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“Eu tava cansada de mim, não do palco”, desabafa Maria Gadú sobre depressão e militância indígena


De volta aos palcos após um hiato de dois anos e comemorando 20 anos de carreira, Maria Gadú está mais desperta do que nunca! Em entrevista ao jornal O Globo, a cantora falou sobre o seu tempo fora dos holofotes e da sua luta à causa indígena.

“Fiquei dois anos em turnê com “Guelã” (seu disco anterior, que traz no título a palavra “gaivota” numa das 274 línguas indígenas do Brasil, ele ressalta o número para chamar a atenção para um dos aspectos da riqueza ignorada dessas culturas). Queria ouvir outras coisas. Também queria espaço para estudar mais a fundo antropologia, que estudo desde 2014. Porque a história eurocentrista do Brasil não conta nossa história, minha origem indígena. E só tem um jeito de se aproximar da causa indigenista, de estudar isso: indo. E isso demanda outra relação com o tempo. Entre os indígenas há músicas lindas que duram dez horas”.

A pausa também foi importante para que ela cuidasse da depressão, que deu seus primeiros sinais em 2014: “Eu comecei a lidar muito mal com o que vinha de fora, tudo me abalava muito. Não tava me sentindo pronta pra fazer isso que tô fazendo agora ( turnê, discos ). Eu precisava estar mais preparada. Durante a turnê, já fui direto do hospital fazer show. Nunca desmarquei apresentação. Criei uma relação com o palco que faz com que eu trate aquele compromisso como inadiável. Não tenho como mandar atestado. É muito bonito a tua profissão ser um ato de comunhão. Saio de casa com a mesma intenção de quem comprou ingresso. Não parei por cansaço do palco. Eu tava cansada de mim, não do palco”, explicou a cantora.