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Baú: porque Missy Elliott merece receber o Vanguard Award do VMA 2019

Lembro até hoje do dia que Katy Perry levou Missy Elliott para sua apresentação no Super Bowl em 2015. Era um festival de “who” e também de “onde ela estava”, e eu só pensava em como aquela exposição toda poderia ajudar a resgatar uma das artistas mais inovadoras dos anos 1990. Adiante o tempo para esta semana quando a MTV anunciou que seria a Missy a receptora do Vanguard Award do VMA 2019. Justíssimo.

Quem não presenciou o que a discografia e videografia da Missy trouxeram de novo para os canais de televisão especializados pode realmente ter ficado voando e entrado no coro de “por que não a Katy Perry?” (uma das campanhas mais engajadas para o prêmio este ano). Não culpo, mas Missy é merecedora da indicação e eu explico o porquê.

Foto: Divulgação

Missy Elliott iniciou sua carreira em um grupo de R&B no finalzinho dos anos 1980 e chamou a atenção de pessoas da indústria como o grupo Jodeci e Mary J. Blige, mas foi nos bastidores que ela começou a desenvolver suas conexões. Ao lado de Timbaland, ela produziu beats e versos de rap para uma nova leva de artistas da música urbana norte-americana e teve em Aaliyah a sua chance de chegar ao mainstream. A dupla foi a grande responsável pela produção do segundo álbum da cantora de 1996 que inclui os sucessos “If Your Girl Only Knew”, “4 Page Letter” e “One In a Million”. A partir daí, Missy era nome reconhecido e requisitado.

Hora então de um disco próprio. “Supa Dupla Fly” saiu em 1997, chegou ao Top 3 da parada de álbuns dos Estados Unidos, e mostrava a todos do que Missy era capaz sozinha. Com o auxílio de Timbaland na produção, a rapper abraçou seu lado diferente, adicionou a estética colorida e planos “olho de peixe”. Se vestiu praticamente de um “saco de lixo preto” ao vento. Uma mulher com muito o que falar em um gênero musical predominantemente masculino – até hoje.

Se você ouve muitos discursos de empoderamento feminino e movimento “body positivity” (ainda sob o espectro de que há muito a ser conquistado), avalie esse mesmo pensamento verbalizado nos anos 1990 quando no rap os homens dominavam e no pop as mulheres eram magras, loiras e intocáveis. O que Lizzo, Janelle Monáe, Nicki Minaj e Cardi B colhem hoje em dia começou nela – e em também outros nomes da onda daquele período. Ela não se encaixava perfeitamente em mundo algum e exatamente por isso foi abraçada por muitos. Missy rimou sobre seu corpo, esculachou a mídia, pregou a união feminina, falou abertamente sobre sexualidade, sobre sexo, liberdade, auto confiança. O esquisito sempre permeou a estética da rapper. Seu lema era: é comum não ser “padrão” e está tudo bem nisso. Em um dos seus clipes mais icônicos, a rapper segura a sua própria cabeça. Além de tudo isso, havia a representatividade da mulher negra. Não é a toa que poucas semanas atrás ela foi induzida na classe de 2019 do “Songwriters Hall of Fame”.

Todos queriam um pedaço de Missy. E há certos momentos importantes da cultura pop que ela está lá e muitas vezes é esquecida. “Lady Marmalade”? Ela está. O beijo de Madonna x Britney x Christina? Também.

Missy passou quase dez anos sem lançamentos próprios até o retorno ao Super Bowl e o lançamento de “WTF (Where They From)”. Fez parcerias e teve o aval de praticamente toda a indústria da música, recentemente retornando em parcerias com Ariana Grande em “Boderline”, novamente com Ciara em remix de “Level Up” e Lizzo em “Tempo”.

Missy “MISDEMEANOR” (contravenção, em tradução literal) Elliott merece ser reconhecida e conhecida pelas novas gerações. São mais de 20 anos de carreira abrindo caminhos e derrubando carreiras. Seis álbuns de estúdio, 22 indicações ao Grammy Awards, 4 prêmios. Se você é um que não presenciou o fenômeno, preste atenção porque ela estará no palco do VMA 2019 no dia 26 de agosto.

Escrito por Amanda Faia

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