O calendário de 2026 é peculiar. Além do “BBB”, que concentra grande parte da atenção popular nos três primeiros meses do ano, há a Copa do Mundo e as eleições para presidente e governador. No mundo da música, essa sequência de eventos exige maior estratégia e timing para que lançamentos sejam bem sucedidos. Anitta, por exemplo, preferiu segurar seu álbum novo por enquanto.
(Foto: Roberto Filho / Brazil News)
“Eu tenho um álbum pronto, então a gente está planejando como lançá-lo. Mas não tenho muitos projetos, porque é um ano difícil para divulgação e trabalho, porque é todo mundo falando de Copa e eleições. Tem o BBB, que todo mundo fala, aí quando ele acaba já vai direto pra Copa e depois pras eleições. É um pouco mais complicado lançar coisas novas”, ela diz em coletiva de imprensa antes do “Ensaios da Anitta”.
Seu amigo Pedro Sampaio já fez diferente. O DJ lançou “JETSKI” no fim de 2025 e virou o hit do verão – música essencial nas festas de todo o Brasil. O single alcançou o 2º lugar no Spotify Brasil e entrou no Top 100 global da Billboard norte-americana. Para o empresário do DJ, Felipe Toledo, “BBB”, Copa e eleições mudam o comportamento do público e criam novos picos de atenção – que representam uma oportunidade.
“Quando a música entende esse timing e se conecta com o sentimento coletivo, o resultado vem com muito mais força. No fim, é sobre estratégia, sensibilidade e saber ler o momento certo”, diz Felipe Toledo.
Como se conectar com o público em 2026?
Para Roni Maltz Bin, CEO do Grupo Sua Música apontado como um dos executivos mais influentes da indústria pela Billboard Power Players, o calendário não atrapalha. O segredo é buscar maneiras de dialogar com o público. “As pessoas vão escutar música antes e depois dos jogos [da Copa]”, ressalta.
“Já eleições acho que atrapalha muito pouco. É um ou outro debate que vai chamar atenção das pessoas. Entendo que tenham pessoas achando que não é um bom ano para lançamento, mas acho que no fim das contas tem que saber aproveitar. Fazer do limão uma limonada. Aproveitar e criar música que vão escutar antes dos jogos, antes do BBB, etc”, completa.
Funk se beneficia do debate social
O funk representa 70% do Top 10 diário do Spotify atualmente. A música urbana costuma se beneficiar da alta exposição de assuntos na mídia – como “BBB”, Copa do Mundo e eleições. Para Rodrigo Oliveira, fundador da produtora GR6, o calendário de 2026 não atrapalha, mas requer um desafio operacional, que já faz parte da dinâmica do negócio.
“2026 é um ano de alta atenção midiática, e a GR6 já opera nesse cenário há muito tempo. BBB, Copa do Mundo e eleições não são obstáculos, são ondas de audiência. O funk e a música urbana nascem desse território real: do cotidiano, da conversa coletiva, do que está acontecendo agora. A GR6 opera com planejamento de longo prazo, volume, dados e diversificação de lançamentos”, ele diz ao POPline.
Em vez de diminuir o volume de lançamentos, a GR6 realizou um acampamento criativo em janeiro, que gerou mais de 100 fonogramas em um único encontro. “Nosso padrão interno é a distribuição de aproximadamente 300 fonogramas por mês. Esse modelo reduz risco, dilui dependência de janelas específicas e permite capturar diferentes picos de atenção ao longo do ano. Em vez de competir com grandes eventos do calendário nacional, a GR6 integra seus lançamentos ao fluxo cultural, digital e social do país”, explica Rodrigo Oliveira.
A força inabalável do sertanejo
O sertanejo é o estilo musical mais tocado nas rádios do Brasil. Também é dos mais fortes nas plataformas de streaming. O Grupo Agroplay está no Top 10 do Spotify Brasil com “Era Sol Que Me Faltava”, parceria de Ana Castela com CountryBeat. A cantora também entoa o tema da na novela das 19h da Globo, “Coração Acelerado”.
“Eu não vejo um calendário como o de 2026 necessariamente como um obstáculo, mas como um desafio que exige mais estratégia e planejamento. BBB, Copa do Mundo e eleições disputam atenção, sim, mas também movimentam o público, geram conversa e mantêm o país em ebulição. Para quem trabalha com música e entretenimento, o ponto não é evitar esses momentos, e sim entender como se posicionar dentro deles”, opina Raphael Soares, sócio diretor da AgroPlay.
“No sertanejo, especialmente, aprendemos a trabalhar com timing, leitura de comportamento e conexão emocional. Bons lançamentos não dependem só do cenário externo, mas de repertório forte, narrativa bem construída e ações bem pensadas. Quando existe estratégia, o calendário deixa de atrapalhar e passa a ser parte do jogo”, conclui.
