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Entrevista: Arthur Aguiar fala sobre álbum e turnê solo

“No ‘Rebelde’, a gente não tinha muita voz, então eu era um personagem. Não era o Artur, era o Diego”

Mais conhecido por seu trabalho como ator de novelas, Arthur Aguiar também trilha seu caminho na música. Após trabalhos com o grupo Rebeldes e a banda F.U.S.C.A., ele está com um álbum solo romântico, intitulado “O Que Te Faz Bem”. São composições autorais, com produção de Alexandre Carlo (do Natiruts), e o primeiro single, “A Flor”, bombou no Spotify, assumindo o 1º lugar na lista “50 virais do Brasil”. Promovendo o lançamento do disco, ele conversou com o POPline e contou que vai aproveitar o fim da novela “Êta Mundo Bom” para se dedicar integralmente à música.

O álbum está em todas as plataformas digitais, marcando a fase mais autêntica de Arthur no mercado fonográfico. Ele conta que, pela primeira vez, pôde imprimir suas referências musicais com força em um projeto. Agora, ele quer cair na estrada e fazer shows, encontrando o público que não vê há algum tempo. A turnê começará em outubro. Dá o play aí e confira o bate papo:

POPLINE – Depois dos Rebeldes, você fez parte da banda F.U.S.C.A., mas passou a se dedicar mais aos trabalhos como ator. Como vai ser agora com o álbum lançado e o fim de “Eta Mundo Bom”? Pretende focar mais na música?
ARTUR
– Pretendo me dedicar um tempo mais a isso, pelo menos nesse primeiro momento. Não estou fechado para fazer um personagem muito legal, com uma história bacana, que dê para conciliar com a música. O principal é dar para conciliar com a música: estou superaberto a fazer. Quero fazer alguma coisa relacionada a cinema, mas o momento é de me dedicar mais à música. Assim como passei alguns anos me dedicando mais ao ator, com a música um pouco de lado, acho que esse momento é realmente a hora da música. Até porque tem muita gente envolvida, a gravadora… Tem momentos que temos que fazer algumas escolhas e estou optando por essa.

Sentiu muita diferença de fazer um disco solo agora?
Na verdade, no “Rebelde”, a gente não tinha muita voz. Quem realmente produziu tudo foi o Rick Bonadio, desde a escolha das músicas até tudo. A gente meio que só executava. Pela primeira vez, estou tendo a oportunidade de escolher o que quero cantar, o estilo que quero cantar, e estou conseguindo colocar as minhas referencias musicais dentro do meu trabalho. São situações muito distintas. No “Rebelde”, eu era contratado de uma emissora, na qual fazia uma novela e, dessa novela, surgiu uma banda, então eu era um personagem. Não era o Artur, era o Diego [nome do personagem na novela].

Mas no F.U.S.C.A. já era você.
É, no F.U.S.C.A., lógico que era eu no palco, não era um personagem, mas não era uma coisa só minha. Quando a gente está em banda, não consegue ter só a sua influência naquele trabalho. Tinha influência minha, influência da Tati, do Digão… Aqui no disco solo, é uma coisa muito mais minha. Óbvio que tem todo o dedo e muita parcela do Alexandre Carlo, que foi quem produziu o disco, mas a gente está muito em sintonia. A gente tem referências musicais parecidas e gosta de ouvir quase as mesmas coisas, então isso ajuda muito, diferente da banda, porque cada um tinha um lado. Tentar juntar tudo isso numa banda é complicado.

Como foi a parceria com o Alexandre?
Cara, foi incrível. Ela surgiu muito naturalmente, porque a gente tem o mesmo empresário. Estava conversando e pensando quem poderia produzir o disco, mostrando minhas músicas para o Alexandre e ele falou que estava a fim de produzir. Eu, particularmente, fiquei muito feliz, porque já era muito fã dele, e fiquei muito mais fã ainda quando passei a conviver e fazer esse trabalho em conjunto com ele. Foi uma experiência incrível, porque, além de toda a capacidade musical que ele, ele foi muito generoso com isso tudo, de apresentar muitas coisas que eu não conhecia, mas também de me ouvir e fazer o disco da forma que eu ficasse feliz. Ele tem infinitamente mais experiência do que eu na música, mas teve essa generosidade de buscar me deixar satisfeito e feliz.

Como foi o processo de composição desse álbum? Vi que você chegou a ter 25 letras prontas.
Na verdade, eu tenho algumas músicas e a gente conseguiu escolher 25 dessas na pré-seleção. A gente não sabia quantas músicas ia ter o disco, não estava fechado. Foi bem demorado, bem devagar, para a gente ter certeza do que ia fazer. Foi bem artesanal para não errar.

