Em meio à turnê comemorativa e a um momento de forte renovação da música brasileira, a cantora Céu celebra os 20 anos do álbum homônimo que marcou o início de sua carreira. Mas, sempre olhando para frente, ela aproveita para exaltar nomes da nova geração, como Marina Sena e Rachel Reis. Em entrevista ao POPline, a artista reflete sobre o impacto do disco, o carinho do público, sua influência na chamada “Nova MPB” e os desafios da Inteligência Artificial na arte.
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Um disco que segue presente após 20 anos
Para Céu, o álbum de estreia, de mesmo nome, continua vivo em sua rotina, apesar de um certo distanciamento.
“É um disco que me deu esse presente, foi o pontapé inicial para uma trajetória muito intensa”, reflete.
Porém, a artista conta que sente uma mistura de distanciamento e identificação ao revisitar o trabalho. “Quando eu remexo nesse trabalho eu sinto: meu Deus, sou eu a mesma coisa, tipo foi ontem. Eu penso da mesma forma”, comenta, ao falar sobre a ambivalência de olhar para o passado e, ao mesmo tempo, seguir em frente.

Capa do álbum Céu (2005)
Turnê comemorativa e reencontro com os fãs
Céu também fala sobre as apresentações especiais em comemoração aos 20 anos do disco. Segundo ela, o retorno aos palcos com esse repertório tem sido emocionante. “Está sendo muito massa. Começar pelo Rio, no Circo Voador, foi muito divertido porque é uma casa muito especial desde há 20 anos”, contou. Ela destacou a recepção calorosa do público em cidades como Brasília e Minas Gerais e revelou que nunca havia feito um show completo do álbum.
“É um show que eu não fazia nem há 20 anos atrás quando eu estava com esse disco na estrada. Então eu estou fazendo realmente tudo”, explicou.

Foto: Divulgação
Sucesso imediato e responsabilidade artística
Indicada ao Grammy logo no primeiro álbum, Céu lembrou como o reconhecimento precoce impactou sua trajetória. “Nunca foi um peso, mas me colocou num lugar que tem uma responsabilidade”, afirma. O álbum foi muito celebrado por trazer elementos como hip-hop e eletrônica, no entanto, sem deixar de fora muitos ritmos brasileiros.
“Eu sempre trouxe o Brasil antes de tudo. Sempre gostei de misturar. Sou compositora, sou mulher, sou mãe. Foi uma guerrilha danada e uma alegria enorme poder continuar fazendo o que eu acredito com honestidade.”
Orgulhosa do caminho que construiu, completa: “Eu fiz assim acreditando e eu acho que esse primeiro disco já me colocou essa boa responsabilidade. Eu fico muito grata com isso”.
Influência na nova MPB e diálogo com a nova geração
Ao falar sobre sua influência na música brasileira contemporânea, Céu reconhece o papel de seu álbum na formação de um movimento que ainda busca definição. “Naquela época ninguém sabia como me taxar. Falava MPB, mas não é uma MPB”, lembra.
Ela cita diretamente Rachel Reis como uma das artistas que reconhecem essa herança. “As próprias artistas chegam e falam, sabe. Rachel Reis, por exemplo, é uma menina que publicamente fala muito isso”, conta. Em seguida, exalta Marina Sena e outras cantoras da nova geração.
“Eu acho maravilhoso quando eu vejo essa geração nova super talentosa chegando, canetando, a Marina, as meninas arrasando aí e trazendo coisas dos signos brasileiros”, afirma.

Foto: Instagram @rachelreisc
A diversidade atual da música urbana brasileira é um dos pontos mais positivos do momento, para Céu. “Hoje você já tem rap, rock, MPB pura. Tem tudo. Isso que está lindo”, resume, demonstrando otimismo com os rumos da cena musical.
Inteligência artificial e os limites da arte
A cantora também comenta sobre o avanço da inteligência artificial na música e os riscos envolvidos. “As mudanças são inevitáveis, mas acho que a gente precisa acompanhar a evolução dentro de um quadro de regulamentação”, defende. Ela revela já ter enfrentado problemas com o uso indevido de sua voz. “Já usaram minha voz para campanhas e já tive meus B.O.s com isso.”
Para Céu, o maior desafio é preservar a essência humana da arte. “A arte sempre esteve ligada ao incômodo humano, ao sentir. As máquinas não sentem”, reflete.
Olhar para frente sem viver do passado
Apesar da celebração dos 20 anos do álbum de estreia, Céu deixa claro que não pretende transformar a carreira em uma sequência de revisitas ao passado. “Eu não gosto de ficar só em coisa antiga. Eu gosto da contemporaneidade”, diz. Ela reforça que, por enquanto, o foco está apenas nesse projeto comemorativo, mesmo com os 10 anos do aclamado “Tropix” (2016). “Por um bom tempo é isso”, brinca.
“Eu tenho 45 anos uma mulher hoje de 45 anos está tipo cheio de vida. Vamos para frente né”, conclui.