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Entrevistas

Especial 2010/2019: a internacionalização do pop nacional

Anitta, Pabllo Vittar, Ludmilla, Lexa, Luísa Sonza e IZA exploram oportunidades internacionais tanto em parcerias quanto agenda de shows fora do Brasil.

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Anitta no tapete vermelho do Grammy Latino 2019: cantora já foi indicada cinco vezes (Foto: Getty Images / Uso autorizado POPline)

Ainda era 2014 quando Anitta começou a falar em carreira internacional. Na época, seu maior sucesso ainda era “Show das Poderosas”, mas ela já tinha uma versão em espanhol para “Zen”. Pode falar? Quase ninguém botou fé. “Demora. É um trabalho difícil, de formiguinha. Talvez não seja tão rápido quanto foi aqui”, ela disse em uma entrevista na época. Corta para 2020: Anitta se prepara para fazer um show no palco principal do Festival Coachella, evento bombado que já recebeu nomes como Paul McCartney, Madonna, Beyoncé, Lady Gaga e Amy Winehouse nos Estados Unidos. A internacionalização de Anitta já é um fato, mas o que era ainda mais impensável aconteceu: o pop brasileiro, como um todo, passou a ser notado para além de nossas fronteiras.

Pabllo Vittar também está escalada para o Festival Coachella, além do Lollapalooza na Argentina e no Chile e do Sydney Gay and Lesbian Mardi Grass na Austrália. Ludmilla, recentemente repostada por Justin Bieber, gravou uma música com a rapper americana Cardi B e avalia outros convites internacionais. IZA conseguiu emplacar os americanos Major Lazer e Ciara em uma música para o mercado brasileiro, “Evapora”. Lexa viajou para sua primeira turnê internacional dizendo que ia “cantar para brasileiros” e teve que voltar a Portugal para mais shows – para portugueses. Luísa Sonza foi a escolhida pela boyband PrettyMuch para a música “The Weekend”. MC Rebecca, somente com um ano de carreira, apareceu no Top 100 global do Spotify: foi o impacto de “Combatchy”, música de Anitta também com Lexa e Luísa, toda cantada em português. O pop brasileiro virou música para exportação.

“A música brasileira é referência de música boa, de música de qualidade, de música inventiva. Acho que nosso país é muito rico e, na verdade, os estrangeiros se beneficiam muito disso – da nossa musicalidade”, avalia a cantora IZA, já elogiada por nomes como Cee Lo Green, Piso 21 e Clean Bandit. “Acho que a nossa versatilidade é muito incrível. Desde criança, a gente ouve vários tipos de música, como axé, pagodão, reggae, samba… Quantas vertentes a gente tem do samba, né? Samba-canção, samba de partido alto, samba-enredo, enfim. Como é rica nossa música, né? Eu acho que a gente tem muita originalidade para oferecer para quem não conhece nossa música, para quem é de fora“.

O pop brasileiro hoje tem cara própria e não é mais mera versão traduzida. É a antropofagia conceituada por Oswald de Andrade. Nomes como Anitta, Lexa e Ludmilla exploram sobretudo elementos do funk em seus trabalhos – e o gênero está em alta como novidade mundial. IZA mistura R&B, blues, trap e percussão brasileira, berimbau. Pabllo Vittar, por sua vez, torna pop o forró e o tecnobrega. Elas se inspiram nos modelos consagrados do pop americano e o reinventam com sabor brasileiro. “Para os americanos, a minha música soa diferente por trazer uma sonoridade de diferentes cantos do Brasil“, sublinha Pabllo Vittar, que passou junho de 2019 viajando por dez cidades norte-americanas com uma turnê por Paradas do Orgulho LGBQTI+, “a carreira internacional está sendo uma consequência. A minha principal meta sempre será fazer música e levar alegria ao meu público. As coisas têm acontecido de forma natural, como acredito que devam ser. Só posso agradecer a todos”. Para seu álbum novo, contudo, ela já garantiu músicas e participações em inglês e espanhol. Uma parceria com a mexicana Thalía está a caminho.

Cantoras pop brasileiras são cada vez mais requisitadas para colaborações internacionais. Sobre Anitta, não é nem preciso dizer: sua lista de parcerias vai de Iggy Azalea a Madonna. É o nome que todo artista gringo cita quando é questionado sobre possíveis colaborações. Pabllo Vittar também está no radar de vários. A espanhola Rosalía, nome do momento na música latina, já disse que quer trabalhar com a drag queen. Lexa, por sua vez, recebeu com surpresa o convite para gravar com o português Mickael Carreira. “Ele que conhecia meu trabalho e entrou em contato com minha gravadora. Falou que era meu fã e que adoraria gravar comigo. Fiquei super feliz. Ele é jurado do ‘The Voice’ lá em Portugal. Achei que seria legal também pra mim“, conta Lexa, “o pai dele é como se fosse o Roberto Carlos de Portugal, então isso ajudou a aumentar ainda mais meu público em Portugal. Acho sensacional. Está crescendo pra caramba. Acho importante levar nossa música brasileira lá pra fora. A gente faz o máximo que pode“.

