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ENTREVISTA: Carol Biazin adianta detalhes de sua turnê e sonoridade das próximas músicas

Cantora falou sobre cair na estrada com equipe majoritariamente feminina

Carol Biazin ganhou notoriedade na pandemia ao lançar – pausadamente – o seu disco “Beijo de Judas“, se jogando de vez no mundo pop. Depois de assinar um contrato com a Universal Music, a cantora, de 24 anos, se prepara para liberar um registro ao vivo do projeto, gravado em dezembro, em São Paulo.

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A gravação do seu espetáculo é o prenúncio de uma agenda de shows que deve rodar o Brasil nos próximos meses, enquanto Biazin continuará trabalhando em singles, como o recente “Garota Infernal” – nome que também batiza o seu alter ego do momento. Em entrevista ao POPline, a cantora adiantou detalhes do repertório da turnê, falou sobre a sonoridade de suas novas canções e da iniciativa de contratar um time majoritariamente feminino para viajar o país com sua música.

Confira:

POPline: Como você está reagindo a receptividade do público com essa turnê? Li que antes você parava as pessoas na rua pedindo para que elas fossem às suas apresentações gratuitas e, agora, todos querem ir ao seu show. 

Fazia tempo que eu queria fazer show e eu nunca fiz muito show na minha vida, principalmente com banda. Quando eu senti o calor do público comigo, eu fiquei bastante surpresa. Eu também sou fã de vários artistas e estou a fim de ir a vários shows porque eu estou muito carente disso, acho que todo mundo está muito carente disso. Quando eu vi o quanto a galera estava precisando daquilo, a gente falou ‘pronto, agora a gente só precisa organizar essa turnê’. E foi muito louco porque eu até falei ‘não sei, será que a galera vai querer ir? como é que estão essas coisas’, eu estava meio insegura.

POPline: A modéstia dela

É real (risos). Eu estava bastante insegura. Até falei para minha produtora ‘cara, eu estou meio com medo, mas quero fazer logo’. É um show com banda, a gente tem mais gastos, é a gente que está produzindo os shows, então dá um receio, mas eu estou indo com medo mesmo e, assim que a gente anunciou, tivemos uma resposta linda do público. Eu estou muito ansiosa para colocar isso em prática. Eu estou fazendo questão de investir muito em show porque tenho visto o quanto o mercado está carente disso, sabe? Dos artistas brasileiros investirem muito em show. A gente tem pouquíssimos que a gente sabe que colocam mesmo a mão na massa porque a coisa não é sair com dinheiro no bolso, o bagulho é você investir porque vale a pena. Vale a pena você sair de lá com a galera querendo voltar pro seu show, ouvindo suas músicas depois do show, você proporcionar uma experiência para as pessoas. É isso que a gente tá querendo fazer nessa turnê agora também.

POPline: O seu show no Cine Joia contou com uma produção 100% feminina. Eu queria saber se você pretende levar isso para a estrada e como está sua banda.

Minha banda continua sendo 100% feminina, minha produtora também. A única coisa que a gente não vai conseguir levar é toda aquela estrutura que faz as luzes e tudo mais porque, realmente, acaba ficando muito complicado para a gente, que vai ter que fazer logística de cidade em cidade. Mas toda minha banda é só de mulheres, a produtora musical do show é uma mulher, a Vivian – que é maravilhosa, produziu o DVD de ‘Beijo de Judas’ e está produzindo o show junto comigo -, a produtora de estrada também, a Luana. As únicas coisas que não vão ter, se não me engano, é a técnica de som e a luz, que serão dois homens que vão acompanhar a gente.

POPline: Como você chegou até essa banda? Você já conhecia essas mulheres?

Tudo começou na pandemia, quando eu resolvi lançar um projeto dentro da pandemia, que foi o “Sem Filtro”, e eu quis fazer um projeto de uma música já com uma banda feminina, que era uma música, uma música totalmente orgânica, que é “Metade“, está nesse EP, “Sem filtro“. E eu já conhecia baterista que tocou comigo nesse projeto, que é a Raiane, e junto com ela ela trouxe a Juliana e a Mari também, que é tecladista e guitarrista para tocar comigo nesse projeto. Isso já faz. Vai fazer mais de quase dois anos já. Mais ou menos. E eu lembro que a partir disso eu falei ‘Pronto, agora a minha banda é feminina, eu não posso trocar’. E aí, com o tempo, essas meninas tocaram comigo a agenda delas é atoladíssima porque elas são muito brabas. E aí eu falei ‘Bom, a gente tem um DVD pra gravar. A gente tem esse projeto pra colocar e depois a gente precisa de musicistas que vão ter tempo para viajar com a gente em estrada e tudo mais. E precisam estar na Gig e querer estar nessa gig, porque, assim, não vai ser fácil. É uma gig de perrengues, é uma gig que ainda está começando.

