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Entrevista: Rosalía, do hit “Malamente”, revela paixão pelo Brasil e amor por Caetano Veloso

“Uma de minhas grandes referências, sem dúvida, é Caetano Veloso – por sua carreira e sua forma tão livre de fazer música”.

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43 milhões de acessos no clipe. 51 milhões de streams no Spotify. Platina dupla. Dois Grammys Latinos. Esses são alguns dos feitos alcançados por Rosalía apenas com a música “Malamente”. Seu maior sucesso – até agora – a catapultou para a carreira fora da Espanha. Rosalía nasceu na área metropolitana de Barcelona e, aos 25 anos de idade, está conquistando um público internacional com o álbum “El Mal Querer”. Seu diferencial? Usar a música flamenca com uma roupagem pop e urbana.

Em março, Rosalía visitará a América do Sul. Fará shows no festival Lollapalooza da Argentina e do Chile. Por enquanto, não há nada divulgado para o Brasil. Mas ela sonha com o dia em que conhecerá o país. Em entrevista ao POPline, a cantora revelou que é grande fã da música brasileira e que quer muito trabalhar com Caetano Veloso algum dia. Confira:

POPLINE – As pessoas estão te conhecendo agora no Brasil, por causa dos prêmios que você vem recebendo. Esperava vencer dois Grammys Latinos já no início de sua carreira?
ROSALÍA – Não, não, não, eu não esperava. As indicações já foram uma surpresa muito grande para mim. Cinco nomeações por “Malamente”! Eu não podia acreditar. Bateu uma grande emoção, porque quem indica são os artistas e os profissionais da indústria. Ter esse respaldo à minha música, esse carinho, é muito bom.

Como foi se apresentar no Grammy Latino para uma audiência tão grande e mundial?
Fiquei muito emocionada, porque eu celebro muito o fato de uma música como “Malamente” ter o carimbo e esse espaço de alcance mundial. “Malamente” tem muita inspiração flamenca e às vezes ela não tem as oportunidades que eu gostaria que tivesse, porque é minha música favorita no mundo. Poder me apresentar ali, no meio de artistas que admiro tanto, com a minha banda, com a minha música, sem concessões, como gosto de fazer, é uma honra. Eu agradeço muito a oportunidade. O palco é o lugar que eu mais gosto no mundo. O palco e o estúdio, né? Fiquei muito emocionada de poder compartilhar esse momento com o mundo.

Usam os conceitos de pop, flamenco e experimental para definir seu som. Como você mesma classifica sua sonoridade?
O flamenco hoje em dia é algo muito concreto, e eu tenho todo respeito ao que é considerado flamenco. Eu diria que minha música bebe do flamenco, e não teria sentido sem o flamenco. O flamenco é mais do que uma inspiração. Eu tenho muitas referências musicais e não musicais dentro do meu álbum. Acredito que faço muita experimentação, como você disse, mas isso depende de cada projeto. Eu não sei se meu primeiro álbum, “Los Ángeles”, é pop. Ou se “El Mal Querer” é pop. Eu celebro essa classificação, porque pra mim o pop é o mainstream e se refere ao alcance mais do que um estilo musical. Eu tenho referências de música eletrônica, experimental, africana, antiga, canto gregoriano, música urbana, e também muita inspiração flamenca, por isso gosto de explorar.

O álbum trata de um relacionamento tóxico. Qual foi a inspiração? Você viveu algo assim?
Hum… Eu, antes de tudo, tinha claro o título do disco – “El Mal Querer”. Ele foi desenvolvido quando eu estava no último ano da faculdade, cursando música, que é focada em flamenco. Então, primeiro me veio o conceito, a ideia de dividir as canções em capítulos. Comecei a compor… Era o grande trabalho de conclusão de curso. A inspiração vinha do título das músicas, pensando em um amor obscuro, e um pouco também no romance ocitano chamado “Flamenca”, que conta a história de uma mulher que se casa com um homem, que a aprisiona por ciúmes. De alguma maneira, essa história se conectou, para mim, com o título “El Mal Querer”, e com o que eu queria fazer. Foi catalisador para construir toda a narrativa do disco e os capítulos. Quanto mais claro eu tinha os capítulos, mais rápido fazia as letras, porque era mais concreto o que queria invocar em cada uma das músicas. Esse trabalho é musical mas também conceitual.