“Se eu posso conquistar um novo público, é óbvio que vou querer” – Lexa

O resultado foi “Diz Que Não”, primeiro trabalho internacional de Lexa. “Eu ainda não falo de carreira internacional dentro do meu projeto, porque sinto que ainda posso abrir muita coisa a mais aqui no Brasil. Mas não descarto nem deixo de lado essa possibilidade de fazer turnê“, explica a cantora, “é um trabalho de formiguinha. Não adianta. Sinceramente, o que eu vou perder com uma parceria? Se estou trabalhando dentro do meu país, vou conquistar uma galera também lá fora de uma forma mais orgânica. O meu trabalho é focado lá fora? Óbvio que não. É totalmente focado no Brasil. Mas, se eu posso conquistar um novo público, é óbvio que vou querer“. Depois de “Diz Que Não”, Lexa alcançou o Top 100 do Spotify português com “Combatchy” e o Top 200 com “Chama Ela”.

Os serviços de streaming são grandes aliados para artistas brasileiros. O país é uma potência enorme e os números alcançados no mercado interno são suficientes para aparições em paradas globais – apresentando essas músicas para um público estrangeiro de maneira orgânica. Nas plataformas digitais, pesquisas por novos artistas e descobertas de novos ídolos são mais fáceis e democráticas. Hoje em dia, Anitta está entre as 100 artistas mais ouvidas do Spotify. “A internet é fundamental para qualquer artista, não há barreiras ou fronteiras dentro dela“, pontua Pabllo Vittar, a drag queen mais seguida do mundo, “por mais que haja investimentos, a repercussão de qualquer trabalho acontece sempre de forma orgânica. Não há como conduzir o gosto das pessoas“.

Luísa Sonza concorda. A cantora, que acaba se assinar contrato com uma agência internacional, começou a ficar famosa gravando vídeos independentes com covers e postando no Youtube. Contratos profissionais vieram depois. “A internet tem um papel superimportante na minha carreira, foi onde comecei, e hoje é o principal meio de comunicação e divulgação do nosso trabalho, além de ser um ótimo espaço de conexão e troca com o público que nos acompanha“, diz Luísa Sonza. Ela tem 4,3 milhões de inscritos no Youtube e 15,9 milhões de seguidores no Instagram – números suficientes para impressionar artistas gringos. Os do PrettyMuch, por exemplo, são menores.

Para aproveitar as oportunidades, é preciso empenho. Anitta estudou espanhol nas horas vagas – fossem elas os intervalos comerciais do “Música Boa Ao Vivo”, quando era apresentadora – e fez uma série de viagens para entender os diferentes mercados externos. Pabllo Vittar conta com uma equipe para avaliar as propostas que aparecem lá fora. Ludmilla, no momento, se dedica a aprimorar o inglês. “Estou estudando muito para aprender o idioma e futuramente outras línguas também“, diz a cantora, que já se apresentou mais de uma vez na Europa e na África. Em Portugal, “Din Din Din” e “Cheguei” receberam certificados de platina. Sem a barreira idiomática, ela se deu bem.

“Estou preparada para viver esse momento” – Ludmilla

“Eu não tinha nenhum plano de fazer nada lá fora. Estava esperando o momento de estar preparada para isso. Estar preparada significa: falando inglês, estabilizada de vida aqui no Brasil, para depois investir lá fora. Eu sempre fui procurada por essa galera lá de fora, mas falava ‘acho que não é o momento, vou me preparar’”, explica Ludmilla, que mudou de ideia ao participar do “Show dos Famosos” do “Domingão do Faustão”. Ali, ela viu que era possível dar conta de uma oportunidade no tranco. “Quando recebi o convite, pensei ‘preciso me preparar, preciso de tempo, porque não sei imitar ninguém, vou lá para passar vergonha, não vale a pena’. Mas que tempo? ‘Você não tem tempo, você tem que conciliar a sua carreira com o Show dos Famosos e é isso’. Quando vi que dava certo fazer as duas coisas, que eu não precisava desse tempo todo para me preparar, porque eu ganhei, eu falei ‘cara, então posso fazer isso com minha carreira internacional’. Foi aí que comecei a falar; ‘tá, vou aí escutar, vou aí saber’. Agora estou me permitindo, estou dando espaço para a galera que vem atrás de mim há algum tempo. Estou preparada para viver esse momento”, diz. Como diz o título de seu último álbum, HELLO MUNDO!

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