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Entrevistas

Especial 2010/2019: As drag queens e o pop nacional

A contracultura que virou mainstream e segue se desenvolvendo surpreendentemente.

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“Lip-sync for your life”. Talvez essa seja uma das frases que mais me vem à cabeça quando penso em drag queens hoje em dia. Evidentemente, a popularidade do reality-show americano RuPaul’s Drag Race tem total influência nessa sequência de pensamentos. Ainda assim, não é de hoje que muitas dessas rainhas vão além da famigerada dublagem. Elas são donas de grandes vozes, excelentes composições, performances invejáveis e criações artísticas de alto nível. Aqui no Brasil não é diferente, nos últimos anos assistimos as nossas queens desfilarem seus talentos no mainstream e de pouco em pouco conquistarem um espaço cativo no mercado musical, sendo requisitadas e respeitadas pelo seu ofício.

Drags

Foto Pabllo Vittar: Ernna Costa / Foto Aretuza Lovi: Duh Marinho / Foto Glória Groove: Rodolfo Magalhães / Foto Lia Clark: Olavo Martins

Hoje em dia fica difícil iniciar qualquer papo de drag queen no Brasil sem mencionar Pabllo Vittar nas primeiras linhas. Pabllo está longe de ser a primeira queen brasileira, mas certamente foi a primeira a alçar grandes voos na carreira. Certamente quando a drag queen maranhense apareceu com o EP “Open Bar” e começou a fazer um barulho na cena pop em 2015 com sua versão para “Lean On”, do Major Lazer, nem a própria poderia imaginar o desenrolar da sua história na música e a sua importância para o movimento.

“Pabllo Vittar – além de ser minha irmã e uma das bichas mais queridas do mundo – é um tesouro recheado de identidade nacional e potência mundial. Ela engloba e representa diversos tipos de superação que parecem contar cada pedacinho do que é ser uma legítima bicha, afeminada, NORDESTINA! Ao mesmo tempo que casa isso com referências pop que brindam a infância e adolescência que parece que vivemos junto dela. É um trabalho tão polivalente e um sucesso tão inexplicável, que acaba impactando em toda uma indústria e toda uma nova safra de artistas que passam a se entenderem também como uma narrativa possível de existir.” – Glória Groove

“A Pabllo não só abriu portas, mas as escancarou. Ela trouxe todas as manas de mãos dadas, foi um divisor de águas e uma revolução na nossa sociedade, cultura e arte. Sou uma pessoa muito grata em conhecê-la e ver tudo isso acontecer, também por vir de outra geração onde as pessoas tinham uma outra visão de Drag e hoje não mais; estamos em todos os lugares. A Pabllo é a grande virada de chave para tudo isso, só tenho muita gratidão. Ela não revolucionou apenas o mercado nacional, mas o mundo, mostrando que Drag é arte e cultura.” – Aretuza Lovi.

“Todo mundo subiu junto, todo mundo deu um passo. O dela foi maior, é claro, mas ela ajudou a todas. Eu digo todas, porque não foi só com as cantoras, mas todas as drag queens do Brasil. Tenho plena consciência que ela foi um divisor de águas. Ela entrou e está na casa do brasileiro que não consome drag, que não consome cultura LGBTQIA+.” – Lia Clark.

Glória, Aretuza e Lia têm toda razão. Com as portas do mercado escancaradas por Pabllo Vittar, que chegou e peitou com muita bravura uma série de críticas pesadas, o caminho para as rainhas do entretenimento ficou um pouco mais pavimentado aqui no Brasil. Após os lançamentos seguintes de Vittar, os álbuns “Vai Passar Mal” e “Não Para Não”, os olhos do meio musical e de todo o público se voltaram para as drag queens, para a cultura drag – do acrônimo “Dressed Resembling A Girl”. Uma arte que é datada no início do século XX, mas para nós brasileiros ela nunca esteve tão próxima de todos, tão presente.

“A arte drag é a minha casa. É a expressão artística que mudou a minha vida, porque me permitiu me enxergar de verdade. Quando comecei a me montar, já sabia que poderia fazer coisas incríveis unindo drag e música, mas não tinha certeza da validação nem dos meus amigos, quem dera do resto do mundo! É realmente surreal ver onde chegamos,” conta Glória Groove.

Assim como disse Glória, a arte drag aliada à música pode mesmo chegar a lugares impensáveis. Hoje o papel desempenhado por esses artistas vai muito além do entretenimento e não há forma mais rápida e eficaz de passar mensagens importantes se não via arte. As canções das nossas queens, assim como suas performances e onipresença têm uma importância sem precedentes.