A gente precisava de alguém que quisesse muito. E a gente encontrou a partir da Vivian, que foi a produtora do show, como eu te falei. Ela encontrou essas mulheres para fazer parte de tudo isso. E eu fui dando ok, falei assim ‘Maravilhoso. Vamo bora!’. E a gente foi trocando e com as musicistas e elas toparam muito entrar para o projeto e é muito louco como elas toparam, realmente queriam estar no bagulho. Porque eu falei ‘Pô, não vale a pena só ser incrivelmente boa. Tem que querer muito estar no rolê’, porque a gente sabe que não é fácil viajar e, as vezes, ficar horas e horas esperando avião e essas coisas. Então falei ‘cara, tem que querer muito estar num rolê porque não é uma gig com uma estrutura, com vários produtores de estrada. Sou eu e uma produtora de estrada e minha banda, sabe? A gente está indo no corre e a galera topou fazer porque gosta.

Foto: @beatrizpersonv

POPline: E você acha que essa escolha incentiva a pavimentação desse lugar da mulher na indústria? Isso é tão raro e você atua em tantas frentes. Você não só canta, você também escreve. Então, esse lugar no estúdio também é muito raro para a mulher. A maioria dos produtores são homens.

Sim, com certeza. Eu até brinquei com a Vivian quando eu fui produzir o show com ela. Cara, a primeira vez que eu estou sentada com uma mulher produzindo. Eu nunca tinha visto isso, eu nunca nem vi perto assim. E eu fiquei muito mais chocada ainda quando eu entrei para gravar o DVD e tinham as mulheres montando a luz, eu fiquei ‘cara é, agora eu, realmente, eu nunca vi’. E o tanto que foi difícil encontrar essas mulheres, eu acho que foi a pior parte, principalmente na técnica. Como eu te falei, vou viajar com dois homens na técnica, exatamente porque é muito difícil encontrar mulheres dentro da técnica que vão estar disponíveis para viajar, que a maioria delas já estão extremamente ocupadas. Então, tipo, é um lugar que tem mulher pra fazer, mas é bizarro como o lugar é fechado, sabe? Geralmente, elas vêm como assistente de algum homem. Como sabem, geralmente é assim. E aí eu realmente acredito que é muito importante. Espero que eu esteja mudando alguma coisa e fazendo isso. Colocar essas mulheres para o jogo porque eu acho que quando a gente realmente se abraça assim, a coisa fica muito maior. Sabe, a gente para de ter que ficar pedindo permissão para homem pra ter que fazer coisas, ‘não, aqui olha, a mina faz tão bem quanto o outro cara que trabalha com fulano de tal, fulano de tal, que já tem um currículo extenso, sabe?’. Você quer trabalhar num lugar, mas aí você não tem experiência porque não tem chances de ter experiência. Então eu acho que é muito isso de abrir as portas mesmo.

POPline: Tenho a sensação que isso tem realmente mudado nos últimos tempos. Com tantas mulheres na música pop, ouço essas mulheres tipo você, Luisa, Ludmilla, Anitta, que entram no estúdio pra valer e produzem a própria música. Eu tenho essa sensação de que a ocupação desses lugares por mulheres nesses últimos anos tem contribuído para isso?

Com certeza, com certeza. Isso. E são pessoas que eu me inspiro muito também. Então eu acho que que esse é o caminho mesmo. A gente está sempre se espelhando em outra mulher e isso fortalece a gente, fortalece o movimento.

POPline: E você tem seu lado compositora. Eu queria falar um pouco mais sobre isso. Você escreveu músicas para vários artistas renomados, grandes. E eu queria saber se, na turnê, você cantando algumas dessas composições. Vi você cantando “melhor sozinha” (Luísa Sonza).  Eu queria saber se queria saber se você pretende incluir alguma alguma dessas músicas no seu repertório ou se você vai focar mais no álbum. Como vai funcionar o repertório da turnê?

Se eu não me engano, eu coloquei duas músicas covers. O repertório é basicamente 100% autoral. E foi uma coisa que eu lutei muito pra ter por muito tempo. Então, quando eu lancei o álbum, eu queria tocar, mas a gente estava na pandemia e aí não teve como é. E agora eu estou realizando um sonho real de ter um bagulho quase todo meu assim. E ‘Melhor Sozinha’ está no setlist, eu coloquei. Não tinha como deixar de colocar. Eu também sou autora [de Melhor Sozinha], acaba sendo autoral também. Então, no final das contas, vai ser apenas um cover.

POPline: A [música da] Marília [Mendonça] seria o cover?

Eu tinha tirado, mas ela voltou antes da tour. Ela tinha saído, mas depois do DVD, eu voltei ela. Ela vai estar no setlist, sim.

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POPline: Falando sobre o álbum ‘Beijo de Judas’, você foi a precursora de uma estratégia no Pop BR, que foi destravar as faixas com o tempo, aos poucos. Eu queria saber como você avalia, agora, que já lançou todas. Como você avalia essa estratégia agora que passou?