Como você gosta de compor? No estúdio mesmo ou em casa? Como é?
Não, não, eu não me forço a compor. Não sei pegar o violão e falar “vou fazer uma música”. Deixo ela vir naturalmente. Quando vem, paro e faço. Geralmente, faço tudo junto: melodia, harmonia e letra. Mas o processo do disco foi o seguinte: a gente tinha essas 25, mas ao longo do processo, compus outras. Aí algumas que a gente dava como certas no disco saíram porque outras que eu compus passaram na frente. Também pensamos “vamos guardar essa aqui para o próximo disco”. Eu queria contar uma história. Tinha música que eu gostava muito, mas ela não se encaixava na história que eu queria contar, então preferi tirar do disco e guardar para um próximo. Eu realmente quis fazer uma coisa que não se faz mais tanto: um álbum contar uma história. Hoje em dia, as pessoas trabalham muito com single e é isso. O meu, não. Se você pegar e ouvir vai perceber que tem uma história, entendeu?

Suas composições são autobiográficas?
Depende. Tem situações que eu já passei, situações que já vi pessoas passaram, situações que me passaram, situações que eu criei… Tem músicas que eu faço e nem sei porque eu fiz aquela música. Eu fiz uma música que até pouco tempo não entendia porque tinha feito, aí eu estava na aula de canto e a filha da minha professora, a Bárbara Dias, ouviu e quis gravar a música. Aí eu entendi: eu tinha feito aquela música para ela. Não tinha nada a ver eu cantar, mas eu fiz e guardei. Nem sei porque cantei essa naquele dia, mas ela quis gravar. Eu não sei me forçar a escrever. Deixo vir. A primeira vez que me forcei foi para meu livro, que estou lançando na Bienal [de São Paulo]. Eu precisava cumprir prazo, então tinha que escrever um conto por dia. Foi a primeira vez que me forcei, e no início foi bem difícil.

Suas composições tendem a ser românticas, e você disse em uma entrevista recente que “o amor está em falta” na sociedade. Pensou em escrever sobre outros assuntos para se comunicar com as pessoas?
Tenho músicas sobre várias coisas. Tenho música sobre o momento que o Brasil passa, mas não se encaixava nesse disco. Nesse disco eu quis falar sobre amor, tem uma história sobre um cara que se apaixonou por uma menina, que já sofreu e se decepcionou muito na vida, então ela tinha medo de se entregar a esse amor. Ao longo do disco, ele passa o tempo todo tentando conquistá-la e ela fugindo dele. Eles acabam ficando e ela some e depois reaparece de novo. Ele termina realmente sem ela. Não encaixava falar sobre outras coisas.

A que público você acha que se destina o disco?
Eu acreditava desde o início que seria de 21 a 35 anos, e as pessoas achavam que eu era maluco. Mas a gente consegue ver isso pelo Spotify e realmente meu público, que mais ouve, é dos 21 a 35, chegando até aos 42, por incrível que pareça. Óbvio que tem o público de 0 até 21, mas não é a maior parte, nem perto da maior parte. Apesar de eu acreditar que seria dessa forma, não achei que de cara fosse ser. Achei que de cara seria um público bem mais jovem para daí sim eu ir conquistando um outro público. A gente realmente se surpreendeu quando a música ficou em 1º lugar nos 50 virais do Spotify. Foi muito legal. As coisas estão acontecendo de uma maneira ótima. Eu realmente não esperava esses números tão legais.

Você já está com previsão para fazer show?
Sim, provavelmente no início de outubro. A gente já tem algumas coisas fechadas, mas eu realmente não estou liberado para falar as datas. Depende de uma coisinha ou outra, então prefiro não falar as datas. Mas o que posso dizer é que começa em outubro, com certeza, e que vai começar pelo Nordeste. Isso eu posso te dizer.

Nos shows, além das músicas do álbum, vai ter algo mais?
Vai, vai. Eu optei por colocar músicas do álbum, óbvio, e também fazer releituras. Não vou fazer nenhum cover, e sim aproximar as músicas dos artistas que eu escuto e admiro para o meu som. Por exemplo, fiz releituras de “Boa Noite”, do Djavan, “Hoje Eu Quero Sair Só”, do Lenine, “Por Onde Andei”, do Nando Reis, “Odara”, do Caetano, “Meu Erro”, dos Paralamas. São releituras mesmo, com bastante da minha identidade musical.

Está com muita saudade dos palcos?
Cara, muita! Mas tenho que ir com calma para a gente não se atropelar. Vamos devagarzinho que a gente chega lá.

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