“Tenho consciência daquilo que represento e de quem eu sou. Ser uma drag no palco já é um ato muito representativo. Acho importante usar esse espaço também para termos um mundo melhor. Esse deveria ser um compromisso de qualquer pessoa, esteja no palco ou fora dele.” – Pabllo Vittar

“Hoje já consigo entender plenamente o quão importante e representativa é a nossa ascensão, principalmente neste cenário político e social. O medo já deu lugar a sensação de pertencimento e a vontade de fazer a diferença.” – Glória Groove

“Eu comecei a ter noção que minha arte é um ato político muito tempo depois de fazer sucesso. Foi apenas quando as coisas foram acontecendo, com a censura que eu sofri, com as mensagens que recebo dos fãs. Isso me motiva, pois além de ser um trabalho que amo fazer, ele muda a vida de outras pessoas. Eu acho que nem sei a grandeza disso e às vezes me perco aqui dentro, mas fico muito feliz.” – Lia Clark.

“Nós sentimos o peso disso, nós que estamos na frente, todas as meninas que estão na frente dessa representatividade de uma comunidade. É uma responsabilidade tremenda dar a voz a muitas pessoas, comprar a briga, defender e buscar o direito delas. Somos muito atacados, mas ser drag é resistir, ser da diversidade é resistir e resistiremos até o fim.” – Aretuza Lovi

Representatividade talvez seja a palavra chave para o trabalho que as drag queens brasileiras vêm fazendo. Pabllo, Aretuza, Glória e Lia ganharam um espaço no panorama musical nacional e revelam-se todos os dias como espelho de muita gente. Ainda assim, nos outros quatro mil cantos do Brasil, outras drags também vêm fazendo o mesmo dentro de seu espaço. Nininha Problemática, a primeira drag queen do pagode baiano, Potyguara Bardo com sua extensão vocal de tenor vem chamando atenção diretamente de Natal, assim como Kaya Conky que também é do Rio Grande do Norte e traz com ela uma irreverência sem igual. Samira Close, a queen que nos foi apresentada pelo universo de games, Mia Badygal, Kika Boom, Thereza Brown, Lamona Divine… Os nomes são muitos, é só procurar e perceber o quão diverso é o trabalho desses artistas. Não existem amarras ou livro de códigos, elas são plurais.

Diferente das músicas das drag queens estrangeiras – que por muito tempo e em sua maioria tratam do próprio universo queer e se assemelham no que diz respeito às produções quase sempre pautadas em música eletrônica, dance e disco – as brasileiras saem na frente no que tange a musicalidade. Vamos do funk ao forró, passando pelo samba, arrocha, rap, axé music e tudo isso pincelado com o melhor da música pop – gênero ao qual elas estão mais associadas e no qual hoje têm uma influência palpável.

O pop nacional teve um crescimento exponencial nos últimos anos e o sucesso das queens dentro deste universo não é mera coincidência. Drag é pop. Pop no sentido que os fãs mais xiitas do gênero gostam de atribuir ao mesmo. Elas se cercam de tudo desta cena, de cabo a rabo: visual, coreografia, beleza, videoclipe, live performance. Independente do que cantem ou da faceta e personalidade artística de cada uma, todas entregam o pop. Absolutamente todas.

“Eu fico muito feliz com o crescimento do nosso pop nacional. Sempre acreditei muito e apostei todas as minhas fichas. Me lembro de conversar com um empresário e ele falou que o pop não iria acontecer. Está mais do que provado que o pop nacional aconteceu de forma incrível, com muita qualidade, com muitas pessoas talentosas e está vindo uma geração mais incrível ainda para somar e as drags escreveram o movimento, o Drag Music se estabeleceu e fico muito feliz em saber que daqui a alguns anos vou olhar para trás e ver que meu nome está lá e fez diferença na história musical do país.” – Aretuza Lovi

“Eu lembro quando minha playlist não tinha uma música do Brasil! Eu não escutava música brasileira e hoje em dia eu consumo muito mais a música brasileira do que a internacional. É muito bom ver que isso está acontecendo aqui. Eu me sinto uma gay representada, que sempre ficava idolatrando os artistas internacionais e agora tenho no meu país artistas que posso acompanhar a carreira, o desenvolvimento, os lançamentos, as eras, as ideias e o melhor poder ir em shows dessas pessoas que estão rodando o Brasil. É muito bom também ver que nosso som está sendo exportado; a Anitta e todas as outras meninas dando um passo aqui e outro ali na carreira internacional, eu fico feliz.” – Lia Clark

Como Lia apontou, o nosso som está sendo exportado junto com os nossos artistas. Vale lembrar que no ano passado Pabllo Vittar foi a primeira drag queen e primeira brasileira a se apresentar no Europe Music Awards, a premiação da MTV na Europa, onde cantou o seu primeiro single internacional “Flash Pose” e ainda saiu premiada como a Melhor Artista Brasileira de 2019. Na última semana, junto com Anitta, ela também foi confirmada com uma das atrações do lendário festival californiano Coachella.

