Moraes, Julia Joia, Karol Conka, Kelly Key, Konai, Lali, Lary, Lauana Prado, Liu, Lia Clark, Lorena Simpson, Lexa, Luísa Sonza, Ludmilla, Lucy Alves, Manu Gavassi, Mc Rebecca, Melim, Moon Taxi, One Republic, Pabllo Vittar, Pedro Sampaio, Pocah, PK, Preta Gil, Rennan da Penha, Roberta Campos, Rodrigo Suricato, Rogério Flausino (Jota Quest), Romero Ferro, Ruby, Ruxell, Sophia Abrahão, Urias, Valesca, Wanessa Camargo, Wc no Beat, Zaac e Zeeba.

E tem mais: os fãs doadores poderão participar de um jogo ao vivo durante a live, valendo prêmios exclusivos dos seus ídolos pop.

Faça sua doação, siga a rede social do @popline4masks4all e se prepare para o dia 31! Vai ser lindo!

Escrito por Daiv Santos

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