in

Do pop ao country, do rock ao hip hop: a versatilidade de Mark Ronson em 10 grandes parcerias

Um dos lançamentos mais aguardados dos últimos tempos foi a parceria de Mark Ronson e Miley Cyrus. Nesta quinta-feira (29), “Nothing Breaks Like a Heart” chegou às plataformas digitais e ao YouTube. E conforme prometido, a faixa não era necessariamente pop, mas sim com influências country-futurista.

Pensando nesta parceria de peso, o POPline resolveu listar 10 grandes parcerias que Mark Ronson fez durante a carreira. Comprovando sua versatilidade, o produtor foi do pop ao country e do rock ao hip hop sem perder a essência característica de seus trabalhos: batidas dançantes, contemporâneas e melodias que grudam na mente. Vamos à lista?

1. Nikka Costa

.
Ainda uma garotinha no início dos anos 1980, Nikka Costa fez muito sucesso no Brasil com a canção “On My Own” (e certamente seus pais devem lembrar disto). Filha do produtor e arranjador Don Costa e afilhada de ninguém menos que Frank Sinatra, Nikka foi lançada nos Estados Unidos apenas em 2000 por meio de uma campanha da Tommy Hilfiger na TV com single “Like a Feather”. Mark Ronson conseguiu traduzir em uma faixa jazz-funk toda a confiança sexual, exuberância e toques vocais santificados de Aretha Franklin com algumas moléculas do grito desgastado de Janis Joplin. Sem falar no videoclipe, onde Nikka mira nos movimentos de James Brown e faz Rihanna parecer uma criança no palco. Apesar das boas críticas ao álbum Everybody Got Their Something (2001), os acontecimentos de 11 de setembro sepultaram o interesse dos americanos por música e o trabalho passou despercebido.

2. Lily Allen

.
“Littlest Things” é, sem dúvidas, um dos pontos altos de Alright, Still (2006), álbum de estreia de Lily Allen. Escrita pela cantora e Mark Ronson, a canção incorpora um trecho de piano da música escrita por Pierre Bachelet e Hervé Roy para o filme pornô softcore Emmanuelle, pelo qual eles foram creditados como co-autores, enquanto a letra aborda a cantora lidando com o rompimento com seu namorado, enquanto relembra o tempo que passaram juntos. A música nasceu em um estúdio em Nova York, depois que Lily conheceu Ronson e ficou impressionada com seus trabalhos. A curiosidade por trás da música é que a letra conta uma história real. A cantora havia rompido com Seb por alguns meses. Por sua vez, Seb era amigo de Ronson. Ainda assim, a insistência de Lily transformou a canção em um de seus momentos mais dóceis. Logo ela, uma artista conhecida pelos versos agridoces.

3. Christina Aguilera

.
Em 2006, chegou aos ouvidos de Mark Ronson que Christina Aguilera estava garimpando músicas para um novo álbum. Mesmo sem acreditar que a cantora poderia gostar de suas produções mais recentes, o produtor enviou faixas no estilo hip-hop que estavam perdidas em seu acervo. Para sua surpresa, retornaram a ligação quatro dias depois dizendo que a popstar havia gostado do que ouviu. “Eu havia imaginado que daria ‘Slow Down Baby’ para alguém como o rapper MOP. Ela e Linda Perry gostaram muito de uma demo meio Beatles, pegaram parte para fazer ‘Welcome’ e outra parte para fazer ‘Hurt’. Duas músicas pelo preço de uma”, disse Ronson em uma entrevista anos depois. Este ano, Aguilera lançou “Like I Do”, com a participação do rapper Goldlink no vocais e a contribuição primorosa de Anderson .Paak na produção e supervisão de Ronson. Um r&b classudo e vagaroso de instrumentos de sopro, teclados e batidas urbanas.

4. Amy Winehouse

.
Amy Winehouse estreou em disco com Frank (2003), mas não emocionou o público tanto quanto o elogiadíssimo Back to Black (2006). O segundo trabalho mostrou que havia uma garota com grande potencial de interpretação. Só precisava do produtor certo para trazer algo de inovador para o jazz bem puxado para o pop que Amy vinha fazendo. Mark Ronson entra em cena para moldar o som contemporâneo ideal para uma voz extremamente forte e expressiva, que não se deixa levar para a reabilitação tão facilmente e que luta para ter seu homem de volta. O resultado dessa comunhão: cinco prêmios Grammy, mais de 12 milhões de cópias vendidas, o segundo álbum mais vendido do Reino Unido no século 21 e um encontro histórico no palco do BRIT Awards de 2008, quando produtor e artista performaram juntos o hit “Valerie”.

5. Robbie Williams

.
Em meados dos anos 2000, Robbie Williams era o artista masculino mais bem sucedido da Europa. Inquieto, optou por afastar-se das baladas românticas que lhe consagraram e decidiu lançar um disco com fortes bases de hip hop e música eletrônica. Mas como muitos artistas, Robbie errou a mão ao convocar diversos produtores para Rudebox (2006). Mark Ronson esteve presente em quatro faixas, incluindo o single “Lovelight”, um dos momentos mais inspirados do trabalho. Certa vez, o produtor fez o mea-culpa ao assumir que emendar um trabalho em outro não o permitiu desenvolver melhor suas ideias para o álbum de Robbie, que por sua vez se entediava facilmente em estúdio. De toda forma, o cantor é um dos amigos mais próximos de Ronson até hoje.