“Sinto que o âmbito pop brasileiro tem se moldado a partir de uma tendência de artistas com extrema autenticidade, recorte social/político e provocação visual. Muito dificilmente tem conseguido se estabelecer algum artista com discurso antigo, vão e repetitivo.” – Glória Groove.

O perfil provocativo dos artistas em destaque abordado por Glória e principalmente o perfil provocativo da drag queen é também o que traz a dificuldade para a mesma. Mesmo que neste momento as drag queens brasileiras estejam em um novo patamar e sendo recebidas pelo grande público com mais seriedade, ainda existe aquela parcela de audiência arredia à elas pelo simples fato de serem drag queens.

“As drag queens podem ter entrado muito mais no imaginário popular, mas ainda somos uma contracultura! Naturalmente haverão pessoas contra nosso som, nosso comportamento, nosso estilo, nossa expressão… Tudo isso faz parte do grande experimento social que é ser uma drag queen – principalmente no Brasil!” – Glória Groove

“Ainda vivemos muita resistência em diferentes assuntos. Mas também é verdade que hoje temos uma diversidade muito maior na música, o que permite tantos artistas e drags estarem se consolidando em suas carreiras.” – Pabllo Vittar

“Existe uma grande resistência ainda, mas estamos nessa luta para a quebra dessa barreira, para que as pessoas nos reconheçam com igualdade, que respeitem ainda mais a nossa arte. Estamos conquistando nossos espaços aos poucos, não só na arte drag, mas em toda a diversidade. Nosso país é muito preconceituoso, todo mundo sabe, mas seremos resistência, não iremos desistir. Estamos nessa luta com muito amor, muito respeito para garantirmos nosso lugar ao sol e mostrar nossa arte com muita dignidade.” – Aretuza Lovi

Fato é que mesmo sendo contracultura, as drag queens são uma realidade. Tudo o que já foi conquistado até aqui dificilmente será subtraído, dificilmente haverá marcha ré para esse movimento, ainda bem. Nós que somos público, fãs, espectadores, só temos a ganhar com o desenvolvimento dessas legítimas rainhas, que merecem não só atenção ao que produzem como absoluto e total respeito.

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Entrevistas

“Eu acredito no meu talento”: Lauren Jauregui conta ao POPline os rumos de sua carreira solo

Entrevista: cantora acaba de lançar o primeiro single de seu primeiro álbum e conta em que pé está o projeto.

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(Foto: Katia Temkin)

Já faz dois anos que Lauren Jauregui está em estúdio, trabalhando em seu primeiro álbum solo. Sua estreia, no entanto, é diferente da maioria dos outros artistas. Ela desenvolve seu álbum de debut acompanhada de forte interesse popular: Lauren vem do girlgroup Fifth Harmony, que colocou três álbuns no Top 5 da Billboard 200 e alcançou números fenomenais com o single “Work From Home”. Só o clipe desta música teve 2,2 bilhões de reproduções no Youtube.

– Como parte do Fifth Harmony, eu sei o quanto custou para alcançar esses números. Sabe o que quero dizer? Eu sei que levaram quatro ou cinco anos de trabalho duuuuro até termos um “Work From Home”. Eu sei o quanto esforço, energia e trabalho tivemos que dedicar para alcançar aqueles números e aquele sucesso. Eu sei que, se fui capaz de fazer isso pelo grupo, eu sou capaz de fazer isso por mim. – ela diz em entrevista ao POPline, parte da agenda de divulgação de seu novo single, “Lento”.

A música, em espanhol, é a primeira amostra do álbum, que ainda está em desenvolvimento. Ela criou a faixa com o produtor porto-riquenho Tainy, nome do momento no mercado latino. Selena Gomez, J Balvin, Anitta, DJ Snake e Becky G já recorreram ao seu talento. Lauren continua trabalhando com ele. É um dos colaboradores do seu processo criativo. Questionada se sente pressão para repetir o sucesso do Fifth Harmony, ela garante que não. O momento e a situação são outros.