Eu faria tudo de novo, porque, ainda mais sendo o meu primeiro álbum, eu precisava aproveitar tudo aquilo que estava construindo para para não ser uma parada momentânea. Sabe, lancei um álbum e as pessoas esquecerem em uma, duas semanas, próximo. Porque a gente sabe que está tudo muito rápido. O consumo está muito acelerado das coisas. A gente pode acelerar até o áudio do WhatsApp, imagina o consumo de música como está. Então, eu precisava criar alguma estratégia exatamente para conseguir aproveitar cada faixa. Eu tinha dez faixas e das dez eu consegui trabalhar sete como singles. Então, eu realmente acho que explorei o máximo que eu podia do meu álbum. E, obviamente, se eu fosse fazer um outro álbum agora, eu já não faria assim e o lançaria como uma obra completa para a galera entender tudo de uma vez. Mas eu acho que como um primeiro álbum, como a galera ainda não sabia que eu era…Eu fui uma artista que basicamente cresceu dentro da pandemia, né? Então, apesar de eu já tinha projetos lançados antes do álbum, eu acho que engrossou o caldo de uma vez com as participações, principalmente com a Luisa, Gloria, Vitão e o Dilsinho. Eu acho que não faria sentido se eu lançasse tudo de uma vez assim, ainda mais com um público que consome coisas tão rápidas. Essa foi a estratégia. Eu faria com certeza de novo se se tivesse que fazer.

POPline: Com o lançamento do DVD, você pretende trabalhar singles ao vivo?

Na verdade, esse esse DVD eu considero ele como uma comemoração. É um álbum que precisava ter algo construído com tanto suor e tanta dedicação. Ele precisava ter esse momento, esse DVD. Então foi o primeiro show ao vivo que a gente fez o beijo de Judas e de querer realmente registrar, ainda mais com toda essa questão. Esse é um projeto feito por mulheres, então a gente queria trazer tudo isso registrado. Vai estar tudo disponível ao mesmo tempo no YouTube, Spotify, Deezer, enfim, em todos os lugares de streaming. Assim a gente vai disponibilizar para os fãs, mas eu não vou trabalhar por singles, porque já é um álbum que já está lançado, então vão ser mais as versões ao vivo mesmo disso tudo. Então é isso. A gente vai lançar de uma vez pra galera ter a experiência exatamente como foi no dia de ver tudo de uma vez. Sinto como se estivesse no show mesmo.

POPline: Ouvimos, recentemente, seu novo single ‘Garota Infernal’. Você está produzindo um novo álbum? 

Sim, eu tenho falado muito que eu não quero prometer. Eu estou em estúdio, estou produzindo toda semana, estou colando no estúdio para produzir música nova. Então, eu realmente já estou com muita coisa na manga, várias paradas. Mas eu ainda não estou pretendendo lançar álbum. Eu ainda não sei, mas eu também falei eu não quero prometer, porque no final das contas eu posso pirar o cabeção e falar senão pronto ‘agora eu quero um álbum, sim. Tudo isso que eu fiz vai ser um álbum’, mas o que eu já tenho falado é que “Garota Infernal” faz parte de uma era, uma nova era da Carol que eu já tinha tentado dar uma introduzida ali em “Tentação” e “Rolê“, com a Gloria. Já era uma era que eu estava trazendo. “Garota Infernal”, pra mim, é um personagem que eu criei, é um alter ego. Pretendo muito trazer mais dela pra esse lugar que não é a Carol, que você está conversando agora, é outra pessoa, e eu acho que no clipe até acho engraçado que a galera fala ‘Ah, é a garota infernal’ e tem uma galera que começa a me chamar assim e gostei disso vou aproveitar e vou usar a personagem. E eu estou vestindo essa capa algumas vezes para compor algumas músicas de uma outra perspectiva que eu não tinha. Eu não quero prometer muito porque que eu quero entregar sempre sem prometer, sabe? Mas tá ficando bem incrível as coisas que eu estou fazendo. Eu estou achando tudo muito original, tudo muito único. A sonoridade está diferente de tudo que eu já vi.

POPline: Está tipo o que?

Tem um pouco de Doja, tem um quê de Nathy Peluso, tem um quê de Destiny’s Child, tem um quê até de sertanejo. Tá um pouco de tudo assim, sabe? E eu estou muito feliz com o que eu estou alcançando agora. Assim, eu estou conseguindo entender também mais o que eu gosto e o que que eu não gosto na produção musical. Eu acho que estou me impondo mais também nessas questões. Eu estou conseguindo fazer parte do 360ª como artista, tanto no visual, tudo assim eu estou. Eu estou bem feliz com tudo o que está saindo agora, mas por enquanto, é single.

 

Escrito por Douglas Françoza

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