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Entrevista: Jão solta detalhes da nova turnê em festivais e reflete sobre a evolução de sua carreira

“Eu gosto de estar no palco para as pessoas me usarem para se sentirem bem”, disse ele.

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Jão é um cantor diferenciado. Seu sucesso não deve ser medido por músicas no topo das paradas. O mais impressionante está em seus shows, onde as casas estão sempre lotadas e, o mais importante, consegue ter uma recepção calorosa dos fãs. O público não só canta junto, mas também sente, vibra, se identifica com as músicas honestas do cantor. Isso é algo que não se mede, sendo mais importante do que números.

 

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só ouve

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Depois das turnês que apoiaram os álbuns “Lobos” e “Anti-Herói”, ele entra agora em uma nova fase, cantando nos maiores festivais do Brasil, incluindo Planeta Atlântida a Lollapalooza.

Para falar sobre o assunto, o POPline conversou com o Jão por telefone nas vésperas da estreia. O jornalista é um fã e, antes de tudo, teve espaço para ser mais fã do que profissional. “Tô muito feliz em falar com você, sou muito seu fã. Na redação do POPline não tem uma equipe, tem um fã-clube, não sei se você está sabendo”, brincou nosso repórter. Jão agradeceu, rindo – mas ele sabe que é uma verdade.

Bem, voltando ao lado profissional, vamos à entrevista!

 

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O Anti-Herói nos festivais do Brasil.

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Você começa, já no sábado, uma nova turnê em festivais, está animado pra isso?
Eu tô animado e nervoso. Mas festival é muito gostoso, é um show muito diferente… Então a gente meio que se acostuma com nosso show de turnê, todo final de semana e a turnê nos festivais te tira da zona de conforto. É gostoso.

Pelo visto, o show vai ser bem diferente. O que vai mudar?
Vai mudar! Nesse de agora, a gente já fez bastante mudanças no show. É um clima diferente, né? Geralmente é de dia, em um lugar aberto, tudo conspira para ser diferente. A gente mudou setlist, colocou algumas músicas, outras a gente tirou. Tem também a Duda Beat, que vai fazer uma participação no meu show. Ela vai cantar “Chapadinha”, “Bixinho” e tem uma outra que a gente não recebeu ainda.

Vocês vão cantar juntos em algum momento?
Surpresas! (risos)

Além da setlist, vai ter alguma mudança de cenário?
Então, os lugares que a gente puder levar o cenário, a gente vai levar alguma coisa e mudar algo. Mas a troca de palco é muito rápida e nem sempre dá pra levar a estrutura toda. O que tiver a possibilidade, a gente vai levar uma coisa diferente, sim.

Você já fez duas turnês na sua carreira. Qual foi o maior aprendizado de cada uma, que você vai levar para as próximas?
Cara, eu acho que todo dia a gente amadurece mais e fica melhor no palco, mas eu acho que a parte física é o maior aprendizado. De resistência, mesmo! De acordar muito cedo, de dormir pouco, a gente está sempre em um lugar diferente, sempre viajando e é uma coisa que faz parte da carreira. Mas, eu acho que há uma maturidade no palco. Saber lidar com qualquer situação, com qualquer tipo de público. Eu lembro dos meus primeiros shows e, vendo hoje, é muito diferente a forma que a gente faz. Sempre saímos do show agradecendo, muito feliz, mas sempre criticando aquilo que eu posso, no outro show, fazer muito melhor.

Você consegue citar alguns detalhes dos shows que funcionaram muito bem e que você vai continuar fazendo?
Acho que a última música do show, que é “VSF”. Tem tudo a ver com o encerramento, com o ciclo e a história do show. A gente sempre termina com esse caminho de libertação muito grande. Tem também a banda, que vai continuar, nos damos muito bem. Tem a Francine Moh, que canta comigo no show como minha backing vocal, ela é incrível. Sobre a setlist, eu gosto muito mais da setlist agora do que da setlist do ‘Lobos’, mas mesmo assim vamos mudar alguma coisa.

Você sempre foca em seu repertório próprio. Se fosse fazer um cover, qual seria?
Eu gosto muito de Los Hermanos, acho que cantaria alguma coisa deles. Talvez Cazuza.

E internacional, faria alguma?
Não sei se eu faria… Não sei. Acho que não gostaria muito, prefiro homenagear alguém brasileiro.

O Lollapalooza, principalmente, é um festival muito grande. Você já sonhava em tocar no Lollapalooza?
Eu não imaginava que fosse tocar no Lolla logo! Sempre tive uma vontade muito grande, sempre gostei muito, desse tipo de curadoria. Não imaginava que fosse conseguir tão cedo, mas é algo muito prazeroso e nós vamos criar uma coisa nova.

Esse é um festival que tem versões para o mundo todo. Você tem essa ideia de ultrapassar as fronteiras?
Eu quero muito! É algo que tem que ser muito bem pensado em planejado. Não é algo que eu quero fazer imediatamente, nem em um futuro próximo. Mas é algo que, eu acho, que todo cantor que quer cantar para a massa tem na cabeça.