– Eu acredito no meu talento e eu acredito no que eu posso fazer. Esses números não são imediatamente importantes para ninguém. Se você se pressionar para ser um fenômeno e ter um single estourado, você não consegue criar, produzir, e esperar que algo aconteça. Eu não meço meu sucesso em relação ao que alcancei no passado, eu meço meu sucesso em relação a quanto de energia estou colocando no meu trabalho e o quanto estou orgulhosa dele. Se eu amo, não importam os números. Você me entende? – ela diz com doçura.

POPLINE – Por que você levou tanto tempo para lançar um single novo?
LAUREN JAUREGUI – Uh, essa é uma boa pergunta! Primeiro de tudo, leva tempo para fazer os clipes, tem todo um plano. Então eu faço as músicas e a gravadora tem que concordar que é a música perfeita para sair. Tem que ter um acordo. Eu faço tudo com paixão e amo criar. Estava mais focada na criação do que no lançamento.

E sobre Tainy? Como foi trabalhar com ele?
Foi ótimo. Amo esse cara. É um grande ser humano, super talentoso. Eu amo trabalhar com sua galera.

Vocês lançaram “Nada” e “Lento” juntos. Fizeram outras músicas além dessas?
Sim, fizemos (risinho) A gente continua fazendo músicas juntos, na verdade, porque ficamos amigos.

O que “Lento” significa para você?
Hum… “Lento” não tem um grande significado, eu acho. Eu sinto que é mais como um contraste sensual para lançar, curtir a vibe, e mover o corpo. É assim que vejo a intenção de “Lento”.

Você está explorando suas raízes latinas em “Lento”. O que te motivou a finalmente fazer isso?
Eu queria fazer música em Miami. Sabe o que isso significa? (pausa) Eu venho criando músicas há dois anos, mergulhando nesse processo, descobrindo qual é meu som, como eu quero chegar às pessoas e como eu posso colaborar com a gravadora. Ir para Miami pareceu a oportunidade ótima para buscar esses elementos. Quando cheguei ao escritório em Miami, eu me senti muito bem. Eu provavelmente morreria se não explorasse minhas raízes na minha música. Não tenho nenhuma ressalva com isso.

Você vem trabalhando em estúdio por dois anos. “Lento” é completamente diferente de “Expectations”, a primeira música que você lançou. Mudou a direção do álbum?
“Expectations” não entrará no álbum, então “Lento” é tecnicamente a primeira vibe do álbum. Mas eu vou lançar outras músicas em breve e vocês terão uma noção melhor do conjunto do álbum. “Lento” é definitivamente uma das vibes que ele trará.

Quantas músicas finalizadas você já tem?
Eu tenho… (risinho) Eu acho que tenho umas cinco músicas finalizadas. Talvez quatro, talvez cinco, por conta da masterização. Mas eu tenho centenas de músicas (risos).

Podemos esperar o álbum para este ano?
Sim. Obviamente estamos enfrentando circunstâncias inesperadas, mas estou fazendo meu melhor para ter o álbum e executar isso. Mas, ao mesmo tempo, não tenho o controle de salvar o mundo, então infelizmente não sabemos o que poderá acontecer. Mas meu objetivo é, absolutamente, lançar o álbum neste ano. Esse é meu objetivo.

Há dois anos, você disse que seu álbum não traria participações, porque você quer que conheçam sua voz. Mantém essa decisão?
Hum… Eu digo o que penso no momento, sabe? Mas me dei conta que tenho algumas participações que somam tanto às músicas, mas tanto, que… Trabalhar com pessoas que eu realmente admiro é uma das melhores partes de fazer música, então eu não mantenho essa restrição, mas a maior parte do álbum serei só eu. Só eu. Eu tenho muito a dizer. As faixas que trouxerem participações é porque são essenciais, agregam muito e foi ótimo trabalhar com essas pessoas.

(Foto: Katia Temkin)

Qual seria o melhor elogio para seu álbum?
Meu Deus, meu favorito é quando alguém me diz que minha música o fez se sentir visto, escutado e menos sozinho. Esse é o melhor elogio para mim: quando minha música, minha inspiração e minha cura podem te oferecer uma cura para seus próprios sentimentos.

Vocês todas do Fifth Harmony têm estilos musicais diferentes hoje em dia. Você se identifica com o som de alguma das outras cantoras?
Acho que cada uma tem sua própria vibe. Eu sempre vou apoiar se elas estiverem fazendo as músicas que gostam. É tudo que importa.

