Os irmãos Alejandro, Daniel e Fabian Manzano formam a banda americana Boyce Avenue, que tem quatro shows marcados no Brasil a partir da próxima quinta (8/6). O trio tocará em Belo Horizonte (dia 8), São Paulo (dias 9 e 11) e Rio de Janeiro (dia 10). É a segunda vinda da banda ao país, e a primeira com o acumulado de EPs de covers, o EP autoral “No Limits” (lançado em 2014) e o mais recente álbum de canções originais “Road Less Traveled” (2016). O que não falta é música para apresentar.
O Boyce Avenue despontou mundialmente como a maioria dos artistas da geração 2000 – com um canal independente no Youtube. Postando covers e inéditas, a banda tem 9,7 milhões de inscritos e acumula 3,3 bilhões de visualizações em seus vídeos. O mais assistido é o cover de “Mirrors”, postado em 2013, com participação da girlband Fifth Harmony: só esse tem 126 milhões de acessos. Um enorme sucesso – que faz shows por todos os Estados Unidos e outros países, trabalhando de forma autônoma até hoje. A caminho do Brasil, Fabian conversou com o POPline por telefone para falar sobre a turnê e um pouco mais da banda. Confira! Mas leia ouvindo o mais recente single dos caras:
Vocês já fizeram shows no Brasil. Que lembranças têm daqui?
Todas as minhas lembranças são muito boas, muito positivas. Quando falo do Brasil, lembro como as pessoas eram animadas e apaixonadas. É difícil de descrever, mas todo mundo tinha uma energia muito boa. Foram todos muito legais, e a recepção foi muito calorosa. A gente fez shows, divulgação, conheceu os fãs depois dos shows, foi muito legal. Outra lembrança é sobre como a plateia era barulhenta, o que foi demais! E a terceira recordação é sobre a comida: muito boa! A gente foi a uma churrascaria e a comida era incrível!
Então, vocês tiveram tempo para passear, visitar pontos turísticos?
É engraçado, porque na verdade não tivemos tempo. Espero que dessa vez a gente possa conhecer algo. A gente pode pegar um hotel à beira da praia para ter pelo menos um dia de folga na praia. É algo que quero fazer desta vez, definitivamente.
O que os fãs podem esperar da turnê nova?
Nós certamente crescemos e mudamos muito desde a última vez que estivemos aí, que foi há tipo quatro anos. Nosso som amadureceu, definitivamente. Quero dizer com isso que nos tornamos músicos melhores. A gente também cresceu como pessoas, e isso reflete no nosso trabalho. Basicamente, vamos tentar fazer um show cheio de energia, com músicas escolhidas especialmente para os fãs brasileiros, e espero que gostem.
Como vai ser a setlist? Músicas do álbum “Road Less Traveled” e alguns covers?
Sim, vai ser uma mistura de nossas músicas originais e alguns covers. Queremos apresentar os covers que os fãs brasileiros mais gostem. Vamos tocar principalmente o “Road Less Traveled”, mas também nosso material anterior. Saiu muita coisa desde a última vez que estivemos aí, então temos muitas músicas para apresentar. É meio difícil escolher quais entram, porque são tantas!
Serão quatro shows em quatro dias no Brasil. Vocês têm algum cuidado especial para manter a energia e não adoecer?
Pergunta muito boa! Nós normalmente somos muito bons quanto a descansar entre os shows, e nos certificar de que não vamos perder a energia e ficar doentes. Em dez anos fazendo isso, acho que só cancelamos um show por conta de saúde. É realmente um cuidado que devemos ter. A agenda é muito pesada. Mas somos muito fortes também. Normalmente, não marcamos quatro shows em quatro noites seguidas, mas essa era uma oportunidade muito especial. Quem sabe quando vamos poder voltar ao Brasil e tocar para tanta gente quanto possível? Vai ser um trabalho duro, mas que valerá completamente a pena. Vamos tocar para o máximo de pessoas que pudermos.
A turnê se chama “Be Somebody”, título de um single que vocês lançaram no ano passado. Os fãs pediram para perguntar se haverá mais singles do “Road Less Traveled” e se podem esperar mais clpes.
