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Grammy 2018: artistas negros dominam lista de indicados – pela primeira vez na história

Depois de ser acusado de racismo por duas edições seguidas, com a viralização da expressão “Grammys So White” (Grammy Tão Branco!), a Recording Academy dos Estados Unidos apresentou, nesta terça (28/11), uma lista de indicados à 60ª cerimônia do Grammy Awards dominada por artistas negros – justamente. Os líderes de nomeações deste ano são os rappers Jay Z (8 indicações) e Kendrick Lamar (7) e o cantor Bruno Mars (6) – todos afroamericanos. O Grammy, enfim, se torna representativo do que já se nota nas paradas: o impacto de gêneros como rap, hip-hop, R&B, funk e soul feito por artistas negros.

Algo inédito acontece na categoria Álbum do Ano, a mais importante da premiação: 4/5 dos indicados são negros. Concorrem Childish Gambino (com “Awaken, My Love!”), Jay Z (“4:44”), Kendrick Lamar (“DAMN.”) e Bruno Mars (“24K Magic”) contra Lorde (“Melodrama”). É bastante significativo ter três rappers nesta categoria. Na última edição do Grammy, Adele (de “25”) levou o troféu principal – quando muita gente, inclusive ela mesma – achava que o justo seria dar o prêmio para Beyoncé (por “Lemonade”). O fato é que, desde 1959, apenas 10 artistas negros levaram o prêmio de Álbum do Ano, o que é um número bastante pequeno. A última vez foi em 2008 – Herbie Hancock com “River: the Joni Letters”. Ou seja, fará dez anos em 2018 e a Academia pode ter caído na real que realmente poderia estar sendo um tanto quanto racista em sua votação.

Diante disso, muitos artistas negros passaram a boicotar o Grammy. No ano passado, Frank Ocean não submeteu seu álbum à avaliação da Academia, apesar de ser o mais cotado à premiação. “Essa instituição certamente tem uma importância nostálgica. Apenas não parece ser muito representativa para pessoas que vieram de onde eu venho, e mantenham o que eu mantenho. Eu acho que a infraestrutura do sistema de premiação, do sistema de indicação e do sistema de seleção está datada”, disse o cantor, “eu realmente vou ligar na CBS nesta época do ano para ver quem ganhará a maior honra da noite e vocês sabem o que realmente não é ‘legal na TV’, caras? ‘1989’ ganhando álbum do ano no lugar de ‘Pimp A Butterfly’ [álbum do Kendrick Lamar]. Sem comentários para um dos momentos mais ‘defeituosos’ que eu vi na TV”. Neste ano, Drake fez o mesmo: também não quis submeter suas músicas e álbuns à avaliação da Academia – que passou a ser vista como dominada por homens brancos, hetero, cis e conservadores. Ele deu uma entrevista dizendo que os membros votantes sequer conseguem entender a natureza de seu trabalho.

– Aparentemente eu sou um rapper, mesmo que ‘Hotline Bling’ não seja um rap. A única categoria que eles conseguiram me encaixar foi na categoria de rap, também porque eu tenha feito rap no passado ou talvez porque eu seja negro. Eu não consigo entender o porquê. Eu ganhei dois prêmios, mas nem os quero, porque só me sinto estranho com relação a eles. Sinto-me quase alienado, ou como se estivessem tentando me alienar propositalmente, fazendo-me ganhar prêmios rap, ou me acalmar me entregando algo e me colocando nessa categoria porque é o único lugar onde eles acham que podem me colocar. – disparou o canadense.

Na 60ª edição da premiação, as duas categorias principais de canção – Gravação do Ano e Música do Ano – também estão representativas do mercado. Jay Z, Logic, Bruno Mars, Childish Gambino e Kendrick Lamar concorrem. Há ainda Luis Fonsi, com “Despacito”, representante latino. A única artista norte-americana e branca que aparece em uma dessas categorias é Julia Michaels, que mal ou bem representa outra parcela oprimida socialmente – a das mulheres. Pela lista de indicados, dá para prever que o Grammy 2018 não será “so white” em sua lista de vencedores. Fiquemos de olho.

Escrito por Leonardo Torres

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