E o Brasil, hein? Seus fãs sentem muitas saudades. Claro que enfrentamos o coronavírus agora, mas podemos esperar uma visita sua no futuro?
Sim! Assim que eu puder, quero fazer turnê com essas músicas. Não há dúvidas na minha cabeça de que quero ir ao Brasil. Eu amo o Brasil. AMO! Não há paralelos para os shows feitos aí. Eu nem consigo me ouvir quando estou cantando! (gargalha) As pessoas cantam mais alto do que eu! Eu definitivamente voltarei.

Para terminar, deixe uma mensagem para os fãs.
EU TE AMO MUITO! (fala em português) Muito obrigado por seu apoio. Muak!

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Entrevista: cantor HRVY fala sobre música inspirada em fã, continuações do clipe de “Me Because Of You” e sonha com colaboração com o BLACKPINK e Billie Eilish

Conversamos com este jovem britânico de apenas 20 anos louco para encontrar os fãs brasileiros.

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Com as ferramentas de divulgação de música online, que permite a qualquer um disponibilizar seu trabalho para milhões de casa, e a disseminação dos reality shows de canto, o mundo teve acesso a uma nova geração de cantores. São jovens que sonham em viver de suas composições, de seus shows, e inspirar uma legião de fãs.

Foto: Divulgação

HRVY, uma abreviação de seu nome de batismo, Harvey, é um britânico de apenas 20 anos e que começou sua caminhada apoiando artistas como Little Mix, The Vamps, Jonas Blue e NCT Dream em turnê e esteve com Danna Paola, a Lucrécia de Elite, em um remix para a música “So Good”.

Com os primeiro EPs de 2017, “Holiday” e “Talk to Ya”, HRVY já conquistou fãs no Brasil e expandiu os seguidores principalmente com a faixa “Personal”. Agora, o cantor trabalha em seu primeiro álbum de estúdio e prepara sequência para o atual single “Me Because Of You”. A faixa foi inspirada por um tweet de uma fã.

Conversamos com ele sobre o que está por vir e sua relação com fãs aqui no Brasil. Confira:

POPline: Oi HRVY, como você está? Legal falar com você!
HRVY: Olá! Ótimo falar com você também. Estou animado por essa entrevista, uau, quem dirigia esse jovem de Londres, Inglaterra, conversando com o Brasil.

(risos) Você começou o ano de 2020 com um novo single, “Me Because of You”, e ele foi inspirado por um fã, correto? É uma declaração de amor, mas não necessariamente para um amante! Ela sabe que a música partiu do tweet que enviou?
Esta é realmente uma história louca, pouco antes de entrarmos em um acampamento de composição eu estava percorrendo o Twitter respondendo aos fãs e me deparei com esse tweet: “sou apenas eu por sua causa” e fiquei super inspirado por isso. Eu pensei que seria um ótimo título e, ao invés de apenas escrever outra canção de amor genérica, o título tinha muito mais significado. Literalmente diz como realmente é, estou apenas fazendo as coisas que amo e vivendo meus sonhos por causa dos meus fãs. Na verdade, sou apenas eu por causa deles, então eu queria dedicar e escrever uma música para os fãs.

Você conseguiu falar com ela depois?
O mais louco é que voltei alguns dias depois que escrevemos e procurei a fã para contar a ela, mas não a encontrei. Então, quem quer que seja, obrigado, eu te amo!

E o videoclipe sai um pouco da letra real, mas ainda tem esse sentimento de pertencer a algum lugar ou com alguém. Como você chegou a este conceito?
Eu queria fazer algo diferente, não apenas uma história de amor. O roteiro foi todo inspirado em filmes de ficção científica como Jogador Nº 1 e Guerra nas Estrelas, etc. O clipe e a música nem sempre se complementam, mas neste mundo da música temos ainda que sermos interessantes visualmente. A ideia partiu em um voo para Los Angeles e desenhei esse mundo em todas as minhas viagens e coisas relacionadas a mim, então eu tive a ideia de fazer dois vídeos consecutivos e a história se entrelaçando. Foi super legal filmar também, nós fizemos na África do Sul. Mal posso esperar para você ver mais.

