Claudia Leitte lança nesta semana, o Ato II de “Especiarias”, capítulo que marca a fase mais quente do projeto e antecipa o clima do verão e do Carnaval 2026. Com novas faixas guiadas pela mistura de ritmos, a artista apresenta a etapa em que o álbum ganha velocidade, cor e mais temperatura. Em entrevista ao POPline, Claudia detalhou o conceito do projeto, explicou por que decidiu dividi-lo em atos e comentou como esse novo lançamento se conecta à sua agenda e ao público.
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Foto: Dodô Villar
Desde o início, “Especiarias” não foi concebido como um álbum convencional. A ideia de dividir o trabalho surgiu da vontade de permitir que cada parte tivesse um papel dentro da narrativa maior. Claudia conta que essa lógica dialoga diretamente com a construção da turnê “Intemporal”, que também trabalha com a ideia de “estações”.
Antes mesmo de apresentar as músicas, ela queria estabelecer um ritmo de consumo, algo que desse ao público tempo para absorver cada capítulo. “Dividi o show ‘Intemporal’ em estações e quis que o álbum seguisse esse mesmo ritmo. Cada ato tem uma temperatura, um clima, uma nuance.”
O “Ato I”, lançado em outubro, abriu o projeto com um tom mais romântico e menos acelerado. Agora, com o “Ato II”, a dinâmica muda:
“O primeiro ato era uma introdução ao verão. Agora a gente começa a botar o pé no verão de verdade. É a mudança de estação.”
A mistura de ritmos
O conceito central de “Especiarias” nasce da própria trajetória de Claudia Leitte, marcada pela convivência entre gêneros que, para ela, coexistem naturalmente. A artista construiu sua carreira no Carnaval, mas não limitou sua linguagem ao axé. Ao longo dos anos, incorporou referências do pop, do samba-reggae, do pagode baiano e de estilos internacionais.
Essa pluralidade, segundo ela, é a base do disco. “Eu sou cantora de Carnaval, de música baiana, de música pop. A música da Bahia é um bailão. Tudo cabe na nossa célula rítmica,” explicou.

Foto: Dodô Villar
Ela ainda conta que o projeto funciona como uma síntese dessas influências, como um espaço para organizá-las sem perder espontaneidade:
“É um caldeirão de influências. Misturo tudo, mas com um propósito muito claro.”
Claudia explica que toda essa construção também passa por uma colaboração intensa com o diretor musical Luciano Pinto e o produtor Juliano, que definem o som junto com ela. “Eles entendem meus desejos e trazem a parte deles. Isso equilibra tudo. É um trio elétrico mesmo: eu e eles dois.”
Ato II: calor, verão e a música do Carnaval
Com cinco faixas inéditas, o “Ato II” de “Especiarias” chega para marcar o início oficial da temporada de verão da artista. Diferente do primeiro capítulo, essas músicas foram pensadas para trazer energia, movimento e o espírito de rua que acompanha Claudia nessa época do ano.
Entre elas está a aposta para a folia de 2026, “Plugin da Bagaceira”. Sobre a música, ela disse:
“‘Plugin da Bagaceira’ é a minha música do Carnaval. É a minha aposta mesmo. Ela tem uma linguagem simples, fácil de entender, mas com uma pimentinha que eu quis colocar. É aquele humor que o Carnaval pede. A letra conta a história de uma menina quietinha que, quando vacila, acaba entrando na brincadeira e aí ninguém segura mais.”
O repertório também inclui faixas que nasceram de encontros criativos com compositores e que refletem momentos pessoais da artista. Durante uma audição com fãs em um cinema de Recife, a faixa “Mergulhando” acabou gerando um momento que viralizou nas redes, onde Claudinha fez a coreografia no chão. Sobre o “viral” ela disse:
“Na audição com os fãs, eu fui me empolgando junto com eles. Estava imitando o que a galera ia fazer no Carnaval, me joguei no chão, mergulhei… e virou uma trend depois. Foi espontâneo. Sou daquele jeito mesmo.”
Já sobre os fãs, ela falou: “Eu não preciso fazer nada elaborado pra eles. Só preciso estar junto. Eles sabem quem eu sou e eu também sei o que eles esperam de mim. Ter os fãs ali ouvindo as músicas pela primeira vez foi a melhor parte. A reação deles me confirma que estou no caminho certo. Meus fãs são o meu norte. Eles me dão o aval, dizem o que pensam, e eu sigo muito essa frequência que a gente tem juntos.”
“Essência”
O “Ato I” de “Especiarias” veio acompanhado de três clipes que, juntos, formarão um curta-metragem. A ideia surgiu durante o processo de gravação das músicas, quando ela começou a imaginar cores e imagens associadas às faixas. Esse movimento fez com que Claudia revisitasse aspectos de sua própria formação artística e pessoal.
“Eu comecei a imaginar as cores das músicas no estúdio. Sempre fui assim. O audiovisual nasceu daí,” explicou. O curta recebeu o nome “Essência” e, segundo Claudia, traduz uma percepção pessoal que ela redescobriu ao longo do projeto.
“Eu consegui me ver na terceira pessoa e reconhecer que minha essência sempre esteve ali, mesmo quando eu me distraía com a vida.”
Entre a introspecção e o calor do verão
Em paralelo ao lançamento de “Especiarias”, Claudia segue rodando o país com a turnê “Intemporal”, em formato mais acústico e reflexivo. A convivência entre os dois projetos cria um contraste que, segundo ela, faz parte do momento que vive. “‘Intemporal’ é o meu lado mais introspectivo. ‘Especiarias’ é a festa. As duas coisas convivem.”
Essa mesma dualidade se estende à preparação para o Carnaval. Embora ainda mantenha o tema em segredo, ela confirma que toda a estética e o roteiro do verão estarão alinhados ao conceito do álbum. “Tudo tem conexão. É a era das especiarias,” concluiu.