Foto: Acervo Pessoal
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Dicionário da música com Pablo Bispo e Ruxell – Parte 1

Sabe o que é um Sample? Beat? Drop? bpm? Os produtores musicais explicam!

O que é um Sample? E Beat? Já ouviu falar em Drop? Sabe o que é BPM? Se sua resposta foi “não” para alguma dessas perguntas, ou ficou em dúvida se sabe a resposta correta, você precisa ler esta edição especial do Guia MM – o seu guia sobre o lado burocrático do mundo da música de uma forma objetiva e direta.

O POPline.Biz é Mundo da Música convidou dois experts do mercado para elucidar alguns termos musicais: os produtores musicais Pablo Bispo e Ruxell, sócios do Dogz e do selo Inbraza. A dupla trouxe um olhar prático das dúvidas conceituais que surgem na hora de produzir uma música e explicou do jeitinho deles cada um dos termos.

Confira abaixo a primeira parte do Dicionário Musical que os produtores criaram para o Guia MM:

SAMPLE

Pablo & Ruxell: Sample, na verdade, é um recorte, um fragmento de qualquer áudio, qualquer música que você queira utilizar em qualquer tipo de produção. No caso de muitas músicas conhecidas a gente recorta samples de músicas antigas pra usar em produções modernas.

Eles podem ser não somente música, música é o maior exemplo. Eles podem ser arquivos soltos. Cada arquivo de áudio, vozes soltas, pode ser sampleada. Tudo é considerado sample.

Lembrando que pra ter um sample você tem que ter autorização, porque você está usando a música de outra pessoa ou uma criação de outra pessoa. A não ser que você esteja usando algo que já seja liberado, que seja livre desses direitos em comum acordo. Mas, se não for nesse caso, se você pegar uma outra música e samplear um recorte dessa música você precisa autorizar, você precisa tá em contato com a galera.

Na prática:

1. A música “Cinco Minutos”, de Jorge Ben Jor, parte do álbum “A Tábua de Esmeralda” gravado em 1974, foi sampleada pelo grupo americano Black Eyed Peas na faixa “Positivity”.

Ouça primeiro a original:

Agora o sample:

2. “O Homem na Estrada”, gravada por uma das maiores referências do rap brasileiro, os Racionais MCs. Nela, KL Jay, dj do grupo, sampleou o sucesso gravado por Tim Maia em “Ela Partiu”, uma das faixas do álbum “Nobody Can Live Forever”, lançado em 1976:

3. “Desabafo/Deixa Eu Dizer” foi o primeiro single oficial do álbum “A Arte do Barulho”, do rapper Marcelo D2. A música contém samples da canção “Deixa eu Dizer” (1973), letra de Ronaldo Monteiro de Souza e Ivan Lins e interpretada pela cantora Cláudia.

4 – Emicida convidou Majur e Pabllo Vittar para participar da música “Amarelo”, que dá nome ao seu último álbum. Nela, o rapper introduziu um sample com “Sujeito de Sorte” de Belchior.

BEAT

Pablo & Ruxell: O beat é como a gente chama essa produção de hoje em dia. Isso foi desmistificado no mundo de hoje que as produções estão mais eletrônicas. Beat nada mais é que o arranjo da música, só que de uma forma mais eletrônica, produzida mais digital.

Antigamente era tudo feito de uma forma orgânica, instrumentos tocados, arranjadores… O produtor arranjador hoje também se tornou um “beatmaker”, e o “beatmaker” também é um arranjador. Só que é isso, a linguagem, a música é produzida no computador, a música digital. Aí mudou o nome, mas o conceito é o mesmo. A essência é a mesma.

Lembrando que tem gente que faz muita letra, tem gente que faz muito beat e tem gente que faz os dois. Então, às vezes é difícil separar o que que é beat o que que não é.

“Beatmaker só faz o beat”. Não! Se a pessoa fez o beat ela também fez parte da criação. Quando a gente diz: “composição”, é tudo o que compõe alguma coisa. Então, composição não é só a letra, porque se você pega o que compõe uma música, além da letra, tem o instrumental. Então, o beatmaker é tão compositor quanto. Sempre levantamos essa pauta pra gente trocar uma ideia.

BPM

Pablo & Ruxell: E seguindo essa linguagem do beat.. Para a gente começar um beat tudo parte de um bpm, que é a velocidade de cada beat. Hoje em dia, temos estéticas caracterizadas pela velocidade do bpm, como no funk 130, 150 ou 170. Quando vamos fazer alguma música e a pessoa diz que quer fazer um funk, a gente já pergunta: “130, 150 ou 170”?.

No que isso impacta? No funk, quanto maior o bpm, mais rápido, mais acelerado e é muito cultural nas comunidades. Hoje em dia está voltando ao 130, mas teve uma época que o 150, depois o 170 dominou. Vocês já devem ter escutado falar: “Nas rádios o que está dominando é o 130!”.

Então depende do caminho musical que você quer seguir. Claro que é sempre bom experimentar, mas o bpm ele muda de acordo com o estilo. Não só com o funk, mas qualquer estilo é muito característico pelo bpm. O reggaeton, por exemplo, é um bpm próximo do bregafunk, que é próximo da rasteirinha*. Têm muitas interseções.

Em resumo, é basicamente o ritmo que a música vai levar, no sentido do direcionamento. BPM significa “batidas por minuto” então, é o que guia, é o coração da parada.

*Curiosidade:

Rasteirinha é um subgênero musical surgido no Brasil, em 2012, que se assemelha ao funk carioca, porém diferencia-se por ser um ritmo mais cadenciado e com batidas mais lentas, aproximadamente 96 bpm.

Além do funk carioca, a rasteirinha recebe fortes influências de axé, samba e reggaeton, tendo expandido o gênero internacionalmente. Entre os principais expoentes do gênero estão os DJs e artistas Omulu, Munchi, Buraka Som Sistema, MC Kevinho e Pabllo Vittar.

DROP

Pablo & Ruxell: O drop é um conceito mais moderno ainda de uns 10 anos para cá. Mas tem pelo menos uns 5 anos que ele entrou na música pop. A gente mesmo acendeu na carreira com drops.

O drop nada mais é do que um refrão, só que ele é instrumental, então é a parte que todo mundo se joga como se tivesse com a mesma sensação de cantar um refrão de um hit absurdo.

A gente fez drop em “Sua cara” (Major Lazer, Pabllo Vittar e Anitta) ou outras músicas como “Bateu” (Iza e Ruxell). O drop é aquele momento que vai estourar alguma coisa, você vai dançar e é aquilo que te contagia. Não tem letra, não tem refrão. O refrão é o próprio drop. Normalmente é essa parceria nesse movimento mais eletrônico da música.

Escrito por Rafa Ventura

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