Então você não vai dar uma de “Telephone” e nos entregar a continuação (risos).
(risos) Sim, eu não posso falar muito, mas como qualquer história eu gosto de pensar que ela tem início, meio e fim. E existe um fim e que fim! (risos)

Você já abriu shows do Little Mix, The Vamps, colaborou com o NCT e Jonas Blue e pelas suas músicas fica claro que você gosta de pop e música eletrônica. Você tem uma lista de parceria dos sonhos? Quem é que está nela?
Eu absolutamente amo o BLACKPINK, uma colaboração seria incrível. Já fiz parceria com o NCT Dream e eles são tão legais, amo o k-pop em geral, os vídeos e as cores são maravilhosos. Sobre colaborações futuras, a lista de desejos é enorme. A Tori Kelly tem vocais insanos, eu amo, amo, amo, amo Billie Eilish. Ela é super legal, a música dela é ótima.

Para o nosso público que não te conhece, o que você quer que eles saibam?
Quero que saibam que eu tenho novas músicas para sair em breve, estou fazendo uma turnê mundial. Que mais? Eu amo amo amo dias preguiçosos quando fico andando de cueca pela casa, assistindo Netflix, amo o TGI Fridays que é um restaurante, não sei se vocês tem, é típico uma refeição americana. Amo carros esportivos, ficar com minha família. Então, quem quiser saber mais, espero que isso que dê uma ideia além do habitual.

Você começou muito jovem. Quando soube que queria seguir a carreira da música?
Eu cantava muito na escola com meus amigos quando eu tinha uns 13 anos e eles me incentivaram a publicar vídeos no Facebook e o primeiro foi do Trey Songz, “Simply Amazing” e ganhei milhões de visualizações. Eu mal conseguia acreditar, ficava ‘uau, 10 mil’, depois 100 mil, um milhão e cada vez que subir eu ficava mais animado. Meus amigos também então eles me incentivaram a colocar mais, eu coloquei mais alguns e foi assim que conheci meu empresário e minha jornada começou, foi uma loucura.

Você apenas lançou EPs até agora. Planos de um álbum?
100% de chance de um álbum inteirinho. Estou neste momento no processo de terminá-lo. Para aqueles que quiserem saber mais, fique ligado nas redes sociais porque vai sair este ano. É tudo o que posso dizer neste momento.

Tudo bem! Então conte pra gente como é seu relacionamento com os fãs no Brasil!
UAU!!! Os fãs brasileiros são incríveis, provavelmente eu recebo mais tweets do Brasil do que de qualquer outro lugar do mundo! Meu empresário disse que ‘Personal’ é disco de platina aí e é insano! Então muuuuuito obrigado por todo amor e apoio de vocês!

Então com essa turnê se desenrolando, chance de vir para cá?
Geralmente começa com uma viagem inicial ao Brasil e depois um show, mas eu estarei 100% quero e estamos apenas tentando resolver tudo agora. O Brasil está definitivamente na minha lista de desejos. Parece surreal… as praias, a comida. Estou super empolgado para chegar aí, então sim, vejo vocês em breve. Um beijo enorme para todos os fãs brasileiros. Amo vocês (disse em português).

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Entrevista: Leigh-Anne confirma nova sonoridade para o Little Mix, adiamento do LM6 e volta a falar sobre o Brasil “melhor viagem da minha vida”

Quarteto britânico lança nesta sexta-feira o primeiro single da nova era, “Break Up Song”.

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Não faz nem um mês que o Little Mix visitou o Brasil pela primeira vez. A pandemia de Coronavírus nos colocou o tempo em outra perspectiva e a sensação que temos é de que fazem muitos meses que tivemos esse encontro com uma das maiores girlbands da história. Entretanto há três semanas apenas Leigh-Anne Pinnock e Jade Thirlwall contaram com exclusividade ao POPline que o sexto álbum do grupo estava à caminho e a notícia foi instantaneamente republicada em veículos brasileiros e de todo o Reino Unido.

Foto: Jack Alexander

Era a confirmação que todos esperavam e a gente só não sabia que a primeira amostra desse disco chegaria tão rapidamente. Nesta sexta-feira (27), o Little Mix liberou nas plataformas digitais “Break Up Song”, música que dá início a uma nova era e ao que parece ela será realmente escrita de forma diferente. O single, que tem uma pegada oitentista – que está super em alta – , nos mostra um Little Mix mais maduro e pronto para explorar sonoridades jamais exploradas pelo quarteto. Diria até que “Break Up Song” nos traz um grupo mais adulto, distanciando-se de outros sucessos como “Black Magic” e “Hair”, que tinham um público alvo totalmente diferente.