Li que você trabalhou com o grupo de teatro La Fura Dels Baus. É verdade?
Sim, quando eu tinha uns 20 anos, estive com eles.

Isso influencia de alguma maneira sua performance e seu som?
Eu acho que todos os artistas com quem colaborei me afetaram de algum jeito. Colaborar com outros artistas te faz crescer como musicista e engrandece seu trabalho. Qualquer trabalho colaborativo te condiciona e você leva para a vida, né?

“Los Ángeles” saiu em 2017 e “El Mal Querer” agora em 2018. Você tem facilidade para escrever e criar músicas rapidamente?
Eu te diria que tenho sim facilidade para trabalhar no estúdio, mas outras coisas me custam, por exemplo cantar e dançar, e cuidar da criação dos shows. Eu gosto de pensar em tudo, mas a música é o mais importante para mim. Sempre que vou ao estúdio, vou escrever e, na verdade, dedico muitas horas a isso. Chego pela manhã e saio tarde da noite. Fico muitas horas. Não é tipo “olhem, tenho um disco!”. Não. É resultado de muita dedicação. É meu trabalho. Não é tipo “lancei um disco, vou lançar outro”. Não sou só eu. Tem toda uma equipe envolvida e confio muito nas pessoas ao meu redor. Mas fazer música é algo que faço com muito ânimo, muita verdade, e pouco a pouco, ainda que, sim, eu tenha um bom ritmo no estúdio.

Quais são seus planos para o ano que vem?
São seguir trabalhando em estúdio e crescer com o show “El Mal Querer”, que vou levar para fora da Espanha. Meu plano é compor, fazer parcerias com artistas que admiro…

Já está trabalhando em um álbum novo ou são músicas aleatórias?
Hum… Eu estou sempre em estúdio. Gosto de ir escrever, produzir, inclusive para outros artistas. Faço música a partir do impulso, da necessidade, e depois decido o que vou fazer com essa música. Eu penso na forma depois.

O Grammy Latino e a performance no EMA te apresentaram para outros países. A carreira internacional é um sonho?
Eu acredito que a gente que faz música quer sempre um público amplo, né? Eu fico muito emocionada de poder viajar com minha música para outros países e conhecer outras culturas. Poder viajar e ter um público amplo me deixa muito feliz. Fico emocionada por isso estar acontecendo com um trabalho autêntico, que fiz do jeito que gosto e acredito.

Há planos de vir ao Brasil?
Siiiim! Eu adoraria! Tenho muita vontade! Não sei dizer exatamente quando, mas fico emocionada só de pensar. Sou muito fã da música brasileira. Uma de minhas grandes referências, sem dúvida, é Caetano Veloso – por sua carreira e sua forma tão livre de fazer música. Eu amaria fazer uma música com ele! Quero muito ir ao Brasil. Se Deus quiser, vai acontecer, porque esse lugar me encanta!

Você ganhou o Grammy Latino de melhor fusão/interpretação urbana com “Malamente” derrotando duas brasileiras, Anitta e Pabllo Vittar, que disputavam com “Sua Cara”. Você ouviu a música?
Siiim! Claro! Anitta é uma grande amiga minha. Eu acho que o Brasil tem um talento impressionante, uma musicalidade única, ímpar. Por isso eu me sinto tão honrada de ter um público aí. Eu vejo pelo Instagram. Foi uma grande honra estar indicada ao Grammy Latino na mesma categoria que artistas brasileiros deste nível.

Para terminar, deixe um recado para seus seguidores no Brasil.
Eu tenho muita vontade de ir para aí e fazer música ao vivo! Quero conhecer esse lugar e as pessoas desse lugar! Sinto que a música daí me inspira, e tenho muita vontade de compartilhar minhas músicas nesse lugar.

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