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Entrevista: Conversamos com o Seakret sobre “Perdendo a Mão”, novas parcerias e toda a musicalidade da dupla de produtores

Eles são Pedro Dash e Dan Valbusa, produtores de muitos sucessos do atual cenário da música nacional, incluindo “Imaturo”, de Jão, e “Cobertor”, parceria de Projota com Anitta. Eles se conhecem há muitos anos, mas somente em 2017 que eles resolveram assumir o alter ego artístico de Seakret e começaram a aparecer nas músicas não somente como produtores, mas como artistas principais, sempre acompanhados de muita gente boa.

Ao iniciar minha conversa com o Seakret, Pedro logo me avisa que está sozinho, já que o Dan precisou fazer uma cirurgia de apendicite. “O apêndice dele ficou tão empolgado com o lançamento que inflamou”, brincou Pedro já fazendo referência á mais nova música da dupla: “Perdendo a Mão”, parceria com Anitta e Jojo Maronttinni.

E é exatamente sobre esse super lançamento que começamos a falar, uma música que, segundo o próprio Pedro, aconteceu de forma muito rápida e espontânea, mas que começou muito diferente do que ela foi lançada oficialmente. “Essa música eu tava de madrugada na minha casa e a única coisa que restou do que ela era foi o começo dela, que é uma batida mais de hip-hop e o pianinho, que é o que leva a música”, explica Pedro.

“Eu fiz ela meio na zoeira, uma zoeira séria.. No dia seguinte mostrei pro Dan, ele curtiu e a gente terminou ela. Ela era um pouquinho mais pro Hip-Hop do que pro funk. E eu queria levá-la mais pro funk e a gente mandou pra Anitta e ela pirou. E ela mesma falou isso ‘vocês não poderiam levar mais pro funk?’. Foi uma coisa muito natural. Partiu do pianinho, virou um beat, eu fiz as melodias, Anitta fez a letra.. aconteceu tudo muito rápido.”

Outra voz que aparece em “Perdendo a Mão”, Jojo Maronttinni, também conhecida como Jojo Todynho, só entrou na equação depois. “A música tinha uma outra letra, que eu tinha feito, e a Anitta sugeriu essa letra nova. Do momento que ela ouviu a música pra fazer a letra, acho que foram uns 20 minutos. Ela já tava muito com essa ideia na cabeça”, afirmou Pedro.

“A ideia dela era realmente duas amigas falando pra uma terceira amiga pra ela largar o cara, que tava zoando ela. E foi a própria Anitta que sugeriu trazer a Jojo pra música. Porque ela achava que teria que ser duas vazes. E a gente curtiu, a gente é fanzaço da Jojo, já conhecia a Jojo. Falamos ‘Se ela topar, vamo embora’.”

Esse tema de empoderamento feminino, de dar força às mulheres para se livrar de relacionamentos abusivos, em qualquer área, é algo que vem se falando muito ultimamente, e os meninos do Seakret sabem muito bem da importância das músicas também trazerem uma letra mais série socialmente.

“É muito importante [músicas com conteúdo sério], ainda mais da forma como a gente fez esse som. É um som bem divertido e a Anitta soube escrever algo sério de uma forma que eu acho que as pessoas vão absorver mais. Mesmo sendo um negócio sério, é divertido. É uma música que você vai dançar com ela. Você pode refletir, pode dançar com ela no rolê, entendeu? Longe de mim e do Danilo querer se aprofundar nesse assunto, porque a gente não acha que é o nosso lugar de fala, falar sobre uma mulher em um relacionamento abusivo, mas a gente apoia totalmente e achamos do car**ho quando a Anitta sugeriu a letra.”

É claro que já dá pra perceber que Anitta é um assunto recorrente nessa conversa. Ela é um dos maiores nomes da música brasileira hoje, cada vez mais reconhecida no exterior, e ela também é muito amiga e parceira profissional dos meninos do Seakret. Pedro, não poupou elogios à cantora (e até revelou novidades).

“A gente se entende muito bem, musicalmente. A gente acabou de produzir mais uma música dela também, que é um segredo, mas vai sair. Já terminamos, gravamos”, afirmou Pedro ao falar de sua relação pessoal e profissional com Anitta. “A gente tem uma relação que divide bem o profissional do pessoal. Já faz uns cinco anos que a gente vai nas festas dela, nos aniversários.. e geralmente somos os últimos a sair, dando muito trabalho (risos). Ela é muito profissional, muito correta. E ela é uma pessoa que o dia dela tem 30 horas e todas elas são ocupadas. Então toda vez que a gente se fala, seja pro trabalho ou festa, tem que ser muito objetivo. É sim ou não, vamo que vamo.”

