O diretor artístico e curador do Lollapalooza Brasil, Marcelo Beraldo, conversou com exclusividade com o POPline sobre a construção do tão celebrado line-up de 2026, apontado pelo público como um dos mais equilibrados e surpreendentes desta nova fase do festival.
Na entrevista, o executivo detalha o processo contínuo que já projeta atrações para as edições de 2027, 2028 e 2029, comenta como o comportamento dos fãs vem moldando a diversidade musical e revela o que esperar do Lolla 2026 dentro e fora dos headliners.
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Foto: Divulgação
Segundo o Beraldo, o impacto positivo da programação do Lolla BR 2026 não se deve apenas aos grandes nomes do cartaz, mas ao conjunto da obra:
“Além da Sabrina Carpenter, o Lolla 2026 é muito bom coletivamente falando. É um festival mesmo, na própria definição de festival. Os fãs podem passar horas, indo de palco em palco, e sempre encontrarão música boa e que reflita muito bem o contexto global da música.”
Para ele, a curadoria desta edição apresenta uma costura entre momentos da música e gerações, o que torna a experiência mais ampla e representativa da cena global atual. “Dentro dos gêneros que fazem parte da essência do festival, há um equilíbrio entre atrações mais frescas, como Chappel Roan, Turnstile e Doechii; atrações com mais histórico, como Interpol e Cypress Hill; e outras que dialogam com um espectro mais amplo de audiência, como Deftones, Lorde e Tyler the Creator.”
No universo brasileiro, o curador destaca apostas pouco óbvias: “No lado brasileiro, temos muitas apostas inusitadas como Edson Gomes e Papangu.”
Saída de artistas e respostas rápidas
A edição do Lollapalooza 2026 também precisou lidar com mudanças após o anúncio oficial, com as saídas de D4vd e Lola Young da programação. Beraldo explica que essa agilidade não parte de uma lista prévia de substitutos, mas de relações construídas ao longo do processo:
“Não temos um plano B propriamente dito. O que acontece é que, no processo de contratação dos artistas, a gente vai falando diariamente com agentes e empresários. Então, quando é necessária uma substituição, já sabemos mais ou menos quem está disponível e quem cabe no orçamento.”
Esse acompanhamento constante vem da forma como o Lolla é estruturado. A curadoria não começa em um determinado momento prévio ao evento, porque, na verdade, ela nunca termina. Beraldo explica:
“O processo nunca para. Já estamos trabalhando para 2027 e já sabemos até mesmo de planos para 2028 e 2029 de algumas bandas. O mercado de música ao vivo tem que se planejar com bastante antecedência.”
A referência criativa, segundo ele, permanece clara: “Nossa direção é focada em oferecer o que há de mais relevante no cenário atual da música global.”
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O público mudou e a curadoria precisa acompanhar a mudança
Para o festival, o público desempenha um papel determinante na construção dessa narrativa. Com fãs recorrentes e outros que chegam pela primeira vez, o comportamento e o ecossistema digital acabam moldando decisões. “De fato, o perfil do público está ficando mais abrangente, até porque todo ano temos fãs que vão pela primeira vez e aqueles muitos que sempre voltam.”
Beraldo pontua que a era do streaming aproximou gerações e ampliou repertórios. “Com a evolução do streaming, as diferenças entre gerações diminuíram. Todo mundo ouve uma maior diversidade de gêneros e bandas.”

Foto: Instagram @lollapaloozabr
Ele acrescenta que a resposta dos fãs foi determinante para o topo do line-up:
“Os três headliners estavam entre os mais pedidos em nossas enquetes.”
Ao falar sobre desafios, Beraldo resume de forma direta: “Em qualquer lugar do mundo, montar o line-up é o ponto nevrálgico.” Ainda assim, ele enxerga potencial de surpresa em nomes que podem criar novos momentos marcantes no Autódromo.
As apostas do curador
Entre suas apostas para destaques na edição de 2026, o curador cita dois artistas específicos:
“Além do ¥ØU$UK€ ¥UK1MAT$U entre os DJs por seus sets energéticos, acho que o Edson Gomes será ovacionado. Talvez por não ter ainda muita presença nos festivais do Sudeste, ele não é muito o que uma parte das pessoas espera no Lolla, mas tenho certeza que, após o show dele, vamos nos perguntar: ‘onde estávamos com a cabeça que não o trouxemos antes?'”.
Lollapalooza 2026
Assim como em edições anteriores, o POPline é parceiro de mídia oficial do Lollapalooza Brasil 2026, acompanhando de perto todos os detalhes desta edição e trazendo uma cobertura especial com os destaques dos três dias de evento: 20, 21 e 22 de março.
Com mais de 70 atrações distribuídas em quatro palcos, o Lollapalooza Brasil reforça seu compromisso de ser um espaço de diversidade sonora, reunindo estreias internacionais, artistas consagrados e novos talentos da música nacional. O evento ocupará 600 mil m² do Autódromo de Interlagos, em São Paulo, com experiências além da música, incluindo gastronomia, ativações de marcas e áreas de descanso.
Ingressos
Os ingressos já estão disponíveis pelo site da Ticketmaster Brasil e na bilheteria física no Shopping Ibirapuera. Além do Lolla Day, que dá acesso a um único dia do festival, segue à venda o Lolla Pass, válido para todos os dias de programação.
O valor dos ingressos varia de acordo com o lote disponível e vigente no momento da compra e o tipo de entrada selecionada, podendo ser entrada social, meia-entrada e inteira. Nas compras online, haverá cobrança de taxa de serviço de 20%; já na bilheteria física, não há cobrança de taxa.