Para entender melhor o novo single, a nova fase do Little Mix e adiantar mais detalhes do aguardado “LM6”, conversamos novamente com Leigh-Anne, desta vez ao telefone diretamente de sua casa na Inglaterra. De quarentena, Leigh nos atendeu e falou um pouco mais sobre o direcionamento do grupo, alguns medos em relação ao visual adotado em “Break Up Song”, adiamentos envolvendo a pandemia de Coronavírus, o reality show “The Search” e, claro, a sua passagem pelo Brasil, que de acordo com ela mesma foi “a melhor viagem” que já fez na vida!

POPline: Oi Leigh! Aqui é a Mari, conversamos há umas semanas aqui em São Paulo!

Leigh-Anne: Oiiii, tudo bem?

Tudo! E você?

Eu estou bem também, obrigada!

É muita legal poder falar com você de novo. Eu tive o prazer de escutar “Break Up Song” antes do lançamento e fiquei muito surpresa com muitos aspectos dessa música! Ela é incrível, parabéns!

Aahh, muito obrigada! Preciso dizer que estamos muito animadas com essa música! Mal posso esperar para que todo o mundo possa ouvi-la!

Acredito que o mais importante a respeito deste single é que ele é algo completamente diferente de tudo que o Little Mix já fez. Por que vocês escolheram este caminho?

Acho que o que a gente realmente queria era uma ótima música pop. Tivemos a ideia de fazer uma música com uma pegada mais 80’s há um tempo atrás… Na verdade, não a escolhemos como primeiro single instantaneamente. Ela sempre foi uma das nossas favoritas, mas ela não estava finalizada. Me lembro de escutá-la uma vez e pensar assim, ‘Por que não finalizamos essa música? Vamos deixar assim?’. Depois de um tempo finalmente conseguimos finalizar e eu nem consigo explicar direito! Acho que ela é uma música pop muito boa e talvez por isso soe tão diferente de todas as outras. Eu não sei ao certo, mas acho que essa pegada 80’s deixou a música muito mais ‘descolada’.

A produção de “Break Up Song” também é bem ousada, se comparada a músicas antigas do Little Mix. Diria até que esta é uma música mais adulta e mostra um lado diferente do grupo, musicalmente. Estou certa?

Sim, com certeza! Mas eu também acho que ela tem aquele elemento mais cativante, então ela fica na cabeça das pessoas. Eu também acho que os sintetizadores oitentistas também são super pra cima e toda vez que eu ouço, eu fico super feliz e é exatamente o que eu acho que a música faz! É o que eu acho que essa música fará com as pessoas.

Vocês sempre tiveram vocais poderosos, mas acho que esta é uma das melhores produções do Little Mix. Concorda?

Obrigada. Hmmmm, sim eu acredito que é algo muito diferente, fresco.  As pessoas têm aquela sensação de ouvir a música, mas não saber ao certo de quem é, o que é muito interessante. Espero que todos gostem muito.

Tenho certeza que sim! “Break Up Song” é altamente influenciada pelo som dos anos 1980 e esta é uma tendência do mercado neste momento. Essa sonoridade é uma referência que representa bem o som do “LM6” ou é uma faixa mais isolada?

Sim! Definitivamente eu acho que ela representa o disco muito bem. Acho que esta é uma ótima introdução ao que o álbum está se tornando!

O vídeo teaser do Instagram para “Break Up Song” também é bastante influenciado pelos anos 1980! Você até está usando um corte de cabelo no estilo mullet! O clipe também será assim? Como foi essa filmagem?

Nós ainda não filmamos o videoclipe oficial dessa música, o que é uma pena, e obviamente não podemos fazer um vídeo nesse momento, mas temos algo para lançar e será muito legal. A gente fez um vídeo vertical para o Spotify, que também tem essa vibe oitentista super ‘cool’ e foi daí que saiu o meu visual com mullet, risos! Cara, eu tava com tanto medo de mostrar esse cabelo! Não sabia se as pessoas iriam gostar, porque obviamente é muito diferente e eu nunca fiz nada nem parecido com esse estilo antes. Mas eu sempre gosto de fazer coisas diferentes no meu cabelo e experimentar, então pensei ‘por que não?’. Eu adorei!

Eu adorei, Leigh! Ficou super legal! Amei o mullet e as ombreiras!

Ahhh, obrigada! Foi muito legal mesmo. A gente nunca fez nada com essa pegada anos 1980 e o estilo dessa época era muito legal, tão diferente. Foi incrível poder se vestir assim e de uma maneira que nunca nos vestimos antes.