E como foi que surgiu esse conceito do clipe de “Perdendo a Mão”, que veio todo com uma vibe retrô, gravado em VHS, em Honório Gurgel?
Mais uma vez Anitta no bagulho. (risos)
Na hora que eu mandei a música pra ela, foram 20 minutos que ela voltou com a letra, com a ideia do clipe, já tinha adicionado a galera da produção e ainda falou “Gente, se vocês toparem, vamos fazer assim que vai ser f*da”. E a gente falou “Anitta, faz o que você quiser!”. Então toda essa ideia de ir pra Honório, de filmar em VHS com a galera que filmava ela na Furacão [2000], de juntar os amigos dela, de recriar as festas que ela fazia… Toda a ideia foi dela.

“E a gente se sentiu muito à vontade lá. Quando estava gravando uma cena em algum outro lugar, os amigos dela estavam fazendo exatamente como faziam antes, tava rolando um churrasco… uma cerveja. A gente chegou e se enturmou com os caras, começou a tomar uma com eles… Foi uma festa mesmo, no final das contas. Um registro totalmente fiel de festas de Anitta em Honório Gurgel. Até as roupas!”, explicou Pedro sobre a gravação do clipe de “Perdendo a Mão”.

O Seakret mesmo já surgiu com cara de sucesso. Pedro e Dan produzem juntos há mais de dez anos, mas o Seakret só começou, de leve, nos intervalos das produções para outros artistas, como quem não quer nada. “A gente curte fazer show, se apresentar ao vivo, então foi meio natural. A gente começou a fazer um som, a gente gostou e falamos ‘Vamos ver no que dá isso aí’”, explicou Pedro.

É muito comum se falar de influências com artistas que aparecem nos vocais das músicas, mas pra vocês, como produtores, quais foram suas maiores influências, tanrto no começo da carreira como para o Seakret?
Como produtor, eu comecei produzindo mais beats e coisas mais pro Rap, pra música urbana.. Então minhas influências sempre foram Rick Rubin, Pharrell, Timbaland… Uma galera mais nova também, uma galera dos Estados Unidos, que deu uma revolucionada no Trap, só que eles já estão na estrada há muito tempo. E o Seakret é meio que uma junção de tudo que a gente tá vivendo, há 15 anos fazendo música. Se você for ver, uma música quase não tem nada a ver com a outra. Mas a gente coloca um elemento inusitado, alguma coisa ou outra que tenha nossa característica, entende?

Vocês começaram bastante com beats pra hip-hop, rap e urban.. E nos últimos meses a cena hip-hop brasileira tem voltado a aparecer. O que você tem achado desse retorno dessa cena, dos novos artistas?
Eu acho do car**ho. Eu acho que cada vez mais a internet tá dando uma força pro artistas. Muitos desses artistas do rap, mesmo não estando tocando na rádio ou na TV, eles estão vivendo de sua música e isso é muito importante. Acho que a organização da cena tá muito mais profissional, também. A galera tá muito mais empreendedora, tá entendendo que a parada não é só música, tanto que tem vários coletivos aí, muito organizados. Várias produtoras. Tem a Pirâmide Invertida, lá do Rio, tem A Ceia, daqui de São Paulo, tem a Laboratório Fantasma.. A galera tá se organizando muito bem, não é que os caras começaram agora. Isso é um trabalho que vem de anos, mas agora tá sendo o momento de estar em evidência, tanto pra quem já tava trabalhando tanto pra quem tá aparecendo agora, com o Trap. E eu acho muito bom, o rap tem que estar cada vez mais em evidência, conquistando seu espaço. Fora do Brasil, o rap tem mais espaço nas mídias grandes e eu acho que esse é o próximo passo para a cena brasileira, se inserir mais nas mídias grandes.

Parcerias são o que não faltam para o futuro próximo do Seakret. Entre muito segredo ainda, o Pedro revelou alguns dos próximos passos da dupla. “A gente tem alguns sons prontos já. Tem uma música com o Jão, que já tá pronta. Estamos com um projeto com um artista muito grande do Pop, que a gente gosta muito, mas eu não posso falar ainda, que vai ser nosso novo single”, afirmou.

“Vamos ter umas participações internacionais, que vão ser bem legais. Estamos fazendo um som com o Tropkillaz e com mais uma cantora aí, uma artista que não posso falar, só quando tiver gravado” (risos)

“Música é o que não falta”, afirma Pedro. Mas um álbum com todos esses lançamentos em um só lugar ainda não está nos planos próximos do Seakret. “Sempre há planos. A gente sabe que o álbum em si é algo que não funciona mais como antigamente, mas todo artista sonha em lançar um álbum, um conjunto e músicas, contando uma história com começo, meio e fim. Mas eunão sei se é ainda o momento”, explicou Pedro, que ainda promete mais música do Seakret para 2018, “com toda certeza”.

Escrito por Kavad Medeiros

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