Foto: Allyson Alapont/Divulgação
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Diretora do m-v-f- fala sobre desafios do audiovisual musical

Lia Vissotto comenta sobre o momento do audiovisual musical no Brasil que vai da pandemia ao NFT

Idealizado por Lia Vissotto, o Music Video Festival (m-v-f-) surgiu em 2013 como uma plataforma para divulgar e celebrar a produção audiovisual de vídeos musicais, destacando sua importância e influência como expressão criativa, tecnológica, cultural e mercadológica.

Desde então, e através de um time de colaboradores nacionais e internacionais, o m-v-f- vem construindo um legado envolvendo uma comunidade artística que cresce a cada ano, composta por músicos, diretores, produtores e uma série de profissionais envolvidos com o videoclipe e novas linguagens advindas da era digital.

Após acompanhar as edições virtuais bem sucedidas do m-v-f- awards e do m-v-f- reloaded este ano, o POPline.Biz é Mundo da Música bateu um papo com Lia para entender em que momento o audiovisual musical está no Brasil e quais os principais desafios dos artistas e produtores no cenário atual que vai da pandemia ao NFT.

A diretora, formada em Comunicação Social pela Universidade de São Paulo (USP), sócia-fundadora da Cinnamon Comunicação e diretora fundadora do Instituto URBE, acredita que o cenário do audiovisual no país não tenha mudado muito por conta da pandemia. Segundo ela, “sempre haverão aqueles poucos artistas mainstream que conseguem viabilizar clipes que custam coisa de 6 dígitos”.

Além disso, Lia acredita que a tendência hoje é, mais do que nunca, explorar o visual, a imagem e o som. “As redes sociais se tornaram o principal meio de relacionamento do artista com seu público, e hoje as tecnologias permitem várias possibilidades”, argumenta.

Confira os destaques da entrevista:

Biz: Os videoclipes fazem parte da maioria das estratégias de lançamento musicais e, nesse momento pandêmico, observamos que muitos artistas estão buscando novas formas de produção, seja para diminuir custos (vide o cenário de crise do entretenimento sem a possibilidade de shows presenciais), ou pela real dificuldade de poder juntar muitas pessoas em um mesmo local. Como você enxerga o cenário do audiovisual hoje no país?

Lia: Acho que o cenário não mudou muito em função da pandemia, no final. Sempre haverão aqueles poucos artistas mainstream que conseguem viabilizar clipes que custam coisa de 6 dígitos (vide clipe da Anitta) para uma maioria de artistas midstream (ou nem isso) que precisam trabalhar com budgets realmente apertados para colocar um audiovisual no ar. Porque não é só fazer o clipe, né? Tem que investir em impulsionamento nas redes, designer para a peça de divulgação, etc etc.

Acho que na real que a pandemia incentivou a galera a pensar mais fora da caixa, achar soluções mas criativas e até criou uma “licença poética” para clipes mais simples, feitos em casa, com poucos recursos. E tem coisas incríveis que saíram daí, como esse aqui que ganhou “melhor videoclipe internacional feito na pandemia” no m-v-f- awards 2020:

2. O que temos de novo e quais as tendências visuais você tem observado para este ano?

Lia: Eu acho que mais do que uma tendência visual específica, o que tenho observado é como cada vez mais o artista precisa pensar o lançamento de uma música em um formato de narrativa, que se entrelace com todas as pontas de comunicação com sua base de fãs. Para além do clipe, os visualizers, o cenário/direção de arte do show ou da live, teasers, etc. Acho que a tendência é, mais do que nunca, explorar o visual, a imagem e o som, porque as redes sociais se tornaram o principal meio de relacionamento do artista com seu público, e hoje as tecnologias permitem várias possibilidades.

Tenho olhado bastante também para arte digital como um caminho muito interessante de associação de visuais que independem do fator “live” ( acting, presença do artista, etc) para as músicas. Fizemos um exercício agora no m-v-f- reloaded, comissionando visual sets de artistas visuais para 3 artistas/bandas diferentes. O resultado ficou muito bacana e até mesmo deu a ideia para outros desenvolvimentos, como nfts desse material.

Num outro espectro, tem os projetos mais grandiosos, que tem na linguagem audiovisual o seu principal suporte, como é o caso de “Black is King”, da Beyoncè, ou, no caso do Brasil, “Amarelo”, do Emicida. Acredito que veremos cada vez mais projetos com esse perfil, já que enxergo uma alta demanda das grandes plataformas de streaming por conteúdos que envolvem artistas e personalidades que já tragam uma comunidade de fãs relevantes.

3. Alguns artistas estão apostando em álbuns que são todos visuais, como por exemplo, o COR do duo Anavitória. O que você acha desse formato? Acredita que ele possa ser o novo caminho para a música?

Lia: O videoclipe, sozinho, não se sustenta tanto mais. Eu achei bem interessante o trabalho dos vizualizers do COR e imagino que eles super tenham cumprido a função de gerar os views e streams necessários para o lançamento. Mas, é importante notar também que Anavitória lançou no ano passado dois clipes incríveis (também finalistas do m-v-f- awards 2020): Calendário e Não Passa Vontade, esse último com Duda Beat. Então acho que mesmo com as apostas em visualizers, visual álbuns, etc, os clipes não deixaram de existir – porque, afinal, todos precisam de narrativas.

Outra artista que também está entregando um trabalho audiovisual incrível é Manu Gavassi – também do time de Simas. “Deve Ser Horrível Dormir Sem Mim”, com a Gloria Groove, melhor videoclipe nacional segundo escolha do público no m-v-f- awards 2020, tem um trabalho de narrativa incrível.

4. NFT: é realmente um caminho real ou fogo de palha?

Lia: O que eu pessoalmente acho é que, mesmo sendo fogo de palha, não tem porque não testar, entrar nesse mundo, abrir novas portas, principalmente para os artistas menores. Especialmente em um momento em que os investimentos estão minguando, os shows inexistentes. E não exige um superinvestimento. Tem modelos e plataformas para todos os bolsos (e filosofias).

No caso do m-v-f-, por exemplo, optamos por colocar nossos esforços na plataforma brasileira Hic et Nunc, que opera com a moeda Tezos (significantemente mais sustentável que outras plataformas que operam com Ethereum) e que também não exige um investimento tão alto para “cunhar” as obras na plataforma. Além do fato de ser uma plataforma descentralizada, feita e pensada por e para artistas.

Para quem quiser saber mais, recomendo essa oficina que realizamos em parceria com a Hic et Nunc e o projeto Homeostasis Lab, de arte digital:

Escrito por Rafa Ventura

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