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“Black is King”: Historiadora critica Beyoncé por “glamorizar negritude” e é rebatida por mulheres pretas como IZA

O filme “Black is King“, lançado pela Beyoncé na última semana, tem causado polêmica na mídia brasileira e internacional. A ideia da cantora foi exaltar a cultura negra inspirada pela história de “O Rei Leão” e do álbum “The Gift”, de 2019. No meio de uma enxurrada de resenhas positivas, no entanto, há quem colocasse defeito.

No jornal Folha de São Paulo, Lilia Moritz Schwarcz, que é Antropóloga e historiadora, professora da USP e da Universidade Princeton, reclamou que “Beyoncé erra ao glamorizar negritude com estampa de oncinha“, como afirma o próprio título.

Diva pop precisa entender que a luta antirracista não se faz só com pompa, artifício hollywoodiano, brilho e cristal“, continua a reportagem no subtítulo.

Fime de Beyoncé causa polêmica
Foto: Reprodução Disney+.

Não é preciso ir muito longe na resenha para perceber o que causou revolta. Schwarcz é uma mulher branca e causou revolva por “não ter lugar de voz” para fazer certa crítica. Foi por isso que mulheres pretas foram à internet para protestar.

Comentários

IZA, uma das cantoras pretas de maior destaque do Brasil, fez questão de enviar uma mensagem: “Lilia Schwarcz, meu anjo, quem precisa entender SOU EU. Eu preciso entender que privilégio é esse que te faz pensar que você tem uma autoridade para ensinar uma mulher negra como ela deve, ou não, falar sobre seu povo. Se eu fosse você (valeu Deus) estaria com vergonha agora. MELHORE!“, soltou ela, revoltada.

Maíra Azevedo, também conhecida por Tia Ma, foi outra que mandou seu recado. Ela é jornalista e humorista, além de ativista da causa.

O erro é uma mulher branca acreditar que pode dizer a uma mulher preta como ela pode contar a história e narrar a sua ancestralidade. A branquitude acostumou a ter a negritude como objeto de estudo e segue crendo que pode nos dizer o que falar sobre nossas narrativas e trajetórias“, desabafou.

Ela continua: “Lilia é uma historiadora, pesquisa sobre escravidão? Mas está longe de sentir na pele o que é ser uma mulher preta. Beyoncé do alto da sua realeza no mundo pop nunca deixar de ser negra, mesmo sentada no trono em sua sala de estar. A branquitude segue acreditando que pode nos ensinar a contar nossa própria história. Enquanto todas as pessoas negras se emocionam, se reconhecem e se identificam, a branca aliada diz que Beyonce deixa a desejar! É isso! No final nós por nós e falando por nós“.

A jornalista finaliza: “Como diz um provérbio africano: ‘enquanto os leões não contarem suas próprias histórias, os caçadores seguirão sendo vistos como heróis’… E aqui, quando a gente conta, dramatiza e sonoriza querem apontar o roteiro! Parem! Estamos no comando das nossas narrativas“.

Luana Xavier, atriz, apresentadora e roteirista, fez um forte vídeo reivindicando o tema.

Pedido de Desculpas

Sabendo da repercussão negativa Lilia Moritz Schwarcz resolveu fazer uma publicação tentando se explicar e pedindo desculpas.

Agradeço a todos os comentários e sugestões. Sempre. Gostaria de esclarecer que gostei demais do trabalho de Beyoncé. Penso que faz parte da democracia discordar. Faz parte da democracia inclusive apresentar com respeito argumentos discordantes. Já escrevi artigo super elogioso à Beyoncé, nesse mesmo jornal o que só mostra meu respeito pela artista. E por respeitar, me permiti comentar um aspecto e não o vídeo todo“, explicou.

Agradeço demais a leitura completa do ensaio. Penso que o título também levou a má compreensão. Dito isso, sei que todo texto pode ter várias interpretações e me desculpo diante das pessoas que ofendi. Não foi minha intenção. Continuamos no diálogo que nos une por aqui“, completa.

 

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Agradeço a todos os comentários e sugestões. Sempre. Gostaria de esclarecer que gostei demais do trabalho de Beyoncé. Penso que faz parte da democracia discordar. Faz parte da democracia inclusive apresentar com respeito argumentos discordantes. Já escrevi artigo super elogioso à Beyoncé, nesse mesmo jornal o que só mostra meu respeito pela artista. E por respeitar, me permiti comentar um aspecto e não o vídeo todo. Agradeço demais a leitura completa do ensaio. Penso que o título também levou a má compreensão. Dito isso, sei que todo texto pode ter várias interpretações e me desculpo diante das pessoas que ofendi. Não foi minha intenção. Continuamos no diálogo que nos une por aqui.

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Escrito por Caian Nunes

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