 

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Uma publicação compartilhada por Little Mix (@littlemix) em

Acho que eu fui uma das primeiras repórteres a ouvir a novidade a respeito do novo álbum e instantaneamente fiquei super ansiosa por ele! Como você se sente a respeito desse trabalho? O que você espera dele?

Sim, é verdade! Você foi mesmo! Eu estou super animada. Todas estão super ansiosos por músicas novas. Esse será um excelente álbum pop. Acho que tentamos escutar os nossos fãs ao máximo também e sabemos exatamente o que eles querem ouvir. Da mesma maneira que também escutamos a nós mesmas e entendemos o que queremos cantar e o estilo que queremos seguir. Estamos levando em conta todo esse feed-back e opiniões e esperamos que todos gostem e que seja o nosso melhor álbum.

Você e Jade me confirmaram que o novo disco sairia antes do verão inglês. Isso ainda está confirmado? Afinal de contas, quando conversamos a pandemia de Coronavírus ainda não estava neste estágio e vocês podem ter mudado os planos um pouquinho…

Ah é verdade. Eu não vou mentir, acho que teremos que adiar algumas coisas, o que é uma grande pena, mas são coisas da vida… Tudo que foi planejado vai sair sim. Espero que todos sejam um pouco mais pacientes com a gente… Mas sim, teremos que adiar um pouquinho.

E o “The Search”? Segue confirmado? Como vão as gravações?

Sim! Já fizemos praticamente toda a parte de filmagem do “The Search” e o talento dos participantes é inacreditável! Vamos criar uma banda incrível ali! A filmagem dos shows ao vivo será em breve, o que é muito animador. Foi muito interessante estar do outro lado da mesa, sabe? Criticar as pessoas e olha-las da perspectiva que nos olharam anos atrás. Acho que foi muito difícil para a gente dizer não às pessoas! A gente sofreu muito com isso, porque obviamente estamos mexendo com sonhos e nós tivemos os nossos sonhos lá atrás. Saber que elas não passarão de fase e que estamos destruindo sonhos é horrível, mas tentamos observar que estamos entregando ótimas críticas construtivas, elas se divertem muito no programa e a experiência também é incrível. Esperamos que levem algo de bom e positivo com elas, mesmo que não cheguem a final, mas ainda assim foi muito, muito difícil.

E a turnê? Porque vocês também têm uma grande turnê agendada para o verão do Reino Unido. Ela também irá sofrer alterações?

Nada foi confirmado ainda, mas se tivermos que adia-la, adiaremos. As coisas ainda estão muito no ar, sabe? Estamos todos no mesmo barco! Mas se precisar adiar até que toda essa coisa se resolva, é isso que faremos, infelizmente.

Foto: Jack Alexander

Já que estamos neste assunto, o que você tem feito na quarentena? Alguma recomendação para os mixers brasileiros?

Eu adotei uma rotina, sabe? Então eu acordo, vou para a academia, malho um pouco e depois eu tomo café da manhã e às vezes faço um vídeo no Tik Tok, risos! Depois ando com meu cachorro, porque o clima está muito bom esses dias… À noite assisto Netflix e fico mais tranquila. Mas está muito difícil entender tudo isso e acho que o melhor mesmo é tentar criar uma rotina, algo que você consiga cumprir todos os dias, porque a sua rotina normal você não poderá ter, então crie uma nova! É isso que tenho tentado fazer.

Eu escutei de muitos artistas que este também é um período interessante para estimular a criatividade. Obviamente estamos pensando uns nos outros, no mundo e temos tempo! Muita gente está escrevendo!

Sim! Isso é algo que definitivamente vou começar a fazer! Eu queria muito ter um estúdio em casa, assim eu poderia simplesmente mergulhar lá dentro! Mas acho que posso também receber algumas produções e começar a escrever e trabalhar nelas, seria maravilhoso! Acho muito importante ser criativo em tempos como este. Estimular a mente, fazer qualquer coisa ajuda a te manter mais pra cima e deixar as coisas um pouco mais divertidas.

Leigh, muito obrigada mais uma vez! O show em São Paulo foi tudo que a gente queria e queremos muito mais! Espero que voltem logo e desta vez com a Perrie!

Ahhhhh, risos! Meu Deus, preciso confessar! Honestamente, essa foi a melhor viagem da minha vida! Eu amei demais tudo! Aproveito para agradecer a todos os nossos fãs brasileiros por nos fazer se sentir em casa e sinceramente, mal posso esperar para vê-los de novo!

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