Sim, definitivamente vamos fazer! Há várias músicas desse álbum que são muito especiais, para as quais queremos gravar clipes. É que a gente teve muita coisa acontecendo nos últimos meses e não conseguiu tocar isso como queríamos originalmente. Muita coisa acontecendo na vida pessoal, eu digo. Eu tive um filho, meu irmão teve filho, hum, então teve muita coisa acontecendo nas nossas vidas. Mas a ideia é lançar mais singles desse álbum. Tem uma música chamada “Given Up”, que acho que é incrível, tem outra chamada “Ride the Wave”, que meu irmão escreveu, e é muito legal também. Ainda não decidimos quais músicas ganharão clipes, mas certamente faremos para mais duas ou três.
Vocês têm sua própria gravadora, certo?
Sim!
Quais são os prós e contras sobre ser um artista idependente?
Eu acho que o principal contra é que você não tem acesso às pesquisas que as grandes gravadoras têm, nem a seus contatos, suas parcerias, suas conexões em geral. Mas ser independente é muito mais positivo do que negativo. Temos um controle muito maior de quem somos enquanto artistas e total controle de nossa agenda, nossos prazos, nossas metas. Se você quer dar um tempo e ficar com a família, você pode. Se você quer fazer quatro shows em quatro dias no Brasil, você pode. Você tem controle sobre quem você é e o que faz com sua carreira. Amamos ser independentes.
Mas vocês realmente têm essa liberdade toda, sendo artistas e tendo um público fazendo pressões e cobranças?
Temos muita liberdade, mas claro que também sofremos a pressão. Vou te dar um exemplo: os shows no Brasil. Queremos muito fazer, mas também era uma pressão grande dos fãs. Eles cobravam há bastante tempo nosso retorno. Decidimos atender o pedido e fazer isso da melhor maneira, com as músicas que eles querem, que os toquem, para que seja um momento especial. Mas nós escolhemos as datas e como fazer. Outro exemplo: temos um combinado de postar pelo menos um vídeo por semana no Youtube, mas as vezes estamos cansados demais para fazer isso – cansados até para gravar – então podemos também deixar para lá sem que isso vire uma dor de cabeça. É por isso que vejo muita liberdade em ser um artista independente.
Eu vi que vocês subiram um cover de “Despacito” no Youtube. Que outras músicas você tem ouvido?
O legal é que eu e meus irmãos temos gostos diferentes para música. Ultimamente, eu não poderia estar mais focado em rock. Tenho ouvido muito da discografia do Chris Cornell, porque ele morreu recentemente e é uma grande inspiração para mim. Uma das minhas bandas favoritas é o Audioslave. Tenho ouvido muito Audioslave e Soundgarden na última semana. Também ouvi bastante o trabalho solo dos caras do One Direction – Harry Styles, Niall Horan… Eu posso ouvir coisas diferentes – tipo rock, pop, R&B. Eu não ouço muito hip-hop e rap, mas fiquei surpreso com o último álbum do Kendrick Lamar. Fiquei encantado e fez eu me interessar mais por esse estilo. Eu amo Common, Kanye West, mas esse álbum do Kendrick Lamar é genial, muito inteligente.
Vocês têm algumas participações no canal no Youtube. Qual é sua parceria dos sonhos?
Oh, uau. Coldplay é uma de nossas bandas favoritas – tanto minha quanto de meus irmãos. Chris Martin foi uma grande inspiração para gente. John Mayer é um de nossos músicos favoritos: eu acho que ele é um dos melhores guitarristas de nossa geração. Então, Coldplay, John Mayer… quem mais? Não sei. Acho que esses dois são bons exemplos.
Você está aberto para conhecer um pouco de música brasileira quando chegar aqui?
Absolutamente. Nós adoramos descobrir músicas, artistas e bandas novas. Espero que a gente possa ouvir rádio aí ou perguntar por sugestões para as pessoas que conhecermos aí.
Essa turnê do Boyce Avenue vai até novembro, pelo menos. Podemos esperar música nova para este ano ou só em 2018?
Nada de música nova neste ano. Mas estamos empolgados para fazer os clipes das músicas do “Road Less Traveled”. Só tivemos um single oficial, que foi “Be Somebody”, e existem mais músicas desse álbum que precisam ser trabalhadas e promovidas a outro nível, entende? Então, nada de música nova por enquanto, mas definitivamente novos clipes.
Para terminar, por favor, mande um recado para os fãs brasileiros.
Eu não falo nada de português, mas gostaria de dizer ‘muito obrigado’ [fala em português] pela oportunidade de voltarmos aí para fazer mais shows. Muito obrigado pelo apoio nas redes sociais. Estamos muito empolgados por voltar. Esperamos muito tempo por isso. Estamos trabalhando muito duro para preparar um show muito bom para todos vocês!