Nas outras entrevistas com o POPline, você ressaltou um medo da galera não saber cantar as músicas. Dessa vez, o público está dividido com fãs dos mais variados artistas. Voltou esse medo?
Não! Eu acho que eu tenho mais esse medo quando eu lanço novo álbum e eu não sei o que vai rolar. Geralmente, a gente faz os shows muito próximos dos lançamentos dos álbuns e eu fico apreensivo. A gente não sabe se deu tempo do pessoal gravar. Agora, não é algo que me preocupa, não. Só quero fazer um show muito foda para a galera que me acompanha.

Você tem algum spoiler da sua carreira? Está preparando algo novo?
Se eu tivesse algum spoiler, eu até falaria (risos)! Eu tô num momento muito gostoso, curtindo muito os shows, os festivais e escrevendo muita música. Mas não tenho nada acertado.

Você é do tipo que está sempre escrevendo ou que senta para escrever algo específico?
Estou escrevendo compulsivamente todo dia. Eu sempre pego meu celular, eu qualquer lugar, pode ser no mercado, sempre que vem alguma coisa eu escrevo. Obviamente, quando o álbum tá chegando, eu organizo tudo isso.

No anúncio do Instagram dessa turnê em festivais, vi um comentário que me deixou refletindo: “Vc tá passando uma mensagem hein?! Geral com anseio da tua voz!”. Quais são seus pensamentos sobre isso?
É… (refletindo) O que eu entendi dessa frase, é que as pessoas buscam uma identificação com todo mundo. Acho que as pessoas não se conectam com muitas vazias, elas procuram algo para se relacionar. Então, eu acho que na minha letra, minha história, alguma coisa da minha vida, elas se identifiquem. Isso é o legal, a galera ouve e transporta pra vida deles. É isso que eu entendi, eu entendo como uma coisa legal.

Pessoalmente, acho que o ‘Anti-Herói’ é uma evolução ao ‘Lobos’ e eu nem achava que isso era possível, já que o primeiro já era maravilhoso (risos). Essa coisa de se superar, é uma preocupação pra você?
Ah, obrigado! Sim, é bastante. Eu não sei se superar, mas de fazer coisas diferentes… Talvez superar, também, de alguma forma. Mas tento não mentalizar isso, quando o pensamento vem, eu tento afastar, mas é óbvio que todo artista é muito competitivo consigo mesmo. A gente está sempre enlouquecendo pra buscar fazer algo melhor que a gente já fez. O que não é muito saudável.

Então boa sorte, melhor que ‘Anti-Herói’ é uma missão difícil!
De um certo modo, isso é gostoso, mas se virar uma obsessão, fica ruim.

Você já chorou no palco várias vezes durante seus shows. Como é se mostrar tão vulnerável publicamente?
Então… No show eu hesito muito em chorar. Eu gosto de estar no palco para as pessoas me usarem para se sentirem bem. Eu não gosto de me sentir tão vulnerável no palco. Nos primeiros shows as emoções são muitos fortes e a gente não consegue segurar…

E você é bem reservado com a vida pessoal, eu acho.
Eu sou muito tranquilo, mesmo com meus amigos, com todo mundo. Eu uso a música para extravasar. Mas no palco não gosto muito de chorar. Pode ser difícil, mas eu seguro. No palco, eu gosto de ser alguém que está ali pra cumprir um papel, é um trabalho. Tenho que estar bem.

Falando em chorar, vou te falar algo bem pessoal. Em uma das primeiras vezes que eu estava ouvindo o ‘Lobos’, na faixa de encerramento, ‘Monstros’, terminei em lágrimas… Aquela parte do “é tão claro agora”. Aquilo falou tão forte em mim! Essa é uma das suas musicas mais pessoais?
Ah, desculpa por te fazer chorar.

Não! De jeito nenhum, foi um momento ótimo forte de autoconhecimento.
Essa é realmente uma das mais pessoais. Os fãs que são muito fãs falam muito dela, é um xodózinho dos fãs. Todas as pessoas que têm um sonho e que não tem acesso a muitas coisas. Fala com todas as pessoas que têm esse sentimento de ganhar o mundo, mesmo com as impossibilidades. Eu era uma criança muito inocente, eu morava no interior de São Paulo e sempre tive o sonho de cantar e pareceu algo distante. É uma música que me liberta, que toca no coração.

“É tão claro agora
Eu queria poder dizer
Para aquela criança
Que ainda não vê

É tão claro agora
Eu sei que vai dor
Mas isso é necessário
Pra quem você vai ser”

Você quer mandar uma mensagem para as pessoas que vão nos shows dos festivais?
Quero mandar um beijo muito grande! Quero que aproveitem muito, que se emocionem e se divirtam, tamo junto sempre!

Escute também o POPcast de uma entrevista anterior do Jão ao POPline:

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