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Entrevista: conheça Lippe, aposta masculina para o pop nacional

Dominada por mulheres, a cena pop brasileira pode ganhar um representante masculino. A Universal Music está apostando suas fichas em um garoto chamado Lippe, que trocou a faculdade de Engenharia Civil pelo popfunk. A gravadora o apresenta como “uma mistura de funk com o pop internacional” e o primeiro clipe dele com o selo, “Meu Mundo”, traz uma aposta inusual em coreografia para cantores brasileiros. Assista ao vídeo, que já fez mais de um milhão de visualizações:

Lippe nasceu em 1997 na cidade São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. O nome artístico vem de seu sobrenome: ele se chama Alexandre Luiz Lippert. LIPPErt. Sempre se envolveu com música e chegou a criar um canal de covers no Youtube, onde começou também a postar canções originais. “Meu Mundo” é uma parceria dele com a dupla Umberto Tavares e Mãozinha, nomes por trás de hits da Anitta. “Foi uma surpresa durante as gravações do EP. A música veio como um presente, com uma energia especial. Creio que nada é por acaso”, diz o cantor gaúcho.

Como que é ser homem e fazer pop no Brasil? É um segmento que tem mais nomes femininos por aqui.
Na verdade, nunca pensei muito nisso. Só faço meu som, foi ficando maneiro, criando corpo, e estamos aí hoje.

Você não pensa nessa questão, então?
É. Na verdade, nunca pensei “vou fazer pop”. Eu fiz o meu som e se encaixou no pop.

Pop sempre foi sua praia ou você passeou por outros estilos?
O pop eletrônico vem de uns três anos pra cá na minha vida. Antes, era mais acústico, mas o pop sempre foi minha praia. Eu comecei a ter influência do eletrônico e a gente colocou mais swing nas músicas. Hoje tem um pouquinho de funk, de eletrônico, de trap. É uma mistura que eu acho que tem ficado legal.

A Universal te apresenta como uma mistura de funk e pop internacional. Você concorda?
Concordo.

Você tem influências nacionais?
Sim, tenho várias. Quando eu era criança, escutava muito pop da época. Cresci ouvindo desde Tim Maia até o samba rock da época, Seu Jorge. Hoje em dia, tenho muita influência do funk também, do Nego do Borel, e da música eletrônica internacioal, Skrillex, Diplo, uma grande mistura. Com a Internet, a gente consegue sugar muito de fora para fazer nosso próprio som.

Como foi sua história até conseguir o contrato com a gravadora? Eu vi que você tinha feito uns clipes independentes para o Youtube.
Comecei cedo. Decidi que queria cantar e tocar. Logo percebi que era isso que queria fazer. Fiz meu primeiro disco, que era um pop meio acústico, e ele nem foi pra rua. Fiz só para entender o que eu queria. Dali, fui crescendo. A gente começou a gravar algumas coisas, fizemos um EP independente, que também é pop, gravamos o primeiro clipe, “Pega Mas Não Se Apega”, que é um pouco mais funk, e gravamos “Por Que”, que tocou nas rádios da região Sul, foi muito legal, e daí começamos a fazer um trabalho mais preciso e conseguimos a parceria com a gravadora.

Quando você fez esse álbum que não chegou a sair?
Ah, faz tempo. Eu tinha uns 15 anos.

Ah, tá. Entendi. Você tem alguma influência musical na família?
Meu pai sempre gostou de cantar. Sempre foi muito envolvido com a música, por mais que tenha tomado outro rumo na vida, talvez por falta de oportunidade. Quando a família reunia, sempre tinha um violão e a gente cantava. Ele sempre me estimulou a aprender a cantar, a tocar algum instrumento. Meu apoio foi totalmente em casa.

Que tipo de artista você que ser? Tem alguém em que você se espelha?
Ah, tem um cara no Brasil, chamado Luan Santana. Musicalmente não é minha praia, mas eu o vejo e penso que ficaria muito orgulhoso se fosse igual a ele. Como artista, é um exemplo nato.

Você compõe, toca?
Escrevo sim. Nesse EP, que ainda vamos lançar, duas das cinco músicas são composições minhas. São “Tirando a Blusa” e “Foi Tão Bom”. Logo, logo, vocês vão ouvir. E eu também toco violão e brinco de tocar um pouco de piano, tento.

Já tem previsão de lançamento do EP?
Na verdade, não sei. Ainda estão decidindo se vamos lançar faixa a faixa ou o EP junto. Não tem muita previsão ainda.

Mas você já gravou tudo?
Já, já temos tudo gravado, sim. No EP, cada música é diferente da outra. A próxima música a ser lançada vai estar dentro do universo pop, mas vai ser diferente. Você vai ver. Acho que ela sai agora entre agosto e setembro.

Já está pensando em clipe para essa próxima música?
Pensando, a gente sempre está. Mas não há nada acertado ainda.

Qual seu maior sonho na carreira artística?
No momento que estou, meu sonho é levar minha música para as pessoas e tentar deixá-las mais leves com meu som. Esse é meu sonho.

Em “Meu Mundo”, você trabalhou com Umberto Tavares e Mãozinha. O que aprendeu com esses hitmakers?
Caramba, é uma escola! Quando a gente senta com eles para escolher repertório e começar a produzir, é uma escola. São anos de experiência que a gente tenta sugar um pouquinho naquele instante ali que está sentado junto. Foi uma grande experiência, musicalmente. Os conselhos, tudo… Até hoje, a gente conversa e ele me dá conselhos: “está dando tudo certo, relaxa, não vamos nos afobar…”. É praticamente um pai dentro da música. Pelo pouco que conheço dele, já me ajudou muito.

O clipe de “Meu Mundo” tem muita dança, mas você não se envolve tanto na coreografia. A dança ainda é um desafio?
É um desafio com certeza. Eu faço aula de dança e tudo mais, mas dançar ali com eles foi um pouco complicado, porque são profissionais de alto nível. Eu fiquei um pouco ali no meio, mais ou menos, tentando (risos). É um desafio, mas que eu me empenho diariamente, porque acho que a dança é de extrema importância dentro do universo musical que a gente está. Dançar bem.

O que você diria para convencer alguém a te dar uma chance e ver seu clipe?
Eu diria que fiz com muito amor e carinho. E… “se tem coragem, vem pro meu mundo”! (risos) É um desafio, entendeu?

Você tem só 19 anos e a maioria dos seus amigos devem estar na faculdade. Você em algum momento pensou em fazer um curso formal?
Pra te falar a verdade, até mês passado, eu estava fazendo faculdade. No momento exato que a gente está, é para fazer a rematrícula, mas não sei se vou fazer. Eu faço Engenharia Civil. Não tem nada a ver! (risos) Mas eu sabia que não ia dar tempo, porque a música já me consumia muito. Eu não conseguia estudar do jeito que precisaria. Mas a faculdade, por mais que não termine, foi super importante para ficar mais dinâmico, trocar ideia com a galera jovem…

Você estava em que período?
Estava no terceiro!

Está satisfeito com o rumo de sua carreira- da guinada da faculdade para a música, a gravadora, tudo isso?
Lógico! É o que sempre quis. Eu ficava chateado, com esse questionamento: “será que é isso mesmo?”. Sempre soube que a música seria meu rumo ideal, mas não é fácil. É difernete, porque às vezes a gente não tem a oportunidade para fazer isso. Agora estou muito feliz por poder fazer isso.

Escrito por Leonardo Torres

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