6. Adele

.
Não há como negar o efeito positivo que Mark Ronson teve na música popular britânica. Seu trabalho de produção exuberante ajudou a introduzir velhos sabores de alma para uma nova geração criada com batidas mínimas e melodias esparsas. Seu trabalho com Adele se resumiu a uma faixa em 19 (2009), álbum de estreia da cantora. “Cold Shoulder” apresenta um ótimo shuffle de bateria, marca registrada de Ronson, e letra inspirada de Adele, ótima em fazer com que a ansiedade adolescente pareça significativa e madura. “Faltava umas batidas, uma melodia real e animada no álbum. Eu não conseguia pensar em mais ninguém além de Mark Ronson para fazer isso”, disse Adele à época do lançamento. Por sua vez, Ronson ficou impressionado com o poder de decisão da jovem cantora. “Perguntei se ela teria outras músicas pra me mostrar e ela disse assertivamente que ela queria aquela. Foi um bom trabalho, não?

7. Paul McCartney

.
Já consagrado como um produtor de respeito, um convite pra lá de inesperado surgiu em 2011. Após discotecar na festa de casamento de ninguém menos que Paul McCartney, o próprio convidou Ronson para produzir seu próximo disco. “Ele foi doce e paciente comigo. Sabia que eu estava nervoso e me deu uns três dias para que eu processasse a ideia. Mas depois disso, tive que mostrar a que vim. Ele é o Paul, não precisa de produtor. Acho que ele gosta de ter parceiros inspiradores para trocar ideias”, disse Ronson em uma entrevista. O pagamento pela produção de algumas faixas do álbum New (2013) foi o mais inusitado. O produtor não quis receber em dinheiro. Teve a audácia de pedir para que Paul tocasse baixo em alguma de suas músicas no futuro. Aguardamos este encontro!

8. Lady Gaga

.
Lady Gaga é uma das artistas mais completas da atualidade. Canta, atua e compõe com maestria, mas vinha de uma fase difícil após a turnê do álbum ARTPOP (2013). Para dar a volta por cima, recrutou Mark Ronson. Ele ficou responsável pela produção tanto do álbum Joanne (2016), e também da música “Shallow”, a mais marcante do filme Nasce uma Estrela, onde Gaga interpreta a protagonista Ally. “Nós provavelmente fomos sortudos por termos trabalhado em Joanne e superado algum espaço para que ela estivesse pronta para ir a um outro, muito pessoal, como foi quando escrevemos ‘Shallow’. Se fosse uma sessão comum de composição, em que tivéssemos acabado de nos conhecer um dia antes, não sei se teríamos aproveitado bem isso”, disse Ronson ao site Hollywood Reporter.

9. Queens Of The Stone Age

.
Depois do bem sucedido, mas denso …Like Clockwork (2013), Josh Homme estava a fim de gravar um novo disco do Queens Of The Stone Age que fosse dançante, mais up tempo. A amizade com Mark Ronson estreitou-se durante as gravações do álbum Joanne, de Lady Gaga, onde Homme tocou em algumas músicas. Foi natural que Ronson fosse o responsável por manter em Villains (2017) as guitarras enxutas da banda, mas que flanassem por cima de batidas de discoteca alegres e sintetizadores frios em músicas como “Feet Don’t Fail Me” e “Un-Reborn Again”. Sobre o desafio de mudar a sonoridade do QOTSA, Homme disse: “Todo fã que curte nosso som deveria esperar esse soco no peito, porque nós fazemos isso uns com os outros antes. Parte de mim acha que toda vez que lançamos um álbum novo, nós perdemos uns 20% dos fãs. Estou tentando elevar isso para 40%.”

10. Dua Lipa

.
Uma das sensações de 2018, Dua Lipa convocou o Silk City – dupla formada por ninguém menos que Mark Ronson e Diplo – para produzir o single “Electricity”. Ronson e Diplo formaram essa dupla no início deste ano, como uma homenagem às grandes cidades conhecidas pela dance music’ – Chicago, Londres, Paris, Detroit. A canção é uma composição de Florence Welch (Florence + the Machine) com Romy (The XX). Segundo Mark Ronson, a faixa é definida como ‘house music’ espiritual ao piano. “Dua Lipa tem essa voz profunda, cheia de alma, que remete ao gospel house”. E após a parceria, Ronson confirmou que estará no time de produtores do próximo álbum de Dua Lipa, que já se encontra em fase de composição.

Mas e o Bruno Mars?

Sim, a gente sabe que Mark Ronson foi um dos produtores de Unorthodox Jukebox (2012) e, principalmente que a dupla colaborou em “Uptown Funk”, definitivamente o maior sucesso da carreira do produtor. Mas isso é um papo para uma outra conversa. Fiquem ligados no POPline que em breve teremos mais novidades!

Escrito por Daiv Santos

Lançamentos da semana: Maria Bethânia, Zeca Pagodinho, Sorriso Maroto e Maiara e Maraisa são destaques!

“Thank u, next”: Ariana Grande faz referência ao “enorme” pênis de ex-noivo e insinua que “ficaria de novo” com Big Sean